continuação capítulo 10

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Continuação do Capítulo 10— Sob os olhos da corte [Pensamentos do Duque] Ela estava diferente. Ou talvez ele é que estivesse — preso naquela dança perigosa entre obsessão e desejo que começava a parecer mais como um vício do que como um jogo. Isabela não era como as outras. Não se curvava, não sorria por obrigação, e nem mesmo depois daquela noite — em que ele a desnudara como quem desvenda um segredo antigo — ela permitira que ele a possuísse por completo. Seu corpo, sim. Mas a alma? Ah, essa ainda escapava por entre seus dedos como seda molhada. E aquilo o enlouquecia. Ver Isabela ali, tão composta, enquanto sua mente ainda revivia cada suspiro, cada gemido abafado naquela madrugada... era uma provocação que ele não sabia como suportar. E então ela ousava lançar-lhe olhares frios, palavras cortantes — como se estivesse imune, como se ele não a tivesse marcado. Mas ele sabia. Sabia que a tinha. E ainda assim, não era o bastante. Pela primeira vez, desejava ser mais do que um nome, mais do que o título que pesava sobre seus ombros. Queria ser lembrado por ela. Queria que Isabela sussurrasse seu nome por vontade, e não por obrigação. E isso o enfraquecia. Isso o tornava perigoso. Porque agora, não bastava tê-la no leito. Queria tê-la por inteiro. [Pensamentos de Isabela] Como ele ousava? Como podia olhá-la daquela forma, depois de tudo? Ela tinha entregado o que jurara nunca oferecer a homem algum: sua vontade, sua liberdade, sua honra. Mas o mais assustador era saber que não havia sido forçada. Ela escolhera. Escolhera sentir. E agora, diante da corte, deveria agir como se nada houvesse mudado? Mas tudo havia mudado. O duque não era apenas aquele homem de olhos ferozes e fama libertina. Ela o conhecia agora, de perto. Sabia da forma como ele respirava quando perdia o controle, sabia como seu toque podia ser terno mesmo quando vinha carregado de desejo. E isso a confundia mais do que qualquer escândalo. Isabela queria odiá-lo. Queria desprezar o que sentia. Mas em seu íntimo, algo sussurrava que ela estava sendo tragada por ele… e que talvez não quisesse resistir. Porque mesmo ali, cercada por toda a nobreza, o único lugar onde seu coração realmente existia… era sob o peso daquele olhar.
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