Capítulo 11— Onde a máscara cai
O som dos passos ecoava pelo corredor de pedra, abafado apenas pelo bater descompassado do coração de Isabela. Ela havia saído do salão assim que pôde, os dedos ainda apertando o leque como se pudessem conter a raiva — ou o medo — que a consumia por dentro. Mas não esperava que ele viesse atrás.
— Está fugindo de mim, Isabela?
A voz grave surgiu atrás dela, carregada de um sarcasmo que só acentuava sua frustração.
Ela se virou bruscamente, o olhar faiscando.
— Estou me afastando de algo que me confunde. É diferente.
O duque avançou um passo, o semblante tenso. Não havia mais o verniz da corte ali, nem sorrisos cínicos. Apenas ele, despido de máscaras.
— Confunde ou assusta?
— Ambos — respondeu ela sem hesitar. — Você me puxa para um lugar do qual não sei se posso voltar. E o pior… é que parte de mim não quer.
Ele respirou fundo, e por um instante, seus olhos pareciam carregados de algo mais do que desejo. Era dor. Era confissão.
— Eu também não sei voltar, Isabela.
Silêncio. Um silêncio que dizia mais do que qualquer palavra.
Ela tentou desviar o olhar, mas ele já estava próximo demais. O calor do corpo dele era uma presença viva, sufocante. E quando ele tocou sua mão — devagar, quase com medo — ela não recuou.
— Isso não devia ter acontecido — sussurrou ela, mais para si mesma.
— Mas aconteceu. E vai acontecer de novo, se você não me impedir agora.
A respiração dela falhou. Havia um nó em sua garganta, uma batalha em seus olhos. E então veio o estopim:
— Eu não sou Aurora. Nunca serei.
O duque ergueu o queixo, como se aquelas palavras o ferissem mais do que qualquer bofetada.
— Eu sei. E é exatamente por isso que estou perdendo a cabeça.
Não houve mais palavras. Só o som do corpo dela sendo puxado contra o dele, os lábios se encontrando com urgência crua, como se o mundo inteiro pudesse ruir ao redor — e tudo o que importasse fosse aquele instante.
Eles não estavam salvos. Mas ali, naquele beijo, estavam finalmente sendo verdadeiros.