Capítulo 12 — O começo do escândalo
Os dias que se seguiram àquela rendição não trouxeram alívio — apenas um novo tipo de inquietação. Isabela esperava o distanciamento habitual, a frieza que os homens de poder adotavam após conseguirem o que queriam. Mas ele… ele surpreendeu.
O duque passou a buscá-la com o olhar em cada salão, a se aproximar sob o pretexto mais frívolo. Um comentário sobre a música. Um elogio sussurrado apenas para ela. Um toque leve no braço, que não passaria despercebido por olhos treinados para ler gestos.
E a corte, claro, começou a falar.
— Ela parece bem à vontade para alguém que veio ocupar o lugar da irmã — murmurou uma condessa entediada.
— Ou talvez tenha aprendido rápido como agradar o duque — respondeu outra, com um sorriso venenoso.
Isabela ouvia. Fingia não ouvir, mas ouvia. E cada palavra entrava como um espinho de vergonha. Mas o pior — ou o melhor — era que ele não parecia se importar.
Naquela noite, durante um jantar formal, ele ofereceu-lhe o braço diante de todos. O gesto, simples, era um ato de guerra no campo sutil da nobreza. Isabela hesitou por um instante, sentindo todos os olhos se voltarem para ela.
— Vai me deixar sozinho, mia cara? — sussurrou ele, com um brilho provocador nos olhos.
Ela entrelaçou o braço ao dele.
Ao adentrar o salão ao seu lado, sob os olhares escandalizados e as bocas semiabertas, Isabela entendeu: ele estava jogando a primeira peça no tabuleiro.
O duque já não se escondia. E ao fazer isso, a colocava no centro do furacão. Talvez por amor. Talvez por possessividade. Talvez por algo entre os dois.
Mas uma coisa era certa: ele estava escolhendo ela. Diante de todos.
E isso era o tipo de escândalo que não se apagava facilmente.