capítulo

417 Words
Capítulo 13 — O desejo alheio O baile no palácio de Montessini reunia o que havia de mais luxuoso e perigoso na corte. Máscaras, música, vinho e palavras afiadas disfarçadas de galanteria. Isabela usava um vestido cor de marfim que parecia ter sido feito para provocar — e provocar ela fazia, mesmo sem querer. Ela dançava com um sorriso contido, sentindo-se observada. Não apenas pelo duque, que mantinha-se à margem, vigiando-a com os olhos de um lobo à espreita. Mas por outro homem — um que não escondia o interesse nem fazia questão de disfarçar a ousadia. O Conde di Ravanelli. Ravanelli era tudo o que a corte temia e desejava ao mesmo tempo: belo, imoral, escandalosamente livre. Já havia seduzido damas casadas, criado inimizades com príncipes e zombado abertamente da Igreja. E agora… seus olhos estavam cravados em Isabela. — Que injustiça, senhorita — disse ele, tomando sua mão sem permissão. — Um rosto como o seu aprisionado nas mãos de um homem como ele. — Eu pertenço a ninguém, conde — respondeu ela, firme, tentando puxar a mão de volta. Ele a segurou com mais força, os olhos brilhando com desafio. — Não diga isso, ou me sentirei tentado a provar o contrário. Antes que ela pudesse se afastar, uma sombra surgiu ao lado deles. A mão do duque se fechou sobre o ombro de Ravanelli com uma brutalidade silenciosa. Seus olhos — negros como tempestade — encararam o conde com um ódio antigo. — Solte-a. Agora. O salão pareceu congelar. Ravanelli sorriu com deboche. — Tantas mulheres já passaram por seus braços, Vossa Graça. Devo entender que agora se tornou… possessivo? — Não. — A voz do duque era baixa, perigosa. — Apenas não tolero vermes rastejando sobre o que é meu. Antes que alguém pudesse intervir, o punho do duque acertou o rosto de Ravanelli com força suficiente para derrubá-lo. Houve gritos abafados, murmúrios espalhados como pólvora. Mas ele não se importou. Tomou Isabela pela mão e a levou dali sem dizer uma palavra. Ao chegarem aos corredores silenciosos, ela finalmente falou: — Você enlouqueceu! — Não. Apenas me cansei de fingir que sou feito de pedra. Você é minha, Isabela. E quem tentar tocar no que é meu... sangrará por isso. Ela respirava com dificuldade, o coração em descompasso — parte assustada, parte completamente entregue. — E se eu não quiser pertencer a ninguém? O duque se aproximou, o olhar em brasa. — Então me ensine a te ter… sem te aprisionar.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD