Capítulo 13 — O desejo alheio
O baile no palácio de Montessini reunia o que havia de mais luxuoso e perigoso na corte. Máscaras, música, vinho e palavras afiadas disfarçadas de galanteria. Isabela usava um vestido cor de marfim que parecia ter sido feito para provocar — e provocar ela fazia, mesmo sem querer.
Ela dançava com um sorriso contido, sentindo-se observada. Não apenas pelo duque, que mantinha-se à margem, vigiando-a com os olhos de um lobo à espreita. Mas por outro homem — um que não escondia o interesse nem fazia questão de disfarçar a ousadia.
O Conde di Ravanelli.
Ravanelli era tudo o que a corte temia e desejava ao mesmo tempo: belo, imoral, escandalosamente livre. Já havia seduzido damas casadas, criado inimizades com príncipes e zombado abertamente da Igreja. E agora… seus olhos estavam cravados em Isabela.
— Que injustiça, senhorita — disse ele, tomando sua mão sem permissão. — Um rosto como o seu aprisionado nas mãos de um homem como ele.
— Eu pertenço a ninguém, conde — respondeu ela, firme, tentando puxar a mão de volta.
Ele a segurou com mais força, os olhos brilhando com desafio.
— Não diga isso, ou me sentirei tentado a provar o contrário.
Antes que ela pudesse se afastar, uma sombra surgiu ao lado deles.
A mão do duque se fechou sobre o ombro de Ravanelli com uma brutalidade silenciosa. Seus olhos — negros como tempestade — encararam o conde com um ódio antigo.
— Solte-a. Agora.
O salão pareceu congelar.
Ravanelli sorriu com deboche.
— Tantas mulheres já passaram por seus braços, Vossa Graça. Devo entender que agora se tornou… possessivo?
— Não. — A voz do duque era baixa, perigosa. — Apenas não tolero vermes rastejando sobre o que é meu.
Antes que alguém pudesse intervir, o punho do duque acertou o rosto de Ravanelli com força suficiente para derrubá-lo. Houve gritos abafados, murmúrios espalhados como pólvora. Mas ele não se importou.
Tomou Isabela pela mão e a levou dali sem dizer uma palavra.
Ao chegarem aos corredores silenciosos, ela finalmente falou:
— Você enlouqueceu!
— Não. Apenas me cansei de fingir que sou feito de pedra. Você é minha, Isabela. E quem tentar tocar no que é meu... sangrará por isso.
Ela respirava com dificuldade, o coração em descompasso — parte assustada, parte completamente entregue.
— E se eu não quiser pertencer a ninguém?
O duque se aproximou, o olhar em brasa.
— Então me ensine a te ter… sem te aprisionar.