Mara
— Eu tenho certeza de que você tem outros amigos para lhe fazer companhia — eu disse, mantendo minha voz calma, os olhos fixos em Tiffany. — Companhia melhor, e talvez mais interessante, do que eu jamais poderia ser.
Tiffany captou o significado instantaneamente e sorriu, presunçosa e satisfeita.
— Isso mesmo, Darian — ela ronronou, entrelaçando o braço no dele. — Eu sou toda a companhia de que você precisará.
Então, como se fosse algum tipo de piada interna, ela se inclinou e lambeu o lóbulo da orelha dele novamente. Eu desviei o olhar, com a mandíbula cerrada. Ela queria tanto ser a Luna que isso transbordava dela.
A maioria das garotas que se jogavam para cima de Darian queria. Não era sobre ele. Era sobre o título, o poder, a imagem. Mas não eu.
Mesmo se Darian não fosse ser o Alfa, eu ainda me sentiria assim em relação a ele. Essa era a diferença.
— Eu quero ir com você, Rowan — eu disse de repente, virando-me para ele. Minha voz estava mais clara do que eu esperava. Firme. Eu precisava de distância. Espaço.
Um continente inteiro entre mim e Darian se eu fosse superá-lo. Ele nunca me veria. Nunca escolheria a mim. E eu tinha que parar de manter a esperança como se fosse algum tipo de cobertor de conforto distorcido.
— Esta viagem... ela será boa para mim — eu adicionei, principalmente para mim mesma.
Darian sorriu, observando-me um pouco de perto demais.
— Talvez eu vá também.
E, num piscar de olhos, o ar deixou meus pulmões. Não. Não, ele não podia.
Isso arruinaria tudo. Eu acabaria exatamente onde estava — sua sombra leal, sua melhor amiga, observando Tiffany engolir toda a atenção dele.
— Você vai me levar junto? — Tiffany perguntou, toda olhos arregalados e uma ansiedade carregada de doçura. Eu quase podia ouvir o bater de seus cílios.
Eu cerrei minha mandíbula tão forte que doeu. Se ela fosse também, eu perderia a cabeça observando-a se agarrar a Darian como uma craca no cio.
Só a língua dela já seria o suficiente para me fazer vomitar em algum lugar perto da fronteira da primeira cidade que atingíssemos.
— Eu vou pensar no assunto — Darian respondeu, e o rosto de Tiffany caiu. Ela franziu a testa e, então, seus olhos se voltaram para mim, afiados e acusadores, como se fosse minha culpa.
Ela não estava inteiramente errada. Mas também não estava certa. Eu não queria que Darian viesse — não porque eu queria guardá-lo para mim, mas porque eu precisava finalmente me libertar dele.
Nós ficamos um pouco mais, tomamos algumas bebidas, cuidadosos para não exagerar. Foi um final silencioso para uma noite barulhenta. Eventualmente, todos nós decidimos encerrar e nos preparamos para ir embora.
— Vamos caçar amanhã de manhã — Darian disse casualmente enquanto saíamos para a noite. Sua voz era leve, mas seus olhos estavam em mim.
Eu hesitei. Esperando. Porque, é claro, eu precisava ouvir o que ela diria.
— Eu quero ir também — Tiffany interveio, saltitando levemente em seus saltos como se estivesse se voluntariando para um jogo de pega-pega.
Eu revirei meus olhos antes que pudesse me conter. Darian percebeu e riu.
— Eu acho que vocês três terão que ir sem mim — eu disse secamente, já me virando.
Darian franziu a testa.
— Vamos lá, Mara. Você e eu... nós somos uma boa equipe.
Ah, como eu desejava que isso fosse verdade. Mas, na realidade? Era apenas mais uma mentira doce que eu havia contado a mim mesma ao longo dos anos.
— Você, Rowan e Tiffany serão uma equipe formidável — eu respondi, com os olhos no pavimento, sem me dar ao trabalho de olhar para ela. Eu já podia sentir o peso do olhar furioso dela.
Eu não a culpava. Se eu fosse ela, eu também não gostaria de mim. Não quando o cara que eu queria continuava prestando atenção em outra pessoa.
Darian me disse para pensar no assunto.
Eu não pensaria. Eu não precisava. Eu já sabia que não iria.
Quando eu cheguei em casa, a casa estava silenciosa — todos dormindo. Eu deslizei para dentro como um fantasma e segui para o meu quarto, fechando a porta atrás de mim sem fazer um som.
Eu não queria acordar ninguém. Eu não queria conversar.
Tudo o que eu queria era parar de amar alguém que nunca me amaria de volta.
A manhã chegou rápido demais.
Eu me sentei na beira da minha cama, ainda envolta na névoa de tudo o que eu estava tentando esquecer.
A caçada deveria ser hoje. Parte de mim queria ir — apenas para respirar fora desta casa, fora dele. Mas a ideia de Tiffany indo junto fazia meu estômago revirar.
Eu já sabia que ela havia passado a noite na mansão Nighthorn. Não havia como Darian deixá-la para trás agora. Não depois daquilo.
Eu me arrastei escada abaixo, com fome, mas sem ânimo. Eu odiava me transformar quando não tinha comido — isso me deixava tensa, impaciente. Eu não queria perder o controle na floresta e acabar parecendo desequilibrada.
O que eu não esperava era encontrar meus pais esperando na cozinha.
Eles não estavam comendo. Eles não estavam sorrindo. Eles estavam apenas... ali, sentados rigidamente à mesa com aquele olhar nos olhos que fez algo dentro de mim se apertar.
Minha mãe, geralmente de olhos brilhantes e calorosa, me deu um pequeno sorriso nervoso.
— Bom dia, Mara. Como foi sua noite?
Eu forcei um dar de ombros.
— Ótima — eu menti, tentando não ler demais o humor deles.
Ela apenas assentiu.
Meu pai limpou a garganta, e o som já fez meu coração bater mais rápido.
— Querida, nós precisamos conversar com você sobre algo importante.
E, assim, meu estômago afundou.
Eles não falaram na cozinha. Meu pai apontou em direção à sala de estar, e todos nós nos movemos, silenciosos como fantasmas. Eu me sentei no sofá em frente a eles, tentando não deixar minha mente entrar em espiral.
Então eles olharam um para o outro.
Aquele tipo de olhar — o tipo de conversa silenciosa por ligação mental que eles sempre tinham quando algo estava errado. Algo que eles não queriam dizer em voz alta. Eu não fazia parte disso. Ainda não. Não até que eles decidissem que eu tinha que fazer.
— Mara — meu pai disse lentamente — você sabe o quanto nós amamos você, certo?
Maneira errada de começar. Meu pulso disparou. Eu engoli em seco.
— Sim — eu disse, e minha voz falhou.
Ele olhou para baixo por um momento, depois voltou a olhar para mim com olhos cansados.
— Nós sempre quisemos o melhor para você. Mas... nós também temos deveres com a alcateia. Responsabilidades. E...
— Nós deveríamos ter lhe contado antes — minha mãe interrompeu, com a voz tremendo. — Mas nós queríamos que você tivesse sua graduação, seu momento de celebração, antes de nós... antes de dizermos qualquer coisa.
Os olhos dela se encheram de lágrimas.
Foi quando eu comecei a chorar também. Porque o que quer que pudesse fazer minha mãe chorar daquele jeito... o que quer que eles estivessem prestes a dizer, ia arrancar algo de dentro de mim.
— Mara — meu pai disse novamente, mais baixo desta vez — o Alfa Vander Nighthorn escolheu você para ser unida ao seu filho mais velho, Lucian.
Minha respiração parou.
— Ele decidiu — ele continuou — que, como você terminou em segundo lugar geral na academia, a primeira entre as lobas, e como você é conhecida por sua força, sua disciplina... que você é a melhor escolha para Lucian. Ele acredita que seu caráter ajudará a moldá-lo em um homem digno de estar ao lado de seu irmão quando Darian se tornar Alfa. Ele também acredita que sua amizade com Darian ajudará a resolver o conflito entre os irmãos e trará união para a futura liderança desta alcateia.
Eu estava congelada. As palavras nem sequer foram registradas a princípio. Não parecia real.
— Não é uma sugestão, Mara — meu pai acrescentou. — É uma ordem. Uma que não tínhamos poder para recusar.
Foi isso. O som que saiu da minha garganta nem era humano.
Eu gritei.
Um grito cru e gutural que rasgou meu peito como se algo dentro de mim tivesse se estilhaçado.