07: Procurando força

2088 Words
Mara Quatro dias haviam se passado desde que Lucian e seu pai vieram à casa, e eu ainda não tinha encontrado a minha saída da névoa. Eu me sentei no jardim atrás da nossa casa, encarando o nada. Não as flores. Não as árvores. Apenas o espaço vazio à minha frente, como se ele pudesse conter algum tipo de resposta se eu olhasse por tempo suficiente. As palavras de Lucian ainda ecoavam em minha mente — frias, cruéis e depois, estranhamente, honestas. A verdade era uma lâmina que não tinha parado de cortar. Não era sobre eu ter material de Luna ou sobre ajudar Lucian. Era sobre Darian. Sobre me remover da equação para que a mãe dele pudesse moldar o futuro dele sem interferência. Eu nem sequer o ouvi se aproximar. — Você perdeu peso — Darian disse suavemente, sentando-se ao meu lado. Eu não respondi. O que havia para dizer? Ele suspirou e se levantou novamente, andando de um lado para o outro. Frustrado. Inquieto. Eu sabia que ele queria conversar. Ele sempre queria. Mas eu não podia dar a ele o que ele estava procurando — não quando eu sentia que a minha vida inteira tinha sido negociada por pessoas que nunca sequer me perguntaram o que eu queria. — Por que você não me disse que o Lucian veio ver você? — ele finalmente perguntou. Eu olhei para ele, calma na superfície, oca por dentro. — Eu não achei que fosse necessário. Ele parou de caminhar. — Nós somos amigos, Mara. Tudo é necessário. Tudo importa. Ele parecia exausto. Havia olheiras sob os seus olhos, e os seus ombros estavam tensos. Eu podia ver a culpa na maneira como ele se portava, mas ele não entendia. Ainda não. — Me ajude, Darian — eu disse, com a minha voz falhando. — Por favor. Ele parou na minha frente, com os olhos cheios de tristeza. — Se eu fosse Alfa, eu cancelaria essa loucura. Eu juro que cancelaria. — Mas você não é — eu sussurrei. Então eu o olhei nos olhos, e eu disse a única coisa que vinha crescendo em meu peito como a pressão antes de uma tempestade. — A sua mãe armou isso. Ele franziu a testa, a sua expressão endurecendo. — Lucian disse isso na frente do seu pai. E o seu pai não negou. Ela estava com medo de que você e eu… de que nós pudéssemos acabar juntos. Ela não queria o filho dela se casando com alguém de uma família de classe média. Então ela empurrou esta união, forçou-a, para me tirar da sua órbita. A mandíbula de Darian se apertou. — Isso não é verdade. Ela sabe que nós somos apenas amigos. Que não há nada entre nós. As palavras dele caíram como pedras em meu peito. — Se eu quisesse namorar você, Mara, eu teria namorado. Aquilo doeu. Eu esperava por isso, mas ainda assim doeu. — Ela não vê as coisas dessa maneira — eu respondi. — Para ela, eu sou uma ameaça ao seu futuro. Então ela arruinou o meu. Eu fiz uma pausa, com a voz baixa e tremendo. — Por favor, fale com ela, Darian. Ela está destruindo duas vidas por medo. Lucian tem alguém que ele ama. E eu? — Minha voz quebrou. — Ela está me condenando a uma vida miserável e sem amor. Tudo porque eu era a sua amiga. Eu olhei para as minhas mãos, tremendo agora. — Eu desistirei da posição de Gamma. Eu irei embora. Apenas… ajude-me a sair disso. Lágrimas rolaram pelas minhas bochechas, quentes e impotentes. — Eu não quero me casar com o seu irmão. Por favor. Ele se sentou ao meu lado novamente, em silêncio por um longo momento. A mão dele encontrou a minha, hesitou, então a segurou gentilmente. — Eu falarei com ela — ele disse finalmente, com a voz baixa. — Eu não posso prometer nada, Mara. Mas eu vou tentar. Eu vou implorar se eu tiver que fazer isso. Eu assenti, embora não estivesse esperançosa. A esta altura, eu apenas precisava saber que alguém tentou. Que nem todos ficaram parados assistindo ao meu futuro queimar. Se Darian não tivesse se oferecido, eu poderia ter me enterrado em uma aceitação silenciosa. Poderia ter me forçado a caminhar para aquele enlace frio e sem amor. Mas Lucian não era apenas c***l — ele era perigoso. Ele era um assassino. Um bêbado irresponsável. Uma tempestade ambulante com a qual se esperaria que eu compartilhasse uma vida. O pensamento de me vincular a ele permanentemente… fazia a minha pele arrepiar. Nós nos sentamos em silêncio por um tempo depois disso. Apenas respirando o mesmo ar. Apenas existindo no mesmo espaço. Eventualmente, Darian foi embora. E eu estava sozinha novamente. Sentada em um jardim, cercada por vida, enquanto a minha definhava lentamente. Dois dias se passaram. Nada do Darian. Nenhuma ligação. Nenhuma visita. Nem mesmo uma mensagem. Apenas silêncio. Eu me deitei na minha cama, encarando o teto fixamente como se ele pudesse oferecer algum tipo de fuga. Não ofereceu. Tudo o que eu via era a contagem regressiva — os dias escapando até o casamento. Até o meu funeral. Porque era assim que eu me sentia. O dia em que eu me casasse com Lucian seria o dia em que eu enterraria o que restava de mim. Eu não sabia se eu assumiria a posição de Gamma quando chegasse a hora. Eu duvidava. O fogo em mim — aquele que um dia me impulsionou a ser a melhor — não era nada além de cinzas agora. A resignação tinha um gosto amargo, mas estava começando a parecer a única coisa que me restava. Houve uma batida na minha porta. Eu não respondi. Eu não precisava. Eu já podia sentir o cheiro dela — minha mãe. E a bandeja de comida que ela equilibrava nas mãos. Eu não me movi, não falei e, exatamente como eu sabia que ela faria, ela entrou. — Mara — ela disse gentilmente, colocando a bandeja sobre a mesa. — Você precisa comer alguma coisa. Eu nem sequer olhei para a comida. Eu olhei para ela. Fria. Zangada. Quebrada. — Como você e o papai conseguem viver consigo mesmos depois de venderem a sua filha? — eu perguntei, com a minha voz plana, a minha expressão enojada. Ela congelou perto da mesa, os olhos dela se baixando, como se nem mesmo ela pudesse suportar encontrar os meus. — Ele não nos deu escolha, Mara — ela sussurrou. — O dinheiro foi para aliviar a consciência dele. — E vocês aceitaram. — Minhas palavras eram uma lâmina. — Gastaram, eu tenho certeza. Alguma vez passou pela cabeça de vocês que o Lucian pudesse cancelar tudo? Que o Alfa Vander pudesse querer o dinheiro dele de volta? Ela se virou para me encarar lentamente, a sua expressão cansada e tensa. — Nós não tivemos escolha — ela repetiu. — Era aceitar… ou ser expulso. “Aceitem ou caiam fora”, foi o que ele disse. Nós estávamos nos afogando, Mara. A casa, os empréstimos... nós estávamos prestes a perder tudo. Eu pisquei, atônita. — Então vocês me venderam para pagar as suas dívidas? Os empréstimos que vocês fizeram para a minha educação? — Não — ela disse rapidamente. — Nós estávamos prontos para entregar a casa. Nós planejamos nos mudar para a casa da minha irmã. Nós não esperávamos que o Alfa Nighthorn aparecesse. Mas quando ele forçou a união, quando ele disse que ia acontecer quer gostássemos ou não... nós aceitamos o dinheiro. Nós o usamos para sobreviver. — E vocês me usaram para sobreviver — eu disse amargamente. Ela recuou. Eu me sentei, os meus olhos afiados agora. — O que acontece se o acordo desmoronar? Se o Lucian cancelar tudo e o pai dele quiser o dinheiro de volta? — Por que ele faria isso? — ela perguntou, com a voz tremendo. — Porque eu contei ao Darian — eu disse. — Eu contei a ele o que o Lucian disse. Sobre a verdade... como isso não era sobre o Lucian precisar de uma esposa, mas sobre a mãe dele me querer fora da vida do Darian. Ele prometeu que falaria com ela. Tentaria fazê-la parar com essa loucura. Os olhos da minha mãe se arregalaram, chocados. Ela não esperava que eu fizesse nada. Talvez ela achasse que eu apenas desmoronaria silenciosamente. Ela se sentou lentamente ao meu lado, o seu corpo se dobrando como se algo tivesse quebrado dentro dela. Lágrimas escorreram pelo rosto dela. — Mara, minha querida… — a voz da minha mãe falhou enquanto ela se sentava ao meu lado. — Eu não sabia que você levaria isso de forma tão pesada. Eu não respondi. Ela tentou alcançar a minha mão, mas eu não me movi. Meus olhos continuaram fixos no teto, secos agora, mas apenas porque eu não tinha mais nada dentro de mim. — Eu também estou sofrendo — ela continuou, com a voz m*l acima de um sussurro. — Mas eu preciso que você seja forte. Você é mais resistente do que isso. Eu não olhei para ela. — Darian e Rowan partiram ontem — ela acrescentou cuidadosamente. — Eles não voltarão até que chegue a hora de ele assumir a alcateia. As palavras afundaram lentamente, como veneno se infiltrando pelas minhas veias. Eles foram para a viagem. Sem mim. Sem uma palavra. Darian — a única pessoa que eu ainda acreditava que tentaria me ajudar — tinha ido embora. Ele nem sequer ligou. Não disse adeus. Não me disse que tinha falhado ou que tinha tentado, de fato. O silêncio em meu peito rachou. Meu coração quebrou sem som. — Eu sei o que você está pensando — minha mãe disse, quase defensivamente. — Foi a Luna Martha. Ela forçou a viagem. Eu me virei para ela agora, com os olhos ardendo novamente. — Ela o forçou? — eu perguntei, embora eu já acreditasse nisso. — Sim — ela assentiu. — Jason, o mordomo do Darian, ele passou por aqui para um check-up. Ele me contou que o Darian teve uma discussão terrível com a Martha. Sobre o Lucian. Sobre você. Sobre o quão injusto isso é. E quando ela não pôde controlar a conversa, ela o controlou. Ela o fez partir. Disse a ele que era para “ganhar experiência”. Disse que ele voltaria um Alfa melhor. Meu lábio tremeu, mas eu não falei. Era minha culpa. Eu pedi para ele intervir. Eu o puxei para dentro disso. E agora ele tinha ido embora. Banido sob o pretexto de treinamento. E nada tinha mudado. Lucian ainda era o meu futuro. E Darian… Darian tinha se tornado parte do passado. Eu me sentei em silêncio enquanto as lágrimas voltavam — lentas, constantes, silenciosas. — Sinto muito, bebê — minha mãe sussurrou. — Mas, por favor… coma alguma coisa. Não deixe que isso mate você. Você é uma das lobas mais fortes que esta alcateia já viu. Uma mulher ganhando o posto de Gamma? Isso não é sorte. Isso é garra. Isso é fogo. Você encontrará uma maneira de lidar. Eu não acreditei nela. Nem um pouco. Ela me puxou para perto, beijou a minha testa e depois saiu do quarto sem esperar por uma resposta. Eu encarei a comida. O cheiro revirou o meu estômago. O medo tinha se enrolado tão firmemente em minhas entranhas que eu m*l conseguia respirar, quanto mais comer. Eu mexi no prato. Joguei tudo no vaso sanitário. Lavei a louça em silêncio. Eu queria desaparecer da existência. Mas eu não podia. Eu ainda estava aqui. Presa em um corpo sem escapatória, em uma vida que não parecia mais ser minha. Eles ainda nem tinham marcado uma data. Isso deveria ter sido algo bom — mais tempo, mais espaço para planejar, para ter esperança — mas, em vez disso, tornou tudo pior. A antecipação, a espera. A ilusão de liberdade. O Alfa Vander estava “colocando as coisas em ordem”, o que quer que isso significasse. Talvez planejando algum evento público extravagante para mascarar o fato de que a união era uma sentença, não uma celebração. Casamentos forçados não deveriam ser grandiosos. Mas este era. Porque não era sobre amor — era sobre controle. Eu me arrastei de volta para a cama, me encolhi sob o cobertor e tentei respirar além do pânico que subia pela minha garganta. Por favor, eu pensei. Deixe o tempo voar. Deixe-o voar rápido.
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