Durante anos, Helena sustentara uma máscara impecável: a mulher que não vacila, que domina, que controla todos ao redor como peças de xadrez. Agora, diante da caligrafia firme do pai, descobria uma vulnerabilidade que não conseguia mais esconder nem de si mesma. Na manhã seguinte, decidiu ir ao escritório. Não para mexer no cofre ainda, mas para enfrentar algo que há tempos vinha adiando: Estevão. Ele já estava na empresa quando Helena entrou. A atmosfera do lugar parecia diferente desde que os dois se tornaram rivais declarados. Os funcionários andavam em silêncio, atentos a cada movimento, como se testemunhassem uma guerra fria que poderia explodir a qualquer momento. Helena entrou na sala dele sem bater. Não era costume seu esperar permissão — um hábito que ela mesma criara para afir

