Helena sempre soube lidar com o frio. Cresceu em mansões de mármore, onde os corredores gelavam até no verão. O pai dizia que aquilo forjava caráter, que o desconforto ensina disciplina. Mas o frio que ela sentia agora não vinha das paredes, nem da temperatura do ar. Era interno, visceral, um peso que descia do peito até a barriga e congelava tudo. Chamava-se Estevão. Desde que ele assumira a empresa e a mansão, cada gesto dele tinha o poder de paralisar Helena. Não era medo comum, não era sequer ódio. Era algo mais profundo: uma mistura de impotência e ansiedade, como se estivesse sempre à beira de um precipício. Naquela manhã, acordou com essa sensação. O estômago parecia encolhido, como se tivesse engolido gelo. Tentou tomar café, mas a comida não descia. O simples som dos passos de

