Helena não lembrava a última vez em que sonhara de forma tão vívida. Era madrugada quando acordou ofegante, os lençóis grudados ao corpo pelo suor, o coração martelando como se tivesse corrido quilômetros. No sonho, estava novamente na casa do pai. Mas diferente da visita recente, a casa estava viva. As paredes limpas, o jardim impecável, e o cheiro de café recém-passado se espalhava pelo ar. Ela o via — sentado na poltrona, o jornal nas mãos, os óculos escorregando pelo nariz. — Pai... — chamara no sonho, correndo até ele. Ele a olhou com aquele sorriso que só um pai pode dar, aberto, cheio de confiança. — Minha menina, você voltou. Ela caiu de joelhos diante dele, chorando como criança. — Eu estraguei tudo... decepcionei você... O pai pousou a mão sobre a cabeça dela. — Você nunca

