A estrada que levava à casa do pai parecia mais longa do que Helena lembrava. As árvores crescidas, o asfalto gasto e os postes de luz que agora carregavam ferrugem eram sinais do tempo que havia passado sem que ela tivesse coragem de retornar. Sentada no banco do carro, ela mantinha as mãos firmes no volante, embora o coração batesse descompassado. Era como se cada quilômetro percorrido fosse um mergulho mais fundo em águas turvas, onde memórias estavam presas, esperando apenas a sua chegada para despertar. — Não deveria ser tão difícil — murmurou, tentando convencer a si mesma. — É só uma casa. Mas não era. Era o lar onde aprendera a dar os primeiros passos, onde ouvira histórias de coragem antes de dormir, onde o pai lhe ensinara que poder e respeito não eram sinônimos. Um lar onde a

