A noite caiu sobre a cidade como um véu pesado, escondendo segredos que se acumulavam sob o brilho frio das luzes artificiais. Helena encarava seu reflexo no espelho do quarto do hotel, onde ficara hospedada para o evento corporativo da semana. O vestido n***o, justo e sofisticado, moldava suas curvas como uma armadura. A maquiagem impecável escondia as olheiras, o cansaço e, principalmente, as rachaduras em sua confiança. O reflexo a encarava com desdém, como se dissesse: você está perdendo, e não sabe admitir. Helena respirou fundo, alisando os cabelos soltos sobre os ombros. A cada encontro com Estevão, a sensação de estar sendo lida por dentro, decifrada, a consumia. Nenhum charme, nenhuma provocação, nenhum gesto ensaiado parecia surtir efeito. Ele a olhava como se conhecesse todos

