Helena não caminhava: deslizava. Cada passo dela naquela manhã tinha o peso de uma sentença e a leveza de quem sabia exatamente onde queria chegar. O mundo a vira vacilar, a vira ser ignorada por Estevão em público, mas ninguém jamais veria Helena Duarte derrotada. Ao entrar no edifício espelhado de sua empresa, o som dos saltos ecoou como um aviso. Funcionários que antes arriscavam olhares de dúvida agora desviavam o rosto, como se sentissem a força renovada que emanava dela. Helena alimentava-se disso: do medo disfarçado, do respeito imposto, da necessidade de todos se curvarem à sua presença. No elevador, encarou o próprio reflexo na parede metálica. O coque perfeito, o batom vermelho, o olhar duro. A fera estava de volta, e mais perigosa do que nunca. Quando as portas se abriram no

