O quarto estava mergulhado em uma penumbra silenciosa, quebrada apenas pelo som distante da cidade que nunca dormia. As cortinas semiabertas deixavam entrar um fio de luz da rua, suficiente para desenhar sombras nos móveis. Helena entrou devagar, ainda com os passos ecoando das últimas horas, e por um instante pensou que Estevão estaria ali, deitado, esperando-a com aquele olhar frio que a desmontava. Mas a cama estava arrumada demais, intacta. Franziu o cenho, aproximando-se, sentindo o coração acelerar. Algo não estava certo. Havia uma delicadeza artificial na maneira como os travesseiros estavam alinhados, como se alguém tivesse deixado a cama propositalmente preparada para que ela percebesse o detalhe que, de fato, não demorou a notar: um envelope branco, repousando exatamente sobre o

