Helena acordou com o corpo pesado, como se a própria cama tivesse absorvido todas as tensões do dia anterior. Cada músculo estava rígido, cada articulação parecia reclamando de esforços que ela nem ao menos sabia ter feito. O quarto estava silencioso, exceto pelo som distante do vento que arrastava as folhas lá fora, batendo levemente contra a janela. Helena ficou imóvel por alguns segundos, respirando fundo, tentando organizar pensamentos que corriam desordenados. A raiva ainda queimava dentro dela, uma chama que parecia impossível de apagar. Mas, pela primeira vez, percebeu algo: a fúria sozinha não mudava nada. Estevão continuava sentado no trono que ela jurava ser seu. O mundo não havia parado. E, de algum modo c***l, nada do que ela pudesse fazer naquele momento alteraria a posição

