Não Estou à Venda

1221 Words

Helena acordou com a claridade do sol atravessando as cortinas pesadas do quarto que já não era mais seu, mas onde ainda insistia em dormir. Havia uma estranheza em cada gesto do amanhecer, como se até o ar conspirasse para lembrá-la de que não era mais soberana ali. O espelho da penteadeira refletia um rosto cansado, mas ainda altivo, que se recusava a ceder. Arrumou os cabelos com pressa, como quem veste uma armadura. Se Estevão pensava que a veria destruída, teria uma surpresa. Desceu os degraus com a mesma postura que sempre tivera: ereta, elegante, dura. O corredor, porém, parecia zombar dela. Cada quadro, cada móvel, carregava a lembrança de quando todos os passos daquela casa obedeciam ao seu comando. Agora, os criados desviavam o olhar, como se tivessem medo de cumprimentá-la e se

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