Helena sentia o peso do olhar de todos na sala de reuniões antes mesmo de entrar. Os executivos já estavam lá, com expressões de curiosidade e, em alguns casos, de julgamento silencioso. Ela respirou fundo, ajustando a postura, tentando que o semblante frio e imponente que sempre a definira permanecesse intacto. Mas, naquele dia, algo dentro dela já não se sustentava com a mesma firmeza. Ao entrar, notou Estevão de pé, próximo à mesa, os braços cruzados e o olhar fixo nela. Ele não sorriu, não fez gesto algum de cortesia. Apenas a observou com a mesma firmeza que a havia desafiado desde o início, e, por um instante, Helena sentiu-se menor. Menor do que jamais estivera diante de qualquer homem ou situação. — Bom dia a todos — começou ela, a voz firme, tentando soar confiante, embora um nó

