Helena sentiu o chão desaparecer sob seus pés antes mesmo de entrar no escritório. Não literalmente, mas em sensação: o peso de tudo o que havia acontecido nas últimas semanas, as reuniões, as cobranças, o olhar implacável de Estevão, finalmente a atingiam como um tsunami. Ela sempre acreditara que podia controlar tudo, que podia manipular, seduzir, dominar qualquer situação ou homem ao seu redor. Mas agora, cada certeza estava prestes a ser posta à prova. Ao abrir a porta, ela percebeu imediatamente a atmosfera diferente. O escritório, que sempre lhe parecerá um trono de poder, parecia menor, mais austero, quase hostil. Estevão estava lá, de pé, encostado na mesa, olhando-a com uma firmeza que parecia atravessar sua alma. Mas havia algo mais: um silêncio pesado, carregado de expectativa.

