O relógio marcava o início da tarde quando Helena entrou na sala de reuniões. Normalmente, a atmosfera a favorecia: executivos alinhados, documentos organizados, tudo pronto para ela exercer seu comando e manter a aura de CEO impecável. Mas hoje era diferente. O ar estava carregado de tensão, e o olhar de Estevão, como sempre, parecia atravessá-la. Ela se sentou, ajustando o blazer, tentando manter a postura de quem nunca vacila. Mas a sensação de fragilidade, que vinha crescendo nas últimas semanas, tornava-se cada vez mais evidente. Helena não podia admitir, mas uma parte dela tremia diante do inevitável: o julgamento coletivo. — Helena — começou Estevão, a voz firme, sem sequer um traço de simpatia —, antes de qualquer discussão, preciso que compreenda: hoje será diferente. Ela arque

