Ela sempre gostou de cafés caros. Não pelo sabor — nunca foi o tipo de mulher que distinguia o amargor de uma torra especial ou a suavidade de um grão importado —, mas pelo status. Para ela, tomar café era quase um ritual de poder: a xícara pequena pousada em cima de uma mesa de mármore, olhares discretos ao redor reconhecendo quem era a mulher de saltos finos e sorriso altivo. Naquela manhã, porém, nada parecia igual. O mesmo café onde costumava ser recebida com sorrisos e bajulações estava cheio de cochichos, olhares atravessados, quase de deboche. Os garçons não correram para servi-la, não se inclinaram em reverência. Pareciam indiferentes — ou pior, sabiam de algo. Ela ajeitou os óculos escuros e sentou-se à mesa perto da vitrine, tentando manter a postura. Não importava o que tivess

