A sala de reuniões estava lotada. As cadeiras de couro, enfileiradas em torno da mesa imponente de vidro, refletiam a tensão que pairava no ar. Cada rosto, cada olhar, estava suspenso em expectativa — alguns nervosos, outros esperançosos, outros ainda saboreando em silêncio a queda que já se desenhava. A manhã, que deveria ter sido mais uma daquelas em que Helena Duarte entraria com seus saltos firmes e seu sorriso controlado, carregando o peso de quem ditava as regras, tinha um gosto diferente. Algo nela havia mudado desde a última semana. O tom da voz, a segurança nos gestos, a maneira como os olhares já não se abaixavam quando os dela atravessavam a sala. Helena sentou-se à cabeceira, a posição que por anos fora indiscutível. Mas hoje, até a cadeira parecia menos sua. Sua postura ere

