Helena entrou na mansão como quem invade um território que já não lhe pertencia. Os portões se abriram diante dela, mas não pela força do respeito ou da autoridade, e sim pelo peso do passado, como se a casa se resignasse em recebê-la de volta, mesmo contra a vontade. As paredes, impregnadas com cheiro de madeira antiga, guardavam mais lembranças do que ela suportava. O eco de seus saltos contra o mármore frio denunciava sua solidão. A mansão onde crescera, outrora palco de sua ascensão, agora parecia se transformar em prisão. Cada corredor exibia retratos de família: o pai em sua imponência, a mãe em sua elegância contida, ela ainda jovem com um olhar que já se anunciava dominador. A cada quadro, Helena sentia-se atravessada por memórias que não podia controlar. O pai costumava dizer: “

