O vento frio atravessava a antiga mansão, carregando consigo lembranças de dias que Helena havia preferido esquecer. Ela caminhava pelo corredor principal, sentindo cada piso de madeira ranger sob os pés. Cada som parecia ecoar a própria memória: risos, discussões, ordens, traições. Um lugar que fora seu reino agora parecia uma cápsula de passado. No fim do corredor, pendurado na parede do salão, um retrato chamava sua atenção. Era de seu pai, um homem severo, de olhar profundo, que jamais a havia poupado de exigências ou críticas. Helena sempre admirara aquela força, mas também temera a mesma rigidez refletida em si mesma. Agora, diante do retrato, sentiu-se pequena. Um aperto no peito a lembrou de todas as vezes em que tivera que ser maior do que era, mais forte do que se sentia, mais f

