Acordo com o coração acelerado antes mesmo de abrir os olhos. Por um instante, não lembro onde estou. Depois, lembro de tudo ao mesmo tempo. O quarto grande demais. A cama macia demais. O beijo que não deveria ter acontecido.
Abro os olhos e encaro o teto branco, impecável. Levo a mão ao rosto, como se pudesse apagar a lembrança esfregando a pele.
— Calma, Amy — murmuro. — Foi só um beijo. Adultos beijam. Isso acontece.
Mesmo assim, meu estômago revira.
Me levanto devagar, tentando não fazer barulho, como se alguém pudesse ouvir meus pensamentos. Visto a roupa que Charlie separou para mim e respiro fundo antes de sair do quarto. O cheiro de café fresco invade o corredor, quente e convidativo.
Na cozinha, Charlie está sentada à mesa, de pijama, cabelo preso de qualquer jeito, comendo uma torrada e mexendo no celular.
— Bom dia, dorminhoca — ela diz, sem levantar os olhos.
— Bom dia — respondo, tentando soar normal. Normal é a palavra-chave hoje.
— Dormiu bem? — ela pergunta casualmente.
— Dormi — respondo rápido demais. — Quer dizer… sim. Normal.
Ela dá de ombros, totalmente desinteressada, e volta para o celular.
Edgar entra logo depois, já vestido para o dia, postura impecável, como se nada fora do comum tivesse acontecido na noite anterior. Ele apenas inclina a cabeça num cumprimento educado.
— Bom dia, Amy.
— Bom dia, sr… — engasgo. — Edgar.
Ótimo. Já comecei m*l.
Ele apenas sorri de leve, discreto, e vai até a cafeteira. Não há nenhum olhar prolongado, nenhum gesto fora do lugar. Isso me deixa, estranhamente, ainda mais nervosa.
Sentamos à mesa. O café da manhã parece coisa de hotel caro: frutas cortadas com perfeição cirúrgica, pães variados, suco natural, ovos mexidos ainda soltinhos. Tento me concentrar no prato, mas sinto o calor subir pelo rosto sempre que Edgar se aproxima para pegar algo.
— Hoje vou sair cedo — Charlie avisa, bocejando. — Aula chata às oito.
— Eu também — digo. — Prova surpresa.
Mentira. Não há prova nenhuma. Mas preciso parecer ocupada. Inofensiva.
— Boa sorte — Edgar diz, servindo café para nós duas.
Quando ele passa a xícara para mim, nossos dedos se encostam por um segundo. Um segundo mínimo. O suficiente para meu cérebro entrar em pânico.
— Desculpa — digo automaticamente.
— Não tem problema — ele responde, no mesmo tom neutro.
Charlie não percebe nada. Está ocupada demais passando manteiga na torrada.
— Amy, você tá estranha hoje — ela comenta, distraída. — Tá quieta.
— Tô com sono — respondo rápido. — Dormi m*l.
O que, tecnicamente, não é mentira.
Edgar se levanta para pegar o jornal. Vejo seu reflexo no vidro da janela e sinto um aperto estranho no peito. Ontem à noite parece distante demais e próximo demais ao mesmo tempo.
— O motorista chega em quinze minutos — ele informa. — Dá tempo de vocês comerem com calma.
— Ótimo — Charlie responde. — Amy sempre come rápido demais.
Engulo um pedaço grande de pão e quase me engasgo.
— Tô com fome — justifico, bebendo suco rápido demais.
Edgar esconde um sorriso atrás da xícara.
Termino o café com a sensação de estar equilibrando um segredo enorme em cima de um prato de porcelana fina. Qualquer movimento errado, tudo pode cair.
Quando nos levantamos, Edgar apenas diz:
— Tenham um bom dia.
E nada mais.
Nenhuma insinuação. Nenhum gesto fora do lugar.
Só eu, andando para fora da cozinha com a certeza de que aquele beijo mudou tudo… mesmo que ninguém mais perceba.
— Eu não disse que lhe prometi uma surpresa na sobremesa?
— Pensei que seria você.
— Você me deu uma ideia — ele sorri.
O garçom traz uma tigela de morangos frescos, enormes, cobertos por uma generosa camada de chantilly.
— Pensei que, já que você gosta tanto de usar morangos, talvez gostasse de comê-los também.
— É a minha fruta favorita.
— Que tal terminarmos o jantar no meu quarto? — ele pergunta, com malícia nos olhos.
Nem percebo quando já estou em pé.
Ele sorri, entrega-me a tigela de morangos e pega uma garrafa de champanhe com duas taças. Eu o sigo até o elevador, sentindo a tensão entre nós crescer a cada passo. Coloco a tigela no chão, aperto o botão de emergência do elevador e envolvo sua nuca com os dedos.
— Ah, Amy, quero tê-la aqui e agora… — ele geme enquanto beijo seu pescoço e maxilar.
— O que te impede? — sussurro em seu ouvido, e vejo sua pele arrepiar.
— Não trouxe camisinha — ele sorri. — Eu e minha mania de sair sem carteira…
Minhas mãos desfazem lentamente os botões de sua camisa, enquanto minha língua invade sua boca. Passeio com as mãos por suas costas até alcançar o botão da calça. Com dedos trêmulos, solto o botão e, devagar, desço o zíper. Sinto a ereção enorme.
— Amy, por favor, vamos para o quarto! — ele geme enquanto tiro o champanhe e as taças de suas mãos, colocando-os no chão.
— Deixe-me te fazer gemer de verdade agora — sussurro, ajoelhando-me.
Abaixo sua cueca boxer e admiro o m****o grande. Lambo os lábios e o abocanho, chupando, beijando a cabeça, mordendo de leve.
— Amy, não quero que você tenha ânsias, é melhor… — ele geme.
Ignoro. Vou mais fundo até sentir o líquido quente de seu prazer explodir. Tomo até o último gole.
— Ah, meu Deus, Amy… como…? Vamos para o quarto, agora! — ele arruma as calças, fecha o botão, e as portas do elevador se abrem.
Pego um morango da tigela e o como, melando minha boca com chantilly. Ele chupa meu lábio inferior e me pega no colo.
— Vou fazê-la ter um orgasmo duplo, srta. Taylor — ele morde minha orelha enquanto abre a porta com o pé.
Ele a fecha e me coloca no chão.
— Prefere as luzes apagadas?
Olho ao fundo, para as luzes da cidade.
— Sim.
Ele apaga a luz, mas o quarto não fica completamente escuro. Ele me vira de costas e desce o zíper do vestido. Sinto-o se abaixar, beijando minhas costas. Ajoelha-se para tirar meus sapatos, beija minhas panturrilhas e se levanta, deslizando o vestido até me deixar praticamente nua, exceto pela microcalcinha que uso.
Saio do vestido e me viro para ele. Sua camisa já está aberta. Empurro-o contra a parede e encosto meu corpo no dele.
— Você ama me provocar, não é?
— Descobri um dos meus poucos prazeres…
Beijo seu pescoço e me abaixo para tirar seus sapatos e meias. Levanto-me de forma sensual e o arranho de leve enquanto tiro sua camisa. Tiro suas calças, e ambos ficamos seminus.
— Pronto, agora estamos quites — encosto minha boca na dele.
— Claro que não — ele sussurra. — Agora preciso te fazer gozar