Capítulo 5

1150 Words
Acordo com o coração acelerado antes mesmo de abrir os olhos. Por um instante, não lembro onde estou. Depois, lembro de tudo ao mesmo tempo. O quarto grande demais. A cama macia demais. O beijo que não deveria ter acontecido. Abro os olhos e encaro o teto branco, impecável. Levo a mão ao rosto, como se pudesse apagar a lembrança esfregando a pele. — Calma, Amy — murmuro. — Foi só um beijo. Adultos beijam. Isso acontece. Mesmo assim, meu estômago revira. Me levanto devagar, tentando não fazer barulho, como se alguém pudesse ouvir meus pensamentos. Visto a roupa que Charlie separou para mim e respiro fundo antes de sair do quarto. O cheiro de café fresco invade o corredor, quente e convidativo. Na cozinha, Charlie está sentada à mesa, de pijama, cabelo preso de qualquer jeito, comendo uma torrada e mexendo no celular. — Bom dia, dorminhoca — ela diz, sem levantar os olhos. — Bom dia — respondo, tentando soar normal. Normal é a palavra-chave hoje. — Dormiu bem? — ela pergunta casualmente. — Dormi — respondo rápido demais. — Quer dizer… sim. Normal. Ela dá de ombros, totalmente desinteressada, e volta para o celular. Edgar entra logo depois, já vestido para o dia, postura impecável, como se nada fora do comum tivesse acontecido na noite anterior. Ele apenas inclina a cabeça num cumprimento educado. — Bom dia, Amy. — Bom dia, sr… — engasgo. — Edgar. Ótimo. Já comecei m*l. Ele apenas sorri de leve, discreto, e vai até a cafeteira. Não há nenhum olhar prolongado, nenhum gesto fora do lugar. Isso me deixa, estranhamente, ainda mais nervosa. Sentamos à mesa. O café da manhã parece coisa de hotel caro: frutas cortadas com perfeição cirúrgica, pães variados, suco natural, ovos mexidos ainda soltinhos. Tento me concentrar no prato, mas sinto o calor subir pelo rosto sempre que Edgar se aproxima para pegar algo. — Hoje vou sair cedo — Charlie avisa, bocejando. — Aula chata às oito. — Eu também — digo. — Prova surpresa. Mentira. Não há prova nenhuma. Mas preciso parecer ocupada. Inofensiva. — Boa sorte — Edgar diz, servindo café para nós duas. Quando ele passa a xícara para mim, nossos dedos se encostam por um segundo. Um segundo mínimo. O suficiente para meu cérebro entrar em pânico. — Desculpa — digo automaticamente. — Não tem problema — ele responde, no mesmo tom neutro. Charlie não percebe nada. Está ocupada demais passando manteiga na torrada. — Amy, você tá estranha hoje — ela comenta, distraída. — Tá quieta. — Tô com sono — respondo rápido. — Dormi m*l. O que, tecnicamente, não é mentira. Edgar se levanta para pegar o jornal. Vejo seu reflexo no vidro da janela e sinto um aperto estranho no peito. Ontem à noite parece distante demais e próximo demais ao mesmo tempo. — O motorista chega em quinze minutos — ele informa. — Dá tempo de vocês comerem com calma. — Ótimo — Charlie responde. — Amy sempre come rápido demais. Engulo um pedaço grande de pão e quase me engasgo. — Tô com fome — justifico, bebendo suco rápido demais. Edgar esconde um sorriso atrás da xícara. Termino o café com a sensação de estar equilibrando um segredo enorme em cima de um prato de porcelana fina. Qualquer movimento errado, tudo pode cair. Quando nos levantamos, Edgar apenas diz: — Tenham um bom dia. E nada mais. Nenhuma insinuação. Nenhum gesto fora do lugar. Só eu, andando para fora da cozinha com a certeza de que aquele beijo mudou tudo… mesmo que ninguém mais perceba. — Eu não disse que lhe prometi uma surpresa na sobremesa? — Pensei que seria você. — Você me deu uma ideia — ele sorri. O garçom traz uma tigela de morangos frescos, enormes, cobertos por uma generosa camada de chantilly. — Pensei que, já que você gosta tanto de usar morangos, talvez gostasse de comê-los também. — É a minha fruta favorita. — Que tal terminarmos o jantar no meu quarto? — ele pergunta, com malícia nos olhos. Nem percebo quando já estou em pé. Ele sorri, entrega-me a tigela de morangos e pega uma garrafa de champanhe com duas taças. Eu o sigo até o elevador, sentindo a tensão entre nós crescer a cada passo. Coloco a tigela no chão, aperto o botão de emergência do elevador e envolvo sua nuca com os dedos. — Ah, Amy, quero tê-la aqui e agora… — ele geme enquanto beijo seu pescoço e maxilar. — O que te impede? — sussurro em seu ouvido, e vejo sua pele arrepiar. — Não trouxe camisinha — ele sorri. — Eu e minha mania de sair sem carteira… Minhas mãos desfazem lentamente os botões de sua camisa, enquanto minha língua invade sua boca. Passeio com as mãos por suas costas até alcançar o botão da calça. Com dedos trêmulos, solto o botão e, devagar, desço o zíper. Sinto a ereção enorme. — Amy, por favor, vamos para o quarto! — ele geme enquanto tiro o champanhe e as taças de suas mãos, colocando-os no chão. — Deixe-me te fazer gemer de verdade agora — sussurro, ajoelhando-me. Abaixo sua cueca boxer e admiro o m****o grande. Lambo os lábios e o abocanho, chupando, beijando a cabeça, mordendo de leve. — Amy, não quero que você tenha ânsias, é melhor… — ele geme. Ignoro. Vou mais fundo até sentir o líquido quente de seu prazer explodir. Tomo até o último gole. — Ah, meu Deus, Amy… como…? Vamos para o quarto, agora! — ele arruma as calças, fecha o botão, e as portas do elevador se abrem. Pego um morango da tigela e o como, melando minha boca com chantilly. Ele chupa meu lábio inferior e me pega no colo. — Vou fazê-la ter um orgasmo duplo, srta. Taylor — ele morde minha orelha enquanto abre a porta com o pé. Ele a fecha e me coloca no chão. — Prefere as luzes apagadas? Olho ao fundo, para as luzes da cidade. — Sim. Ele apaga a luz, mas o quarto não fica completamente escuro. Ele me vira de costas e desce o zíper do vestido. Sinto-o se abaixar, beijando minhas costas. Ajoelha-se para tirar meus sapatos, beija minhas panturrilhas e se levanta, deslizando o vestido até me deixar praticamente nua, exceto pela microcalcinha que uso. Saio do vestido e me viro para ele. Sua camisa já está aberta. Empurro-o contra a parede e encosto meu corpo no dele. — Você ama me provocar, não é? — Descobri um dos meus poucos prazeres… Beijo seu pescoço e me abaixo para tirar seus sapatos e meias. Levanto-me de forma sensual e o arranho de leve enquanto tiro sua camisa. Tiro suas calças, e ambos ficamos seminus. — Pronto, agora estamos quites — encosto minha boca na dele. — Claro que não — ele sussurra. — Agora preciso te fazer gozar
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