Capítulo 15

1180 Words
Mira caminhou pelo salão assim que o desfile foi finalizado, seus olhos buscavam por Andrea, olhou para o local onde Irv e Bright encontravam-se e não a viu. Não havia visto nenhum sinal da morena desde que havia entrado no segundo salão, olhou para Nigel conversando distraído com algumas pessoas e Emily ao seu lado, algo não estava certo, ela não sabia o que, mas definitivamente não estava. Nigel aproximando-se da editora, que parecia completamente distraída em seus pensamentos. — Tudo bem? — Você viu a Andrea? — Perguntou sem delongas. — Não, a última vez que eu há vi foi quando ela chegou e veio nos cumprimentar, aconteceu algo? — Eu não faço ideia. — Irei perguntar a Bright, não demoro — Disse saindo, Mira o observou caminhar entre as pessoas aproximando-se cada segundo mais de onde Irv estava. — Mira — Uma voz conhecida adentrou seus ouvidos fazendo-a virar. — Nicol — Disse sorrindo para a mulher de cabelos curtos e negros. — Que prazer revê-la. — Digo o mesmo, não sabia que você estaria aqui — Disse ao cumprimenta-la com dois beijos — Você sumiu nos últimos meses. — Estava em uma gestação complicada, pensei em te ligar, mas não sabia como estava sua agenda e sua vida, sempre foi uma loucura. — Sim, completamente, mas como está? — Muito bem, ser mãe é simplesmente maravilhoso, como estão Cassidy e Caroline? — Muito bem e enormes — Disse sorrindo — Sinto falta de quando eram apenas um bebê — Nicol riu, sempre soube a mãe babona que a amiga era. A amizade das duas era composta por meses e até anos sem se verem e a sensação de que nunca haviam afastando, cresceram juntas e mesmo se falando pouco sabiam que uma sempre estaria ali para a outra. — Estarei chegando em Nova York próxima semana, estarei assumindo a empresa de lá. — Isso é maravilhoso, Nicol — Disse animada — E o Jeff? — Está animado tanto com a pequena Liz quanto com a nova casa, estávamos precisando dessa mudança e irei querer saber e tudo quando chegar lá. — Contarei, podemos marcar um jantar em minha casa, temos muito o que conversar. — Temos sim — Disse sorrindo. — Nicol. — Nigel, querido — Disse cumprimentando-o — Você está muito bem, está com cara de quem está apaixonado, quem é ele? — Amigo da Andy. — Andy? — Quem é essa? — Minha antiga assistente. — Oh, você nunca para com apenas uma assistente, não é mesmo, acho que a única que durou foi por mais tempo foi aquela ruiva, como é mesmo o nome dela? Eu só a vi duas vezes. — Emily — Nigel respondeu. — Emily ainda trabalha comigo. — A única que te aguentou — Mira revirou os olhos. — Jeff também te suporta a um bom tempo. — É amor, não podemos dizer que sua assistente sente o mesmo. — É amor ao emprego — Mira disse fazendo Nicol rir. — Eu falo com você novamente em um instante, Mira, irei conversar com Bright Northwest — Mira revirou os olhos — Que foi? — Não entendo o amor de vocês por essa mulher. — Bright é um amor, Mira. — Até demais — Disse e revirou os olhos novamente. — Você é impossível — Disse rindo, cumprimentou os dois e saiu, Mira olhou para Nigel. — E então? — Ela foi embora. — Como embora? — Se despediu na metade do desfile e saiu do salão. — Para o hotel? — Provavelmente, Bright não disse para onde. — Ela ajudou muito — Disse irritada e preparando-se pra sair. — Aonde pensa que vai? — Procurar a Andrea. — A seis deve ter ido pra algum lugar, não creio que sairia daqui para ir ao hotel e você não pode sair agora, a conversa de vocês pode esperar para mais tarde — Mira revirou os olhos e pegou uma taça com o garçom que passou. .§. O elevador pareceu nem mesmo sair do lugar, o corredor ainda maior e a porta do quarto de Andrea parecia impossível de alcançar. Assim que pode suspirar de alívio por ter chego, surpreendeu-se ao ver a porta do quarto se abrir e a camareira de alguns dias atrás sair emburrando o carrinho. — Boa noite senhora — Disse com o sotaque francês. — O que fazia ai? — Perguntou ignorando completamente o boa noite da mulher de olhos claros. — Oh, eu vim limpar o quarto. — A essa hora? — A mulher afirmou — Onde está a hóspede que estava aí? — A senhorita foi embora a algumas horas. — Embora? — Perguntou mais para acreditar no que ouvia do que para a mulher de olhos claros. Ela havia feito por merecer, Andrea, não fez? Ou algo havia mudado? Será que Andrea havia percebido que não havia o por quê de insistir em alguém como ela? Ela fez por merecer, ao seu modo, mas fez, sabia disso, havia demonstrado isso no beijo que deram mais cedo. Seguiu para o quarto com os pensamentos conturbados, não sabia se havia outra explicação e se havia, qual seria? Andrea provavelmente ligaria para explicar o motivo, então esperaria. E ela esperou, por muito tempo, por horas, já começava a perguntar se realmente havia feito por merecer, encarou o relógio na cabeceira da cama e viu que haviam se passado tempo demais. O celular na mão direita, já parecia parte de seu corpo, tentou conversar com as filhas para distrair a mente, mas essas não demoraram a pegarem no sono depois de contar fatos sobre os dias que a mãe não pode liga. Virou de barriga para cima e encarou o teto, encarou por tempo demais, sono não havia em si, apenas pensamentos turbulentos e suspiros doloridos, sua mente lhe torturava, seu coração parecia errar a batida vez ou outra, seu ar por mais tranquilo que parecesse, saia com dificuldade. O vibrar do celular lhe fez assustar-se e seu corpo tremer em êxtase do esperando, acalmando-se ao ver que não se passava de uma mensagem de Nigel. "Alguma notícia?" Pensou em simplesmente ignorar, não queria demonstrar fraqueza e muito menos que era vulnerável a morena, não queria começar a desabafar com alguém, muito menos com Nigel, por mais que a espera fosse dolorosa, não queria conversar com ninguém, apenas encontrar o erro entre aquele silêncio todo e foi isso que fez, ignorou. Assim como ignorou Nigel, Andrea lhe ignorou, pensou em ligar, em pedir uma explicação, mas não podia, não tinham absolutamente nada entre elas, o que ela cobraria? Os beijos calorosos que haviam trocado mais cedo? Ou o desejo que ficou em seu corpo? Havia também a necessidade de ter a morena em seus braços mesmo que em silêncio, mesmo que paradas, até mesmo com os olhos fechados. Mas necessitava tê-la ali, sentindo seu coração bater e sua respiração tranquila, céus, como queria passar horas abraçada naquele corpo alvo, queria que Paris jamais houvesse acabado, mas parecia que isso havia acontecido antes mesmo de haver começado.
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