Mira caminhou pelo salão assim que o desfile foi finalizado, seus olhos buscavam por Andrea, olhou para o local onde Irv e Bright encontravam-se e não a viu.
Não havia visto nenhum sinal da morena desde que havia entrado no segundo salão, olhou para Nigel conversando distraído com algumas pessoas e Emily ao seu lado, algo não estava certo, ela não sabia o que, mas definitivamente não estava.
Nigel aproximando-se da editora, que parecia completamente distraída em seus pensamentos.
— Tudo bem?
— Você viu a Andrea? — Perguntou sem delongas.
— Não, a última vez que eu há vi foi quando ela chegou e veio nos cumprimentar, aconteceu algo?
— Eu não faço ideia.
— Irei perguntar a Bright, não demoro — Disse saindo, Mira o observou caminhar entre as pessoas aproximando-se cada segundo mais de onde Irv estava.
— Mira — Uma voz conhecida adentrou seus ouvidos fazendo-a virar.
— Nicol — Disse sorrindo para a mulher de cabelos curtos e negros.
— Que prazer revê-la.
— Digo o mesmo, não sabia que você estaria aqui — Disse ao cumprimenta-la com dois beijos — Você sumiu nos últimos meses.
— Estava em uma gestação complicada, pensei em te ligar, mas não sabia como estava sua agenda e sua vida, sempre foi uma loucura.
— Sim, completamente, mas como está?
— Muito bem, ser mãe é simplesmente maravilhoso, como estão Cassidy e Caroline?
— Muito bem e enormes — Disse sorrindo — Sinto falta de quando eram apenas um bebê — Nicol riu, sempre soube a mãe babona que a amiga era.
A amizade das duas era composta por meses e até anos sem se verem e a sensação de que nunca haviam afastando, cresceram juntas e mesmo se falando pouco sabiam que uma sempre estaria ali para a outra.
— Estarei chegando em Nova York próxima semana, estarei assumindo a empresa de lá.
— Isso é maravilhoso, Nicol — Disse animada — E o Jeff?
— Está animado tanto com a pequena Liz quanto com a nova casa, estávamos precisando dessa mudança e irei querer saber e tudo quando chegar lá.
— Contarei, podemos marcar um jantar em minha casa, temos muito o que conversar.
— Temos sim — Disse sorrindo.
— Nicol.
— Nigel, querido — Disse cumprimentando-o — Você está muito bem, está com cara de quem está apaixonado, quem é ele?
— Amigo da Andy.
— Andy?
— Quem é essa?
— Minha antiga assistente.
— Oh, você nunca para com apenas uma assistente, não é mesmo, acho que a única que durou foi por mais tempo foi aquela ruiva, como é mesmo o nome dela? Eu só a vi duas vezes.
— Emily — Nigel respondeu.
— Emily ainda trabalha comigo.
— A única que te aguentou — Mira revirou os olhos.
— Jeff também te suporta a um bom tempo.
— É amor, não podemos dizer que sua assistente sente o mesmo.
— É amor ao emprego — Mira disse fazendo Nicol rir.
— Eu falo com você novamente em um instante, Mira, irei conversar com Bright Northwest — Mira revirou os olhos — Que foi?
— Não entendo o amor de vocês por essa mulher.
— Bright é um amor, Mira.
— Até demais — Disse e revirou os olhos novamente.
— Você é impossível — Disse rindo, cumprimentou os dois e saiu, Mira olhou para Nigel.
— E então?
— Ela foi embora.
— Como embora?
— Se despediu na metade do desfile e saiu do salão.
— Para o hotel?
— Provavelmente, Bright não disse para onde.
— Ela ajudou muito — Disse irritada e preparando-se pra sair.
— Aonde pensa que vai?
— Procurar a Andrea.
— A seis deve ter ido pra algum lugar, não creio que sairia daqui para ir ao hotel e você não pode sair agora, a conversa de vocês pode esperar para mais tarde — Mira revirou os olhos e pegou uma taça com o garçom que passou.
.§.
O elevador pareceu nem mesmo sair do lugar, o corredor ainda maior e a porta do quarto de Andrea parecia impossível de alcançar.
Assim que pode suspirar de alívio por ter chego, surpreendeu-se ao ver a porta do quarto se abrir e a camareira de alguns dias atrás sair emburrando o carrinho.
— Boa noite senhora — Disse com o sotaque francês.
— O que fazia ai? — Perguntou ignorando completamente o boa noite da mulher de olhos claros.
— Oh, eu vim limpar o quarto.
— A essa hora? — A mulher afirmou — Onde está a hóspede que estava aí?
— A senhorita foi embora a algumas horas.
— Embora? — Perguntou mais para acreditar no que ouvia do que para a mulher de olhos claros.
Ela havia feito por merecer, Andrea, não fez? Ou algo havia mudado? Será que Andrea havia percebido que não havia o por quê de insistir em alguém como ela? Ela fez por merecer, ao seu modo, mas fez, sabia disso, havia demonstrado isso no beijo que deram mais cedo.
Seguiu para o quarto com os pensamentos conturbados, não sabia se havia outra explicação e se havia, qual seria? Andrea provavelmente ligaria para explicar o motivo, então esperaria.
E ela esperou, por muito tempo, por horas, já começava a perguntar se realmente havia feito por merecer, encarou o relógio na cabeceira da cama e viu que haviam se passado tempo demais.
O celular na mão direita, já parecia parte de seu corpo, tentou conversar com as filhas para distrair a mente, mas essas não demoraram a pegarem no sono depois de contar fatos sobre os dias que a mãe não pode liga.
Virou de barriga para cima e encarou o teto, encarou por tempo demais, sono não havia em si, apenas pensamentos turbulentos e suspiros doloridos, sua mente lhe torturava, seu coração parecia errar a batida vez ou outra, seu ar por mais tranquilo que parecesse, saia com dificuldade.
O vibrar do celular lhe fez assustar-se e seu corpo tremer em êxtase do esperando, acalmando-se ao ver que não se passava de uma mensagem de Nigel.
"Alguma notícia?"
Pensou em simplesmente ignorar, não queria demonstrar fraqueza e muito menos que era vulnerável a morena, não queria começar a desabafar com alguém, muito menos com Nigel, por mais que a espera fosse dolorosa, não queria conversar com ninguém, apenas encontrar o erro entre aquele silêncio todo e foi isso que fez, ignorou.
Assim como ignorou Nigel, Andrea lhe ignorou, pensou em ligar, em pedir uma explicação, mas não podia, não tinham absolutamente nada entre elas, o que ela cobraria? Os beijos calorosos que haviam trocado mais cedo? Ou o desejo que ficou em seu corpo? Havia também a necessidade de ter a morena em seus braços mesmo que em silêncio, mesmo que paradas, até mesmo com os olhos fechados.
Mas necessitava tê-la ali, sentindo seu coração bater e sua respiração tranquila, céus, como queria passar horas abraçada naquele corpo alvo, queria que Paris jamais houvesse acabado, mas parecia que isso havia acontecido antes mesmo de haver começado.