Mira caminhou até onde Stephen estava.
— Eu comprei um apartamento pra mim.
— E quando iria me contar?
— Hoje... O comprei enquanto estava fora da cidade, hoje mesmo irei para lá — Mira afirmou com um aceno de cabeça — Onde está sua assistente?
— Emily está ali próxima a Nigel.
— Me refiro a outra Emily.
— Foi embora, por que o interesse?
— Nada — Mira o olhou desconfiada — O interesse não é pra mim, mas sim pra você.
— Outra vez esse assunto.
— Pode negar pra mim, mas não para você e mesmo você negando, eu sei que ela lhe interessa — Mira revirou os olhos.
A conversa foi impedida de continuar, pois algumas pessoas aproximaram-se começando um assunto de negócios.
.§.
Andrea assim que chegou em casa aquela noite tratou de tomar um banho e colocar uma roupa confortável, começou a desempacotar as coisas e coloca-las em seus devidos lugares, quando deu por si, já havia terminado, sorriu satisfeita, pegou uma garrafa de cerveja que havia em sua geladeira e sentou-se em frente a grande janela.
Havia deixado várias almofadas no local para poder ter essas pequenos momentos de descanso.
Assim que o sono lhe alcançou, ela jogou a garrafa no lixo, seguiu para o banheiro e após um tempo saiu já com seu pijama e deitou-se.
O domingo seguiu agradável tanto para Andrea que passou um tempo a mais com os amigos curtindo a casa nova, quanto para Mira que aproveitou as filhas ao máximo.
A segunda durante a manhã começou mais tranquila na Runway, Andrea terminou de arrumar a sala da editora-chefe deixando tudo em perfeita ordem e voltou para sua mesa.
— Mira chega em cinco minutos — Emily disse saindo de sua mesa e agitando os outros colegas de trabalho que começaram a correr de um lado para o outro.
Andrea riu negando com a cabeça continuando o seu trabalho, em poucos minutos escutou passos aproximando-se, Mira jogou as coisas sobre sua mesa e entrou em sua sala, Andrea levantou-se pegando a bolsa e o casaco colocando-os em seus devidos lugares e logo voltou ao que fazia.
Durante uma parte da manhã pessoas entraram e saíram da sala da editora-chefe, em outra ela mesma ia a cada setor, Emily havia saído para almoçar e Mira estava trancada em sua sala, quando o telefone começou a tocar, Andrea respirou fundo pegando-o sem desviar a atenção do computador.
— Escritório de Mira Priestly.
— Olá minha querida.
— Irv?
— Isso mesmo, gostaria de chama-la para um tardio almoço, gostaria de agradecer por sábado a noite e... Pedir algumas dicas — Andrea sorriu.
— Seria um prazer.
— Que horas você sairá para almoçar?
— Em... — Olhou para as horas — Meia hora.
— Estarei esperando-a no térreo.
— Tudo bem.
— Até daqui a pouco.
— Até — Disse ainda sorrindo, colocou o telefone no lugar.
— Que bom que tem tempo para suas ligações amorosas, Andrea — A morena a olhou assustada — Vejo que tem pouco trabalho.
— Não era amo...
— Não me importa, vá buscar os croquis, isso é tudo — Disse séria e entrou na sala, Andrea respirou fundo e fechou os olhos, levantou-se indo buscar os croquis e logo voltou.
— Aqui estão.
— Deixe-os aí — Disse sem olha-la e continuou a digitar em seu notebook — Irei quer o livro às nove, você o levara até minha casa, espero que não se atrase, ódio jantar muito tarde.
— Perdão? — Mira levantou o olhar e apoiou os braços na mesa.
— Minhas filhas querem você como visita para o jantar, não irei recusar, mas não irei convida-la outra vez, então não se atrase, Andrea, se tiver um compromisso que seja mais importante do que o convite, fique a vontade para recursar.
— Claro... Que dizer não.
— Não pode desmarcar o seu compromisso?
— Não, bom, sim... Eu... Eu não tenho compromisso, na verdade tenho sim, mas seria com o meu sofá e um programa de televisão qualquer — Disse atrapalhada — O fato é... — Limpou a garganta — Eu adoraria jantar com vocês.
— Não se atrase — Disse voltando a encarar a tela do notebook, Andrea afirmou com um aceno de cabeça e saiu da sala, Mira a olhou sorrindo de canto.
.§.
Andrea saiu do elevador e observou Irv mais a frente, aproximou-se do homem que a olhou sorrindo e lhe beijou o dorso da mão.
— Você está encantadora, minha querida.
— Obrigada... Me perdoe pela demora, Mira me mandou fazer algumas coisas e o tempo acabou passando.
— Não se preocupe, conheço bem, Mira, vamos?
— Sim — Os dois seguiram para o carro do homem e entraram — Conte-me como foi sua dança com Bright.
— Foi espetacular, ela é uma mulher encantadora, passamos horas conversando.
— Fico feliz por isso, Irv — Disse sorrindo, em poucos minutos o carro parou frente ao restaurante.
Entraram e fizeram os pedidos, Andrea o olhou curiosa esperando-o continuar a conversa.
— Depois da nossa dança, eu não a vi mais na festa.
— Sim, eu... Resolvi ir embora mais cedo.
— Algo lhe aconteceu?
— Não, não, eu apenas precisava por minha cabeça no lugar, muitas coisas aconteceram nessa últimos dias, o término do meu relacionamento, minha mudança, a loucura que é a Runway, juntando tudo, tornou-se algo cansativo e confuso.
— Espero que já esteja bem.
— Estou sim, mas me conte sobre o que queria minha ajuda.
— Claro — Disse sorrindo — Estou pensando em convidar Bright para um jantar essa noite, mas não sei como faze-lo, não costumo convidar uma mulher para jantar.
— Mande flores — Disse e bebeu um pouco do vinho — Com um cartão.
— Quais me sugere?
— Lírios... Amarelo.
— Mandarei — Disse sorrindo largo, Andrea retribuiu o sorriso — A quanto tempo está na Runway?
— Cinco meses — Disse circulando a boca da taça com o indicador — Tempo o suficiente para ver meu relacionamento ruir e perceber que sempre vivi uma mentira.
— Ele não era um bom rapaz?
— No início... Depois eu não me permitir ver o que estava em minha frente e ele se tornou algo, ou melhor, alguém que se eu tivesse notado antes, não teria perdido muito tempo.
— Se ele foi esse tipo de pessoa, ele não a merecia.
— Sim, hoje eu sei disso — Disse sorrindo pequeno e abaixou o olhar — Uma pessoa me disse isso também.
— Essa pessoa é sábia e com certeza sente algo por você — Andrea engasgou — Está tudo bem?
— Sim, perdão, eu só... Não quero pensar muito nesse possibilidade.
— Por que não?
— Eu não sei... Talvez esteja magoada demais para pensar que alguém quer realmente cuidar de mim — Irv sorriu.
— Se essa pessoa te fizer perder o rumo conseguindo te fazer errar a batida do coração, pode ter certeza de que ela vai fazer por merecer.
— E isso assusta — Irv riu e o garçom os serviu.