• Eric •
O meu discurso foi encorajador, é claro, mas sem perder a oportunidade de alfinetar Quatro e sua equipe perdedora. Foi ótimo ganhar e melhor ainda quando aceitei que a forma certa de vencer, seria aceitando o plano de Ezra, Maria e Jessie. Eles três foram cruciais para a minha vitória.
Nossa vitória.
Um pouco mais afastado, eu observo Maria se divertindo com os amigos. Com a excessão de Drew, todos se juntam a ela. Mesmo Ali e Edward, que não estavam no nosso time. Parece que, pra eles, não importa que perderam. Só querem se distrair com a amiga.
Eu fico em silêncio, apenas observando e tomando algumas garrafas de cerveja enquanto Joanne dança e, vez ou outra, mexe comigo.
— Você já se divertiu melhor, velho amigo. — Alice diz em meu ouvido, por conta do som alto. Acabo rindo
— Estou cansado.
— Eric cansado após uma vitória? — ela franze o cenho me encarando — Há quanto tempo você não ganhava um caça-bandeiras mesmo?
— Perdi o de Tris, ganhei dois e perdi os últimos dois. — dou de ombros
— Acho que a Hippie é seu amuleto da sorte agora. — ela diz após um gole em sua cerveja — Tá até ficando mais sociável.
— Ok, já entendi. — reviro os olhos — Vou dar uma volta, ok?
— Contanto que não me mande mais nenhum machucado, ok. — ela diz e tenho certeza de que se refere a Maria
Percebo que Maria se afasta sorrateiramente dos amigos e toma o caminho pelo corredor. Vou atrás dela sem pensar muito e, antes que ela vire para o corredor do dormitório, eu a chamo por seu nome. Ela para e se vira, ficando surpresa ao me ver. Parece um pouco receosa também.
— Tá me perseguindo? — franze o cenho
— Está indo dormir?
— Sim. — responde — Comemorar é bom, mas eu ainda sinto dores em meus membros e no meu nariz.
— Eu gostaria de te mostrar uma coisa.
— Que coisa?
— É rápido, ok? Apenas venha.
Ela parece hesitar e, por um momento, chego a pensar que vai negar e sair correndo.
Hesitante, ela começa a caminhar na minha direção e, quando está próxima de mim, eu guio o caminho pelos corredores m*l iluminados. São tantos anos na Audácia que eu já aprendi a enxergar perfeitamente bem por aqui.
Não demora muito até chegarmos na sala de treinamento. Há diversos sacos de pancada pendurados, o tatame onde eu a levei a nocaute.
— Por favor, me diga que não vai me levar pro ringue de novo. — ela murmura baixinho, mas consigo ouvir
— Não. — me aproximo do quadro de pontuação
— Então o que quer me mostrar?
— Isso. — viro o quadro, mostrando as pontuações ali
Com o jogo de hoje, os pontos foram alterados. Ezra, que estava em segundo, agora está em primeiro lugar. Maria, que estava em quinto, após os pontos extras da luta comigo e os pontos principais por ter capturado a bandeira, agora estava em segundo lugar. Em terceiro, o nome de Drew aparecia.
Maria analisa o quadro e arregala os olhos ao ver seu nome em segundo. Ela sorri, parece orgulhosa de si mesma, mas seu sorriso ameniza quando vê o nome de um de seus amigos, Edward, em um dos últimos.
— Preciso ajudar o Ed. — ela resmunga sozinha, como se pensasse alto
— A iniciação é individual, Maria. — a lembro — E, além do mais, somente um milagre tiraria Edward dos últimos. Ele está com o ombro machucado, lembra?
— Como me esquecer? — ela me olha irônica — Fui eu quem o esfaqueou.
— Aquilo foi um acidente do jogo.
— Não, aquilo foi você provando que pode ser um líder bem babaca e perverso.
Rosno e dou um passo à frente, fazendo com que ela se assuste e recue um passo, batendo as costas no quadro.
— Cuidado. — a alerto em voz baixa
Ela pigarreia e pisca, tentando voltar ao normal. Já não há uma distância muito espaçosa entre nós. Se eu esticar o braço, consigo puxá-la contra mim.
— Sabe por quê fiz você lutar comigo? — pergunto
— Porque eu te rejeitei. — ela ofega baixinho — E pela mordida.
— É. — sorrio sombrio, sentindo o corte em meu lábio se repuxar — A mordida foi um bom motivo, mas não foi o único.
— Sinceramente? — ela me olha — Não consigo pensar em nenhum outro motivo.
— Por que me mordeu? — pergunto
— Por que me beijou? — retruca
Sorrio.
Ela nem mesmo percebe o que faz.
— Eu te fiz lutar comigo porque queria te passar uma lição. Não pode sair por aí me desafiando.
— Quando foi que eu te desafiei? — ela me olha confusa
— Você nem percebe. — respiro fundo — Você me surpreendeu, Maria.
— Não, você me subestimou. É diferente.
— Sempre uma resposta. — murmuro e dou mais um passo em sua direção, diminuindo o espaço — Não pode fazer isso, Maria. — passo os dedos numa carícia em seu rosto
— O quê? — ela olha minha boca e depois meus olhos
— Me enlouquecer desse jeito. — me aproximo mais, a deixando presa entre o quadro e eu
— Eric, eu... — ofega
— Eu só quero beijar você de novo. — seguro seu rosto com as duas mãos — E não vou parar, mesmo que me morda.
Dito isso, eu junto nossos lábios com brutalidade e mordo levemente seu lábio inferior. Maria apóia as mãos em meu braço e, um pouco desorientada, procura minha boca com a sua. Invado sua boca com minha língua e ela não me desaponta, me recebe com a mesma gana, o mesmo calor, talvez até a mesma angústia que eu.
Solto seu rosto e desço as mãos pelas laterais de seu corpo, logo chegando em seus quadris e os segurando firme, mantendo-a parada e grudada em mim. Seus braços vão para os meu ombros e serpenteiam meu pescoço, suas mãos e unhas fazendo uma carícia gostosa na minha nuca.
Sinto minha calça jeans preta se apertar e me pressiono nela, a fazendo gemer baixinho. Descolo nossas bocas por falta de ar e mordisco seu maxilar, sentindo-a me apertar. Desço mais as mãos, agarro suas coxas e as puxo pra cima, tirando-a do chão e a colocando em meu colo. Com uma mão, a amparo, com a outra, agarro os cabelos em sua nuca. Dou alguns passos até a mesa onde Tris costuma ficar para contar os pontos e a sento em cima dela, ouvindo o metal ranger. Afasto seu rosto do meu a puxando pelos cabelos de sua nuca e encaro seu rosto. Ela parece entorpecida, os lábios inchados e entreabertos procurando por ar. Maria ainda tenta aproximar de novo o rosto do meu, mas eu a impeça, fazendo com que ela abra os olhos e me encare.
Ela é muito excitante.
Merda!
A beijo de novo e, com uma das mãos, subo um pouco sua saia, apertando sua coxa. Ela me aperta mais entre suas pernas, o que faz com que minha ereção se esfregue em sua i********e, onde o pano da saia não pode protegê-la. Gememos juntos, interrompendo o beijo. Seu hálito cheira a suco, sua língua tem esse mesmo gosto. É uma combinação perfeita, quase não sinto mais o gosto da cerveja em minha própria língua.
A pego no colo de novo e a caminho até o ringue, a deitando no mesmo. Nesta posição, pelo tablado ser da altura da minha cintura, fico muito bem encaixado nela. Olhar para ela assim, com os cabelos espalhados e cheia de luxúria no olhar faz com que eu fique ainda mais duro.
Quando penso em investir mais pesado, lembro-me de algo.
As câmeras!
Há uma grande possibilidade de não haver ninguém na Sala de Controle agora, por conta da festa, mas a Erudição ainda pode nos ver de longe.
Respiro fundo, frustrado e com raiva.
A beijo de novo, tentando afogar esses sentimentos.
— Vamos pro meu apartamento. — rosno contra seus lábios e com os olhos abertos
— Eric. — ela abre os olhos e segura meus ombros — Isso não é certo.
— Aqui é a Audácia, baby. — prendo seu lábio inferior com os dentes — Nós escolhemos o que é certo. — sorrio ainda segurando seu lábio
Chupo seu lábio pra dentro da minha boca com força, até que ela gema contra minha boca e feche os olhos.
— Eu nunca... — ela me olha — Não sei se quero fazer isso, Eric.
— Só vamos nos divertir, ok? Depois vemos o que queremos.
Hesitante, ela faz um gesto concordando e então, relutante, eu me afasto, erguendo o corpo e a fazendo se erguer também. A coloco de pé, no chão, e seguro sua mão, caminhando junto com ela.
Passamos pelos corredores em total silêncio, mas ela não deixa de apertar a minha mão. Um pouco longe, quando passamos pelo corredor do dormitório, ouvimos passos. Eu me abaixo em sua frente, a jogo em meus ombros e me escondo em um beco.
Vejo Drew passar sem camisa, enrolando as mãos com bandagens. Deve estar indo para a Sala de Treinamento pra esfriar a cabeça. Mesmo com a pouca luz, consigo ver que seu rosto está inchado pelo nosso combate. Sorrio sombrio e volto a andar em direção a Torre da Liderança, onde meu apartamento fica.
— Me põe no chão, Eric. — ouço Maria protestar quando entro no elevador
— Ora, por que? — pergunto zombeteiro — Está tão divertido.
— Eric, eu estou de saia. — ela põe uma das mãos para trás e alcança um lado de sua b***a, tentando manter a saia o mínimo decente possível
— Estou adorando ter seu traseiro na minha cara. — digo e desfiro um tapa no mesmo
— Ai!
O elevador se abre e eu passo pelo corredor, logo indo até o meu apartamento. Digito minha senha, coloco meu dedo no leitor de digital e a porta se abre para mim.
Para nós.
Carregar Maria até meu apartamento foi um instinto primitivo e impensado. Eu apenas segui o instinto da coisa. Ela precisa ser domada. Eu preciso domá-la. Ensiná-la. Tê-la.
Em momento algum alguém resistiu às minhas provocações como ela. Ela é um mistério. Às vezes me olha com o medo evidente no olhar, outras vezes me encara como se não houvesse nada a temer.
Quero mostrar à ela que ela tem que me temer. Que eu tenho poder sobre ela.
Assim que entro no lugar que chamo de lar, bato a porta e a tranco com minha digital. A coloco no chão e, por um momento, ela parece tonta. Após a vertigem passar, ela avalia o local com os olhos, como um bicho acuado. Deve estar pensando nas possibilidades de fugir. Não há possibilidades.
Meu apartamento é simples. Um cômodo bem grande com um armário embutido na parede, portas de ferro e uma leve bagunça. Na frente da parede de vidro escuro, há minha cama. Grande, bem espaçosa e bagunçada com lençóis e edredom preto. Ao lado, a porta que dá para a sacada.
— Por que me trouxe aqui? — a voz dela soa um pouco mais estável
— Eu quero você aqui.
— Por que? — ela me olha
Eu não sei, p***a!
Porque preciso entender você!
A puxo pela cintura e agarro firme em seus cabelos, beijando-a de forma dura. Tão dura que, por um momento, nossos dentes acabam se chocando. Não demora muito e ela se rende, abraçando meu corpo e me colando mais nela.
Ainda a beijando, levo seu corpo para a cama, onde a jogo e me ajoelho, com um joelho no meio de suas pernas. Sua saia se levanta um pouco e eu aproveito disso para apertar suas coxas e beijá-la novamente. Subo a mão por dentro de sua saia e aperto uma de suas nádegas, fazendo com que a mesma mexa o quadril e acabe roçando em meu joelho. Ela arfa baixinho e curva as costas, jogando a cabeça contra o colchão. Ela gostou disso. Seu corpo responde à isso.
Tiro sua jaqueta e logo depois meu colete. As peças vão parar no chão.
— Eric. — ela desgruda nossas bocas, vira o rosto e segura meus ombros, me mantendo afastado — Eu disse que...
— Não vamos t*****r se você não quiser. — a olho — Vamos apenas nos divertir, ok? Mas se quiser, peça. Vou adorar fazer. — sorrio e a vejo ficar vermelha — Quando quiser parar, avise.
— Certo. — ela me olha receosa
— Confie em mim. — pisco para ela
— Confiar no homem que me deu uma surra mais cedo? — ela franze o cenho
— Não foi uma surra. — a corrijo distribuindo beijos por seu pescoço — Foram dois soldados se enfrentando. Agora, por favor, relaxe.
Passo a língua no ponto pulsante em seu pescoço e a vejo se arrepiar. Suas mãos me apertam e suas unhas bem cortadas pressionam a pele exposta de meus braços.
Me deito por cima dela, equilibrando meus pesos em meus braços. Ela se acomoda em minha cama e ficamos deitados em diagonal, com parte das pernas pra fora.
Passamos um bom tempo nos beijando. Nossas mãos fazendo trilhas por nossos corpos, bagunçando cabelos, apertando, arranhando. Soltamos gemidos esporádicos quando nossas intimidades se chocam. Sem perceber, seu corpo vai me dando cada vez mais espaço. Suas pernas se abrem e me recebem bem entre elas.
Merda!
Eu vou ficar muito puto se ela me pedir pra parar agora.
— Eric. — ela murmura enquanto passo a língua em seu maxilar
Droga!
Droga!
Droga!
— Eric, por favor. — ela segura meu rosto em as duas mãos e me obriga a encará-la — Por favor, eu quero. — choraminga — Por favor.
Sorrio.
Volto a beijá-la e fazendo o possível para não ir tão rápido e tão bruto. Por alguma razão, quero desfrutar cada segundo disso.
Não demora até que eu fique completamente nu, em cima dela, roçando meu corpo no seu. Ela aperta meus ombros.
Chupo seu pescoço e então vou descendo sua calcinha, até que ela esteja completamente nua sob mim.
Por um momento, Maria endurece. Parece tensa. Eu desço meu rosto para seus s***s e tomo um mamilo na boca, enquanto aperto o mesmo. Ela geme alto e arqueia as costas, se entregando de novo.
Abro suas pernas com meus joelhos e, sem aviso, a invado sentindo o caminho apertado me incomodar. Ela morde o lábio e esconde o rosto no meu pescoço, enquanto suas unhas cravam em meus ombros.
— Sh! Passou. — sorrio sombrio ao ver seus olhos brilharem em lágrimas — Você é minha. — rosno me movendo lentamente
***
Respiro fundo sentindo a brisa fria da noite tocar meu corpo vestido apenas de uma cueca. A cidade está silenciosa e, de onde estou, consigo ver o muro bem longe. Bem longe mesmo. Tento não pensar em nada, mas uma pergunta se faz muito presente em minha mente.
E agora?
Há algumas horas, Maria e eu estávamos nos atracando no ringue. Um com muita raiva do outro. Horas depois, estávamos quase nos engolindo no mesmo ringue, um com muito t***o pelo outro. Antes, ela estava deitada na maca da enfermaria. Havia sido desmaiada por mim. Agora ela estava deitada em minha cama, dormindo. De certa forma, também foi cansada e desmaiada por mim.
Respiro fundo.
Em meu peito, havia uma sensação esquisita de preenchimento. Na minha cabeça, uma voz feminina e opressora dizia que aquilo estava completamente errado.
E agora?
Sinto dedos gelados se encontrarem com minha pele e não preciso me virar para saber de quem se trata. Ficando próxima a mim, ela se põe ao meu lado e também observa a paisagem. Dou uma olhadela e percebo que ela usa sua blusa e a calcinha.
Respiro fundo novamente.
Que p***a eu fiz com essa garota?
— Você está bem? — pergunto, minha voz saindo baixa e grave demais
— Estou. — diz baixo e se remexe um pouco — É uma bela vista.
— Também acho.
Me viro para encará-la e vejo os traços de sua tatuagem saindo pela gola da blusa. Me ponho atrás dela, colando nossos corpos e massageio sua nuca, lembrando-me de suas costas nuas. De sua tatuagem.
— Por que a fez? — pergunto curioso e ela se arrepia quando meu hálito encontra seu corpo
— Não tô pronta pra contar agora. — ela murmura
— Tudo bem. — murmuro e passo meus braços por seu corpo, a abraçando por trás — Temos tempo.
Ela não vai a lugar nenhum.