Ethan
A minha relação com o meu pai era péssima. Sua forma de controle, a de lidar com as peculiaridades de Yuliya. Logo quando meu avô morreu, ele se reaproximou de mim como um amigo, mas assim que pisei nos Estados Unidos, ele mostrou suas garras, vez uma série de exigências sobre a minha vida ao lado de pessoas cristãs. A Dynastie não é aberta para amadores e a depressão que já era um fato na minha vida se tornou pior, há coisas que não posso contar para um psicólogo, e George não entendia isso, mesmo sabendo a minha natureza. Apesar da trégua eu sabia que precisava me impor com George enquanto a mim e minha irmã.
— É bom fazer amizades, mas eu gostaria que você continuasse seu tratamento com um psicólogo e os remédios.
— Vai me deixar passar as férias na Sicília?
— Não é um acordo!
— Eu tenho uma família na Europa e faz quase um ano que não os vejo. Eu tenho até casa por lá.
— A sua família sou eu! – O odiava quando ele dizia isso.
— Enfim, preciso comprar um presente para a aniversariante. – Minha respiração começou a descompensar e levantei da mesa enquanto ele esperava uma atitude desastrosa de minha parte. O copo caiu da mesa e eu segurei no ar e o coloquei novamente em seu lugar.
Eu queria gritar com ele, expressar o meu descontentamento com tudo que estava acontecendo e como ele era um cara difícil, mas preferi me controlar e me desvencilhar de vez dessa relação que em tese considerava abusiva por parte do meu pai – não podia dar razão a ele com o meu descontrole. Uma disputa judicial entre meu pai e meus interesses e de minha irmã contra a família de minha mãe que queria manter nossa guarda e educação europeia era a causa que me distanciou deles – ano passado fui duas vezes devido a uma decisão judicial, mas como sempre me meti em encrenca.
Meu pai passou por grandes desafios ao assumir minha mãe e abandonar sua família cristã perfeita e não via motivo de deixar tudo que foi obrigado a passar para trás novamente, inclusive uma espécie de vingança não fazendo a vontade do testamento de Oton, meu avô.
— Eu te levo no shopping!
— Eu vou sozinho. Você pode manter minha guarda até os dezoito anos, mas não vai forçar uma relação que não existe.
— O que foi? – Yuliya sempre aparecia em qualquer sinal de atrito entre nós dois.
— Nada Yuliya, quer ir no shopping com seu irmão? – Perguntou George, que logo mudava sua feição séria por uma mais alegre e receptiva.
— Quer? Podemos aproveitar o salão de brinquedos como aquele dia? — Insisti.
— Está bem! – Desconfiada, Yuliya disse tentando amenizar os ânimos e comendo seus biscoitos de chocolate e castanha.
Me aliviei não ter que lidar com o meu pai naquela manhã andamos com seguranças por aquele Mall que aqui era chamado de shopping, Pâmela comprou e enviou presente disponível numa lista de presente, que não sabia estar disponível na terceira loja que fomos. Yuliya andava em todos os brinquedos disponíveis e sua babá provisória Ana, a acompanhava, eu já não podia entrar e aproveitava para conversar com meus familiares, mais os meu primos e mandava fotos e os atualizava sobre a gente. Passar a tarde com minha irmã, como se não tivesse problemas era o verdadeiro privilégio para alguém que teria uma escolha que mudaria toda minha vida e de todos a minha volta: ser um líder de uma legião de magos.