Na quarta-feira antes da festa

1107 Words
— Cris, está apertado isso! — Amiga, como eu engordei. Queria que esse vestido desse para não ter que ir com a minha mãe trocar o que ela comprou e não deu. Eu insisti para ela comprar aquele vestido semana passada. – Cris bufava de tédio e cansaço, dentro de um vestido vinho que não fechava. Havia pegado um vestido da mãe dela emprestado no dia anterior e era a vez de Cris, assim que a vi no metrô ontem percebi seu aumento de peso e sabia que ela não entrava ali. Não a via desde o ano novo e isso se passou quatro meses. — Vamos fazer o seguinte, sua mãe te deu o cartão para comprar um vestido para mim, mas eu peguei um dela e adorei, então se saímos agora, podemos encontrar uma coisa bacana para você vestir, aqui em casa as opções é minha mãe e minha avó e Fabi mora na Barra, é arriscado sair daqui e não ter nada lá. — Mas eu sonhei com esse vestido, se eu fechar a boca até amanhã, eu consigo entrar nele. — E morrer dentro dele também. Amiga não vai dar e te aturar com fome é um porre! — Você não mudou nada. Continua com esse silhueta de Gisele Bündchen. Pena que não tenho tamanho e não tenho vida sendo universitária para comer melhor! — Vamos então. Mas chamarei Priscila para sair com a gente, pois se o que tiver no cartão não der ela paga a diferença. Não podia dizer para não chamar, malmente tinha o dinheiro para o lanche, Priscila era uma das primas de Cris onde o pai virou vereador – o João Rufino – e ganhava sua porcentagem do dinheiro infinito do qual tinha acesso. Era meio constrangedor ver essas coisas acontecendo na minha cara, ainda utilizando serviços ineficientes todos os dias. Ser eleito em qualquer cargo público era nítido os privilégios daqueles que trabalham diretamente com a máquina pública. Cris era obrigada a bajular certas pessoas da família e isso me incomodava, muitas vezes usava a desculpa da faculdade para não ter que lidar com a família dela. — Cara, ainda bem que me chamaram, você iria como uma velha para a festa e você sabe que não precisa comprar em liquidação Cristiana, dei uma bronca na sua mãe quando vi aquele vestido, ainda bem que não deu em você. Olhei sério para Cris e sai andando pelas gôndolas de uma loja com vestidos caríssimos, porém insosso com cores azul petróleo e cinza, nada a ver com Cris. — Sinto muito Priscila, mas aqui não tem nada de interessante. — É verdade Pri, não tem nada aqui. – disse Cris, me encarando revirando os olhos. — Vou atender o telefone e já volto! – Pri saiu da loja cumprimentado a vendedora com um leve aceno com os dedos. Sentamos num banco de corredor do shopping e ficamos papeando ali descansando e descobri que Leandro vai a festa – é um dos caras que iria dançar com a debutante, enfim, no final do ano passado estava com ele, pena que ele não estava comigo. Tive a decepção de flagrá— lo com Simone, vizinha de bairro de Priscila, jantando com os pais dele no maior love – nem olhou para minha cara, foi muito chato e aquele babaca me usou de marmita enquanto Simone era cardápio completo – filha de um empresário do ramo de transporte, era a queridinha para estar do lado dele, um herdeiro de uma rede de mercado no Rio. Parecia que o breve passado batia na minha porta e eu estava pronta para dar o troco de leve naquele i****a, não que precisasse, mas meu ego estava exigindo faz tempo. — Você está cansada né, Ágatha? — Um pouco, acordo cedo, minha sorte é que não tive a última aula hoje. E o cursinho? — Sei lá, está indo. Acho que vou tentar a faculdade em Minas Gerais para sair um pouco daqui. Quero ter vida própria, você sabe como é. — Entendo Miga! Olhei sem muita nitidez para a vitrine da loja ao fundo de onde estávamos e vi um vestido curto rodado de tecido leve. — Vamos ver aquele vestido ali Cris, maravilhoso! – Fiz sinal para Pri que nos acompanhou com os olhos. Finalmente encontramos uma loja cheia de novidades e com um preço bem mais em conta. Cris, de primeira, se apaixonou por um rosa claro lindo, ficamos ali, com a vendedora Roberta super simpática que desceu o estoque todo para encontrar o mesmo exemplar da vitrine e após experimentar o GG deu perfeitamente na Cris – não era um vestido barato, mas caiu incrivelmente bem nela. — Nossa, como ele é bonito. Adorei, ainda bem que não comprei aquele roxo pavoroso que Priscila queria que eu levasse. Semana que vem, voltarei para a academia. Precisando, miga! — Nem olha para mim, sem tempo total para isso. Já ando todos os dias e muito. — Está bem, mas vou te chamar para caminhar na praia nos finais de semana. Vocês não sabem da maior, a Rita arrumou um crush de última hora na escola dela, fez o pai dela convidar ele, filho de um diplomata americano e agora quer mudar o que já foi ensaiado, é mole! — Mas ele aceitou dançar com ela? – perguntou Cris. — Márcio disse que ele nem falou com ela na escola direito, ele é da sala de Gabriel e Márcio faz uma ou duas matérias com eles, e que está atrasado. Disseram que ele é super gente boa! — Ele tem i********:? Não sei, quando chegar em casa, saberei mais dessa história. Amanhã vai com a Cris no salão para domar essa juba e fazer uma maquiagem, terá gente importante lá, a primeira dama quer todas nós “top” para as fotos. Priscila pagou o vestido e Cris pagou uma sandália linda para mim – meu pai detesta que chegue com presentes da família dela e de quem quer que seja, como não trabalho, ele sabe o que eu posso comprar e que minha mãe pode comprar com a pensão dela. Tive que me impor a respeito do vestido de dona Bárbara, era lindo e caiu muito bem em mim, é de renda e gola alta que eu amo e ainda é curto. Priscila estava fazendo um favor para mim em marcar cabelo e maquiagem – dinheiro economizado com sucesso. Há muito tempo eu não saia e ainda mais ter a oportunidade de passar um pano em assuntos que ainda fazia meu coração doer. Estaria arrasadora para os meus propósitos da noite seguinte.
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