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Huguel) edição #1 Arco O Início

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Blurb

SinopseNo mundo de Zerk, reinos entram em guerra por riquezas, povos vivem sob regimes violentos e criaturas desconhecidas surgem nas regiões selvagens. Enquanto o Reino de Ragen declara guerra contra Isoliusm, algo muito mais antigo desperta sob os mares congelados do continente de Screr.Huguel é um estudante solitário de [17] anos que mora na favela de Gelepehull, na cidade de Cara. Ele tenta sobreviver à pobreza, à discriminação contra os Zombianos e ao governo opressor do ditador Tsolgaver.Após ser brutalmente atacado durante um assalto e jogado no mar para desaparecer, Huguel encontra uma misteriosa fruta azul-clara presa ao seu ombro: a Alshan.A fruta não deveria existir.Ao sobreviver, Huguel desperta poderes capazes de ouvir pensamentos, sentir emoções e se conectar às criaturas de Zerk. Mas cada poder revela uma verdade perigosa: ele não foi escolhido por acaso. A Alshan está ligada à primeira guerra do mundo, aos reinos em conflito e a uma revelação que pode destruir tudo o que as pessoas acreditam sobre a própria humanidade.

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capítulo 1
Capítulo 1 - A Cidade que Não Dormia Cara nunca dormia. Nem mesmo quando as tempestades congelavam as janelas dos prédios antigos ou quando o vento fazia os becos da favela de Gelepehull parecerem corredores vazios de um cemitério. Huguel caminhava sozinho, segurando os livros contra o peito. A universidade ficava distante da favela, numa região chamada Port Heights, onde os prédios eram altos, as lojas tinham luzes bonitas e as pessoas fingiam que pobreza não existia. Ele havia passado o dia inteiro ouvindo colegas falarem sobre viagens, roupas e festas. Ninguém perguntou por que ele usava um tapa-olho. Ninguém perguntou por que ele sempre sentava no fundo da sala. E ninguém perguntou por que Huguel evitava tocar nas pessoas. Ele não gostava de multidões. Não gostava de barulho. Não gostava de ser olhado como se fosse diferente. - Olha só - disse uma voz atrás dele. - O garoto da caveira. Huguel parou. Três homens estavam no começo do beco. Usavam casacos escuros e máscaras improvisadas. Um deles carregava uma barra de metal. - Entrega a mochila - ordenou o homem mais alto. Huguel olhou para a mochila. Não havia dinheiro ali. Só livros, anotações e um pequeno rádio quebrado que ele tentava consertar havia meses. - Não tenho nada de valor - respondeu. O homem riu. - Então você vai aprender a não responder. O primeiro golpe acertou suas costelas. Huguel caiu no chão molhado. Tentou se levantar, mas recebeu outro golpe no rosto. O tapa-olho caiu numa poça de água. Ele ouviu os assaltantes revirando sua mochila. - Livros? - um deles reclamou. - Esse moleque não tem nem dinheiro para ser roubado. O homem da barra de metal se aproximou. - Ele viu nossos rostos. Huguel sentiu medo. Não era o medo comum de apanhar. Era a certeza fria de que não voltaria para casa. Eles o arrastaram até o porto. O mar de Screr era escuro, gelado e profundo. As ondas batiam contra as pedras como se alguma coisa enorme se movesse abaixo delas. - Espera... - Huguel tentou dizer. Mas ninguém ouviu. Ou não quis ouvir. Ele foi jogado na água. Capítulo 2 - A Fruta Azul A água roubou seu ar. Huguel afundou, lutando contra o frio e contra o peso das roupas. Acima dele, a luz da cidade desaparecia. Abaixo, havia apenas escuridão. Ele pensou em sua casa. Pensou na universidade. Pensou em todas as vezes em que quis ser invisível. "Talvez agora eu tenha conseguido." Quando seu corpo começou a desistir, algo brilhou no fundo do mar. Uma luz azul-clara, parecida com aço sob a lua. A luz se aproximou. Era uma fruta. Ela tinha a forma de uma laranja, mas sua casca azul possuía desenhos em espiral. Pequenas raízes se moviam como dedos e se prenderam ao ombro de Huguel. Ele tentou arrancá-la. A fruta se abriu. Uma energia atravessou seu corpo. Huguel abriu os olhos. E ouviu milhares de vozes. Medo. Fome. Raiva. Dor. Os pensamentos dos peixes, das criaturas no fundo do mar e das pessoas da cidade invadiram sua mente. Ele sentiu uma presença gigantesca dormindo sob as águas. Então, uma voz falou dentro dele. - Finalmente. Huguel voltou à superfície com um grito. Ele respirou como se fosse a primeira vez. A fruta havia desaparecido, mas uma marca azul permanecia em seu ombro: uma espiral cercada por quatro linhas, como garras. Naquela noite, Huguel descobriu que conseguia ouvir os pensamentos de uma gaivota ferida. E ela lhe contou algo impossível. - Os homens que fizeram isso vão voltar. Capítulo 3 - O Primeiro Poder Huguel acordou na areia, perto de Harborcott. Seu corpo estava coberto de cortes, mas nenhum osso parecia quebrado. A tempestade diminuía, e o céu começava a clarear. Uma gaivota pousou perto dele. - Você consegue me entender? - perguntou Huguel, sem pensar. A ave inclinou a cabeça. - Você está fazendo muito barulho por dentro. Huguel ficou imóvel. A gaivota não falava com palavras. Ele sentia suas ideias. Eram imagens, impulsos e emoções: fome, frio, perigo e curiosidade. Ele havia entendido. Quando tentou se levantar, ouviu uma segunda voz. Depois uma terceira. Eram pessoas passando na rua acima da praia. "Mais um corpo no mar." "Espero que não seja alguém da minha família." "Não quero me envolver." Huguel cobriu os ouvidos, mas as vozes continuaram. Ele começou a correr. A cada pessoa que cruzava seu caminho, ele sentia pensamentos e emoções. Alguns estavam tristes. Outros furiosos. Outros escondiam segredos horríveis. Quando chegou à favela, Huguel percebeu que não conseguia mais enxergar o mundo como antes. Ele sabia quem mentia. Sabia quem tinha medo. Sabia quem sofria em silêncio. E, em meio a todos aqueles sentimentos, percebeu algo pior. Uma presença observava a cidade inteira. Uma mente fria, distante e poderosa. A mente de Tsolgaver. Capítulo 4 - A Grande Revelação Naquela mesma noite, Huguel sonhou com uma guerra. Ele viu o Reino de Ragen, governado por Zemo, avançando contra Isoliusm. Viu soldados queimando vilarejos, famílias fugindo e reis assinando ordens de morte em salas iluminadas por velas. Depois, viu algo escondido entre os dois exércitos. Uma criatura colossal, feita de raízes, ossos e luz azul. A criatura tinha olhos iguais aos da marca no ombro de Huguel. - A guerra não começou por terras - disse a Voz do Mar. - Nem por comida. Nem por riqueza. Huguel olhou para ela. - Então por quê? - Porque os reis descobriram que a Alshan existe. A criatura se aproximou. - A fruta foi criada para unir as consciências de Zerk. Ela dá ao portador o poder de compreender animais, sentir emoções e tocar pensamentos. Mas, se cair nas mãos erradas, pode transformar povos inteiros em armas obedientes. Huguel acordou assustado. Do lado de fora, ouviu motores. Veículos pretos cercavam sua casa. Homens armados, usando o símbolo do governo de Tsolgaver, entravam na favela. Uma voz saiu de um alto-falante: - Huguel, portador da Alshan. Você pertence ao Estado. Huguel olhou para o próprio ombro. A marca azul brilhava. Pela primeira vez em sua vida, ele não quis desaparecer. Ele colocou o tapa-olho de volta, vestiu a camisa preta com a caveira branca e abriu a porta. - Então venham me buscar. Fim do Livro 1 Cena pós-créditos Em uma sala secreta no Reino de Ragen, o rei Zemo recebe uma mensagem de um espião. - Majestade, encontramos o portador. Zemo sorri. - Então a guerra pode começar de verdade.

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