Eu estava muito cansada, foram muitas horas de voo até meu país, Suiça, quando cheguei, respirei aquele ar familiar, tive vontade chorar, passei dois anos sem vir aqui, quer dizer, agora quase quatro anos, já que passei um ano e meio presa naquele lugar horrível. Pedi um taxi assim que saí do Aeroporto.
— Por favor, me leve para esse endereço. – eu entreguei o papel ao homem.
Ele seguiu como eu pedi, vi os bairros conhecidos, amei ver as pessoas andando e amei ver que eu ainda me lembro de tudo, eu amo esse lugar e nunca mais quero sair daqui. Se puder, só sairei quando for para resolver minha vida e ir em busca do que é meu.
Depois de quase uma hora depois, o carro parou nos portões da casa, moramos em um bairro distante do centro, em uma área nobre de Zurique, a casa dos meus pais fica bem distante das outras, quase na ponta do penhasco. Há uma guarita onde os seguranças ficam, eu caminhei devagar até lá, haviam dois deles, os mesmos que eu me lembro, trabalham para minha família há muito tempo.
— Bom dia, senhor Weber. – eu falei quando parei no portão.
Ele saiu da guarita e se aproximou do portão, ele sorriu e falou.
— Olá, senhorita, está perdida por aqui? Me conhece? – ele perguntou gentilmente.
— Senhor Weber, sei que estou diferente, mas não reconheceu minha voz, eu cresci com o senhor, lembra? Brincando de militar aqui na Guarita. – comentei quase chorando.
Ele deu um passo para trás e arregalou os olhos. O portão foi aberto e o outro rapaz, que é filho dele, também se aproximou.
— Mas, como isso... Rose... – ele falou chocado.
— Sim, sou eu.
Eu o abracei apertado. Depois abracei Zachery, seu filho, ele não parava de me olhar, parecia curioso, mas feliz também.
— Meus pais estão em casa? – perguntei.
— Não, eles... eles estão chegando de viagem, eles foram... vem, vou leva-la para dentro. – ele pediu ansioso.
Ele praticamente correu comigo para dentro de casa, aquele cheiro familiar me fez ficar com os olhos marejados, eu nunca deveria ter saído de casa, me apaixonado por um homem que nem deu tempo de conhecer direito, eu fui uma i****a em todos os sentidos possíveis.
— Rose, fique aqui, minha querida, ou vá ao seu quarto, sua família deve estar chegando. Vou deixar que eles conversem com você primeiro. – ele disse.
— Tudo bem, senhor Weber, obrigada por me trazer aqui. – eu sorri.
— Meu Deus.. é você mesma – ele tocou em minha bochecha.
O rádio dele apitou e ele deu as costas para atender a chamada. Depois virou para mim e disse:
— Vou indo, mas volto para te visitar. – ele falou ainda de olhos arregalados.
— Tudo bem – eu ri.
Quando ele saiu, eu subi a escada, aproveitei e fui direto ao meu quarto, quando abri a porta, as lágrimas vieram com tudo, meu quarto estava exatamente como antes, intocável, toquei em tudo, deitei em minha cama, peguei minha toalha personalizada e fui ao banheiro para tomar banho, foi ótimo, parece que mantiveram tudo limpo e organizado, com produtos novos. Eu me limpei inteira, fui ao meu guarda roupas quando terminei e vesti uma roupa de anos atrás, mas que ainda cabia em mim, claro, estou abaixo do peso.
Abri minhas gavetas e vi lá, os diários e tudo, tudo estava exatamente no lugar. Dei espaço ao choro, deixei que eu sofresse um pouco com tudo aquilo, eu seitei na minha cama e acabei cochilando um pouco.
Acordei porque ouvi movimentação no corredor da minha casa, abri a porta do quarto e uma moça que eu não conhecia, estava parada na porta ao lado, ela me encarou e arregalou os olhos, cambaleou para trás e colocou a mão na boca.
— Olá, quem é você? – perguntei.
— Eu sou... Meu deus, você é... eu estou louca? – ela questionou.
— Bom, acho que não. – eu ri. – Onde estão os moradores da casa? – perguntei.
Ela apontou para baixo, dizendo que estavam na sala. Afirmei e ela veio atrás de mim, me olhando de cima a baixo, achei aquela mulher curiosa mas gostei dela mesmo que só de vista superficial. Ouvi muita conversa no andar debaixo e a mulher desceu a escada primeiro. Do topo da escada eu vi, ela foi direto em meu irmão mais velho, Cilian, ele a segurou pelo braço e perguntou:
— Você está bem? Está passando m*l? – ele parecia preocupado.
A mulher apontou para a escada e foi então que todos eles se viraram na minha direção. Um a um eles foram arregalando os olhos, minha mãe levantou do sofá, colocou a mão no peito e comecei a ouvir.
— Minha nossa...
— mas o que é isso...
— Rose? Mas... o que... – minha mãe tentou falar.
Ela acabou caindo nos braços do meu pai, desci a escada apressadamente, com medo de tê-la assustado demais, eu toquei no rosto dela, preocupada.
— Mãe, acorde, por favor. – eu pedi chorando.
— O que é isso, quem... quem é...- meu pai falou confuso.
— Ora, pai, sou eu, Rose. – respondi apressada. – Vem, vamos ajudar a mamãe.
Todo mundo parecia perplexo, eles colocaram minha mãe deitada no sofá, a mulher sentou com ela e então todos eles vieram até mim, um tocou em meu rosto, outro na mão, outro no cabelo e por aí foi.
— Pai, o que aconteceu? Por que não foi me procurar, eu estava... – comecei chorando.
— O que? Acabamos de chegar de Los Angeles, fomos visitar você no hospital. – ele respondeu alto.
— O quê? Não, eu estava em um hospital psiquiátrico em Vermont até antes de ontem. – falei aos prantos. – Alguém me colocou lá, pai...
Tristan, Cilian, Maverick e Apollo, os quatro praticamente pularam em cima de mim, me abraçando, começou então uma choradeira alta, meu pai pediu espaço e me deu aquele abraço também, tão apertado que colocou tudo no lugar de novo.
— Rose, você sofreu um acidente um ano e meio atrás, você estava em coma... viajamos todo mês para lá. – Tristan comentou.
— Eu sofri um acidente sim, mas acordei e logo fui levada para aquele lugar horrível. – respondi.
— Então, quem é aquela pessoa que está lá? – Maverick perguntou chocado.
Minha mãe acordou e se jogou em meus braços, depois que todos choramos muito, eu sentei no sofá e contei tudo o que eu me lembro que aconteceu, desde o acidente até eu acordar em um lugar estranho onde queriam me manter drogada, contei sobre Eva e como ela havia me salvado daquele pesadelo.
— Foi ele. – Cilian afirmou irritado.
— Tenho certeza que sim, Rose, nunca gostamos dele, você sabe. – Maverick concordou.
— Eu disse, pai. Não era para fazer acordo com aquela maldita família. – Apollo quebrou um vaso no chão, irritadíssimo.
— Eu vou matá-lo, pode ter certeza. – Tristan afirmou.
— Nós vamos. – todo mundo respondeu junto.
— Quem aquele filho da put@ pensa que é para fazer isso com a minha irmã? – Apollo questionou.
— Calma, irmãos, eu estou bem, consegui sair de lá, no momento eu quero pensar em me recuperar e conseguir acessar minhas contas. – eu avisei.
— Ok, entrarei em contato com a nossa equipe. – Cilian falou.
Meu pai e minha mãe ainda estavam chocados, meus irmãos começaram a fazer ligações frenéticas, a mulher continuou afastada, apenas observando os acontecimentos, eu a olhei e perguntei.
— E você, não me disse seu nome. – afirmei.
— Desculpe, eu fiquei tão chocada... eu sou Anelise, eu sou... – ela olhou para Cilian.
— Minha esposa, Rose, ela é minha esposa. – meu irmão respondeu.
— Oh sim, Anelise, venha conhecer sua cunhada, querida. – minha mãe a chamou.
Caramba, então alguém teve paciência para se casar com Cilian, que guerreira, ela me abraçou e disse que ficou com medo de estar vendo fantasmas quando me viu saindo do quarto. Nós conversamos, foi um momento onde eu expliquei tudo, sobre meu casamento, meu pai disse que nunca viu Kurt no hospital das vezes em que ia, eles apenas conversavam por ligação, mas o hospital nunca os deixava entrar na sala da UTI, alegando que eu estava muito frágil e corria riscos se alguém de fora entrasse.
Foi um momento muito esclarecedor, meus pai não paravam de chorar e pedir perdão, mas eu é quem deveria pedir desculpas, eu que pisei na bola ao me deixar levar por uma paixão, Anelise cuidou de tudo, pediu que arrumassem meu quarto e comprassem roupas novas, minha mãe mandou fazer um jantar completo para mim, com todos os pratos que eu consegui imaginar.
Eles passaram a noite acordados, no meu encalço, dormiram os quarto no mesmo quarto que o meu, vimos filmes, pareciam estar com medo de eu ser uma miragem e acabar sumindo, eu me senti protegida, deitada naquele colchão no chão, rodeada de irmãos, é como se eles estivessem vigiando um bem precioso. Foi a melhor noite desde que eu consigo me lembrar.