[NARRADO POR MELISSA ROCHA] A gente desceu da pedra de mão dada, como quem carrega segredo antigo no bolso e esperança nova no peito. O caminho de volta parecia outro, mesmo sendo o mesmo. A rua era igual, mas o mundo… o mundo já tava diferente. Murilo não soltava minha mão. E eu também não queria que soltasse. A palma dele suada, quente, firme. Aquela pegada de quem segura, mas não prende. Quando dobramos a esquina e o portão da casa apareceu, ele soltou, no tom mais sacana do universo: — “Vamos entrar de mansinho… vai que a véia acha que tamo voltando da lua de mel.” Revirei os olhos, rindo. — “Murilo, cala a boca.” Ele só abriu o portão com aquele jeito debochado dele e entrou na frente. Jussara já tava na cozinha, avental amarrado e colher de p*u na mão. Quando viu a gente, nem

