capítulo 135

1056 Words

[NARRADO POR MELISSA ROCHA] A gente se sentou na pedra como quem volta pra um túmulo antigo — não pra chorar, mas pra reviver. Eu na frente. Ele atrás. As pernas dele abertas, me cercando. As mãos dele pousadas nas minhas coxas, quentes. Firmes. O queixo dele encostado no meu ombro. E o céu… já escurecendo devagar, tingindo a quebrada com aquela cor de lembrança. Fiquei um tempo calada, ouvindo só o som da nossa respiração. Do vento arrastando folha. Da cidade respirando ao longe, como se nem soubesse que a gente existia. Aí soltei, baixinho, sem olhar pra trás: — “A gente já sofreu tanto, né?” Murilo não respondeu de primeira. Só apertou um pouco mais minhas pernas. Como quem diz "eu sei". — “Sofrimento é foda.” — ele falou baixo. — “Mas é pior quando tu sofre calado. Longe. Se

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