[NARRADO POR MURILO FERREIRA] O jogo tava pegado. Não era mais zoeira, não — era quase Libertadores de barraco. Júlio marcando pesado, Murilinho distribuindo caneta como quem distribui figurinha rara, e eu no comando, igual general em dia de sol. Foi aí que escutei o barulho do portão. Olhei de r**o de olho. Melissa. Vinha vindo com aquele andar de quem não pisa, desfila. Shortinho jeans, blusa amarrada na cintura, cabelo solto, e a risada de quem já chegou ganhando. Do lado dela, Dona Jussara com a mão na cintura e aquele olhar afiado que dá medo até em ladrão de galinha. As duas pararam do lado de fora da grade. Não falaram nada. Só ficaram ali, assistindo. Observando. Murilinho foi o primeiro a notar. — “MÃÃÃE!” — gritou, correndo até ela, suado, bochecha vermelha, sorriso escanc

