CAPÍTULO 1
LÍVIA TRAJANO
— Papai a Liv, não precisa de segurança.
Falo colocando as tiaras lindinhas da Liv nas caixinhas de veludo.
— Não tem discussão Liv, você precisa de proteção, essas cartas anônimas que está recebendo me deixa preocupado.
— Mas a Liv, não quer.
Cruzo os braços nervosa a Liv não gosta desses seguranças seguindo para todos os lados que vou.
— Não tem que querer é para sua segurança, e por favor esses novos seguranças são os melhores, tive que praticamente implorar para aceitarem o serviço,vê se para de fazer suas traquinagens.
— A Liv nem sabe o que significa essa palavra.
— Pare de aprontar com os seguranças, tipo escondendo as armas deles, colocando formigas nos bancos dos carros.
Meu pai fala, e a Liv coloca a mão na boca para segurar o riso, os últimos seguranças ficaram muitos bravos, quando a Liv colocou formiga no carro, subiu e picou todos eles, foi muito engraçado ver eles correndo tanto, muito, muito engraçado.
— A Liv nem sai pai, e quando sai tem um monte de pessoas que não conheço me seguindo.
— É para o seu bem Lívia Trajano, você está sendo ameaçada de sequestro e pior ate de morte, além do mais as pessoas não entendem seu jeito e sempre tem um para falar coisas feia para você, e os seguranças são para isso, para te proteger.
— Não quero, eu tenho a tia Sam.
— A tia Samanta tem quase sessenta anos Lívia, é minha irmã mais velha, não pode te proteger de tudo.
— Aff, tá bom.
A Liv leva as tiaras até o closet, arruma tudo bem certinho, ignorando o falatório do papai.
— A tarde os novos seguranças vêm para conhecer a casa e você.
Reviro os olhos, eu que não vou ficar com um monte de homens feios seguindo. A Liv nem sai direito de casa, todo mundo fala que a Liv é doida, só porque a Liv é assim, diferente.
O médico diz que a Liv tem infantilismo, uma condição na cabeça da Liv, que deixa a Liv assim diferente das meninas da minha idade. E por isso não saio muito, só com minhas amigas.
Não vou ter mais um monte de pessoas que a Liv não conhece, falando que a Liv é doida, foi assim com os outros, eles diziam que a Liv era muito doida.
Depois de arrumar o closet a Liv, deitou na cama, pegou o celular colocou uma música na caixa de som, e ficou pensando como espantar os novos seguranças.
A tarde estava bem tranquila… até que eu ouvi.
Primeiro, o ronco grave de motores chegando pelo portão da frente. Depois, vozes masculinas, passos pesados no piso de pedra do quintal.
A Liv já sabia, os novos seguranças estavam aqui.
— Aff… — murmuro, deitada na cama, esparramada como uma estrela-do-mar preguiçozinha.
Me levanto devagar, ainda de braços cruzados. Não vou deixar esses homens chatos estragarem minha paz.
Coloco minha tiara rosa com pedrinhas brilhantes, porque é a minha favorita e me deixa com cara de princesa, o que significa que ninguém tem coragem de brigar comigo de verdade.
Desço as escadas com cuidado para não fazer barulho. Quero ver primeiro, antes de eles me verem.
Assim que chego no hall, escuto a voz do papai, toda animada.
— Minha filha estará em boas mãos, obrigado por aceitar o trabalho, Aiden.
Eu espiava por trás da porta. Foi quando ele entrou no meu campo de visão.
Primeiro, vi as pernas, ou melhor, duas torres de músculos dentro de uma calça preta. Depois, o tronco largo, coberto por uma camisa ajustada, e um paletó escuro. Os braços dele eram tão grandes que pareciam poder me carregar como uma sacolinha de supermercado.
A cabeça? Ah, a cabeça. Cabelos pretos, levemente bagunçados, pele branca, até demais, ele tinha feiçõesfortes, mandíbula marcada. E os olhos… dois pedaços de gelo que olhavam o mundo como se ninguém prestasse.
Era lindo, mas também parecia um troféu de “Homem mais Rabugento do Ano”.
— Senhorita Lívia. — ele disse, com a voz grave e seca, olhando direto para mim assim que percebi que ele já tinha me visto espiando.
— Você pode ir embora.
— Liv, esse é o seu segurança particular, ele quem comanda os outros, e ele quem vai ficar o tempo todo com você, esse é Aiden Fox.
— Não quero conhecer esse rabugento papai.
— Não me conhece para afirmar que sou rabugento, senhorita. — ele diz com aquela voz grave que parecia um trovão, e o sotaque dele era bem bonito até.
— Essa sua cara de bravo diz tudo.
— Não preciso que goste de mim, só preciso fazer meu trabalho.
— Aff, não vamos nos dar bem.
— Vamos nos dar bem se você seguir as regras.
Eu não aguentei e soltei um risinho.
— E se a Liv não quiser seguir?
Ele me encarou, sem um pingo de humor.
— Eu faço você seguir.
O papai deu um tapa leve no ombro dele, rindo.
— Já te falei sobre a condição da minha filha, espero que tenha paciência com ela.
— Eu farei meu trabalho, não se preocupe sr. Trajano.
— Você gosta de animais? — perguntei, já formulando meu plano.
— Não gosto de nada que respire e dê trabalho — respondeu, sem me olhar.
— Ah, então você não gosta da Liv.
Silêncio.
— Não tenho que gostar de você, tenho que te manter segura.
Eu mordi o lábio para segurar o riso, da expressão rabugenta dele, um homão tão bonito, e tão serião.
Fui para o quintal, fingindo que ia buscar algo. Quando voltei, trazia meu “exército”, cinco cachorrinhos da tia Samanta. Eles eram fofos, peludos e pulavam muito.
— Segura aqui, sr. Wilson.— falei, entregando o mais gorducho nos braços dele antes que ele pudesse recusar.
— Sr. Wilson?
— Sim, aquele velho rabugento do desenho, Denis o pimentinha, você parece com ele.
Aiden congelou quando coloquei o cachorrinho fofinho no colo dele. O cachorro lambeu o queixo dele e ele fechou os olhos, respirando fundo, como se estivesse prestes a perder toda a sanidade.
— Tira isso de mim.
— Mas ele gostou de você. É amor à primeira vista. — falei rindo.
— Eu não… — Ele parou de falar quando o cachorro lambeu a orelha dele. — Isso não vai acontecer de novo.
— Vai sim, porque amanhã eu vou te apresentar meus gatinhos, são mais lindinhos que esses cachorrinhos.
Ele me devolveu o cachorro e cruzou os braços.
— Senhorita Lívia, minha função é proteger você, não brincar com animais, e se colocar isso nos meus braços de novo, vai ficar traumatizada quando fizer churrasco deles.
A Liv arregala os olhos, abraçando os cachorrinhos.
— Você é muito malvado.
— Sim, eu sou, não imagina o quanto.
Ele diz tão assustador que a Liv, correu com os cachorrinhos.