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3098 Words
- Amiga, você está bem? - A Carol se aproximou de mim no pátio, onde estava lotado de alunos indo embora, e disse com uma voz tranquila. - Por que você está tão calada ultimamente? - É o mesmo problema de sempre... você sabe, meus irmãos. - Não me engane, todos sabemos que você nunca ficou m*l assim por causa dos seus irmãos e apesar de tudo você sempre continuou sorrindo e não se importando. - Estou cançada de estar sempre radiante e feliz, apesar de tudo. - Olha para você. Você ainda está radiante e acredite, até demais. - Ela ri. - É sério amiga, você está brilhando, mas não está mostrando isso pra ninguém, e nem compartilhando isso. O que deu em você? - É que... é que eu estou... Tenho que contar tudo pra Carol, ela é minha amiga à tanto tempo, e eu devo isso à ela, sempre que ela tem um problema sempre vem falar comigo. Mas eu não sou tão corajosa quanto ela. - Não é nada, mesmo. Eu vou tentar sorrir mais, eu prometo. Ela me deu um sorriso e me abraçou, mais logo veio o John abraçando ela e a tirando de mim. - Que tal nós irmos tomar sorvete? - Ele disse. - Por minha conta. - Eu... - Eu ia responder que não, mais a Carol me enterrompeu. - Está perguntando se a Isa, quer tomar sorvete? Ela é apaixonada por sorvete. - Ela sorriu, e me fez sorrir também. - Carol, eu vou perder o ônibus. - Todos sabemos que é só você ligar para Tati que ela vem te buscar na hora. - Está bem, eu vou. - Estão planejando fugir para onde? - A ju se aproximou, com a Bianca e o Ian. - Vamos tomar sorvete, querem vir? - O John disse, olhando para o Ian. - Você quer ir? - O Ian perguntou para a Bianca, que confirmou com a cabeça. - Claro, vamos. Todos seguimos andando para a entrada do colégio, onde fomos diretamente para a sorveteria que tinha lá perto. Estavamos sentados todos os seis em uma mesa na sorveteria, tomando sundae de chocolate ou no caso da Carol, um milkshake de banana. - A sua mãe e o seu pai já estão sabendo do seu namoro Carol?- Eu perguntei, depois de colocar uma colherada do meu sundae na boca. - Ah, não... eles ainda não sabem exatamente que eu voltei com o John. - Mas é importante que você conte. Você sabe disso, não sabe? - Sei, mais fiquei com medo depois do que ele aprontou na última vez. - Ela apertou os lábios para não rir, e o John ia protestar. - É eu me lembro, quando ele foi na sua casa vestido de emo, só pra te pedir que volte com ele, e o seu pai expulsou ele de lá com uma espingarda. - Eu ri. - Nem me lembre. E se ele quiser continuar vivo é melhor que nem apareça mais lá. - Todos na mesa riram. - Bem, ele disse que ia buscar a espingarda, mas antes disso, eu já tinha sumido de lá. - O John disse, e limpou o canto da boca da Carol com o guardanapo. - E é por isso que eu agradeço por ter uma sogrinha muito legal. - O Ian se gabou, e depois deu um rápido beijo na Bia. - Não se empolga muito com isso, às vezes ela é pior que o pai da Carol. - A Bianca que disse. - Nossa, eu achava que não poderia existir isso. - A ju riu, a Carol fez careta para ela, e todos da mesa riram. - Nossa! O papo desta mesa está muito bom, por que não me convidaram para sentar aqui? - O Léo se aproximou, sentando na cadeira ao meu lado. - Sobre oque estão falando? - Estamos falando de sogras, pedidos de namoro, espingardas... e tudo mais... - A ju riu. - Ah, eu adoro falar sobre isso, aliás, eu fui uma cara muito romantico não sei se vocês se lembram... eu pedi a Isa em namoro na frente de todos da festa de quinze anos dela, e ainda dei um anel. Como ela sempre tinha sonhado. Eu queria vomitar. - Isso é verdade... - A ju murmurou, quebrando o gelo que ficou depois que ele se sentou. - Ele foi muito romantico. - A Isa deve ter ficado muito nervosa, não é Isa? - A Carol me perguntou, me fazendo falar oque eu não devia. - Não. Eu não fiquei tão nervosa. Acontece que eu não esperava, mas pra falar a verdade Léo... - Eu olhei pra ele pela primeira vez desde que chegou. - Por que você fica sempre se gabando? De ser romantico, de ser isso, ou aquilo. Você não percebe que eu não quero falar mais sobre você ou sobre nós dois?! Oque te faz pensar que eu quero que você fale sobre isso com os meus amigos? Ele ficou me fitando com os olhos, sério, e sem responder. - Calma Isa, ele só está comentando. - Não Carol, ele só está fazendo isso para se gabar. Ele acha que ele é meu dono e que sempre vai ficar falando sobre isso, como se ele fosse sempre ser o meu primeiro e único namorado! - Mas eu fui o primeiro... - Ele ia murmurando, mas eu interrompi. - Olha... gente, eu já vou embora. - Eu me levantei, deixando o meu sundae inacabado. - Tchau, vejo vocês amanhã. E não precisam me seguir, eu quero ficar sozinha. Eu fiquei sentada em um banco de cimento que tinha perto do colégio enquanto esperava a Tati vir me buscar. Eu estava ouvindo músicas nos fones e ignorando as mensagens das meninas, que estavam me perguntando se eu estava bem. Acontece que eu não estava me sentindo confortável com o meu ex namorado me cercando onde quer que eu ia. E como meus amigos também eram amigos dele, ele se sentia no direito de fazer oque quiser. E isso me deixava furiosa. - Oque você está fazendo aqui sozinha? O Rick se aproximou, passando a mão no cabelo e segurando o celular com a outra. E quando viu que eu apenas virei o rosto, ele continuou: - Qual é o seu problema garota? - Sinceramente? É você! - eu olhei para ele. - É você que é o meu problema. - Eu disse, e atravessei a rua para entrar no carro da Tati, que tinha acabado de chegar, o deixando lá sozinho com uma expressão de confusão no rosto. Bati a porta do carro da Tati mais forte do que devia, ela sabia que eu não queria conversar então ficamos em silêncio até chegar em casa. - Como está indo no colégio? - ela perguntou, quando chegamos. - Sinceramente? - Eu perguntei, e ela acenou com a cabeça. - Normal. - Isso é r**m, não é? - Não Tati, isso não é pra ser r**m. Eu só estou cansada e vou subir para o meu quarto... - Ah... eu já ia me esquecendo, sua mãe está te chamando para um almoço importante na casa do Marcelo. - Oque? - Eu me lembrei que hoje ela estaria de folga do trabalho. - E quem é Marcelo? Ela inclinou a cabeça e apertou os lábios, gesto que conheço como se algo fosse óbvio. - Você está brincando não está? - Não. E ela disse que se você não aparecer, ela vai ficar muito chateada. - Isso n******e estar mesmo acontecendo. - Fica calma, não deve ser tão r**m. Agora sobe lá e se arruma, que ela está te esperando. Depois de ter inventado milhões de desculpas para não ir a esse almoço, e ver todo o meu esforço de evitar o Rick ir por água abaixo, a Tati me arrastou para a casa dele. E eu estava rezando em silêncio para que ele não estivesse lá, ou então meu dia estaria arruinado. - Filha, você veio! - minha mãe veio correndo me dar um abraço, toda feliz. Um cara alto, exatamente igual ao Ricardinho, mas uma versão mais velha e menos atraente (para mim) veio atrás dela. Todos sorrindo como se isso tudo fosse motivo de felicidade. - Eu queria que você conhecesse o Marcelo. Ele veio com as mãos erguidas pra me cumprimentar. - Olá. Tudo bem? - Tudo. - Eu tentei um sorriso, mas como denunciava minha camisa casual e meu short jeans desbotado, eu não estava nem um pouco a fim de rir. - Venham, já vamos servir o almoço. Ele me acompanhou, e fomos até a sala de jantar, m*l sabendo eles que eu já tinha estado aqui antes. E sentei em uma cadeira, pedindo por pensamento que isso acabe logo. Quando o Rick entrou, distraído, com os cabelos úmidos, oque indicava que tinha acabado de sair do banho, ele nem percebe minha presença até se sentar ao lado do pai. Eu vejo seu olhar de surpresa quando me vê, mas ele não falou nada, apenas sorriu e olhou para minha mãe, que tinha acabado de trazer uma travessa com um frango assado para a mesa. - Então tia Val, - ele fala, todo íntimo, - Por que não me disse que a sua filha estuda no mesmo colégio que eu? Como assim ''tia Val''? - Ah, eu devo ter me esquecido... mas, vocês já se conhecem? - Ela perguntou, se sentando ao meu lado. Eu respondo ''não'' e ele ''sim'', ao mesmo tempo, deixando minha mãe confusa. - Quero dizer... mais ou menos. - Ele completa, enquanto se servia com a comida. - Já nos falamos algumas vezes. - Mãe, oque você tem para falar, fala logo. Porque eu não estou com fome e quero ir para casa. - Eu disse, sussurrando para ela. - Calma, come um pouco, depois eu e o Marcelo temos uma coisa pra falar para vocês dois. Porque o Edu, a Sabrina, e a Natasha estão estudando, e eu sei que eles não entendem bem, e vocês como já são grandinhos, entendem. - Chega de mistérios pai, diz logo. - O Rick diz, impaciente. - Está bem. - Ele suspira, e olha pra minha mãe, esperando que ela fale. - Eu e o seu pai, Ricardo, queremos saber a opinião de vocês dois, antes de... darmos o próximo passo. - Vocês querem... - O Rick disse. - Namorar? - Achei que vocês já estavam fazendo isso! - Eu disse indignada, e constrangida por estar ouvindo isso. - Vocês não precisam da nossa autorização para isso. - O Rick disse, parecendo sentir o mesmo que eu. - Isso é do tempo das cavernas. - Eu digo, e reviro os olhos. - Bom... -minha mãe limpa a garganta, ignorando meu comentário. - Nós achamos melhor que vocês digam oque acham disso, para depois não fazermos alguma coisa que seja desconfortável para vocês. Oque acham? Ela me olhou e depois olhou para o Ricardo. - Eu... - Ele olhou para mim, antes de responder. Como se quisesse minha opinião. - Acho que só quero ver o meu pai feliz. E você faz ele feliz. Então... eu acho que tudo bem por mim. Ele sorriu e o pai dele também, e depois ele voltou a comer. Como se nada estivesse acontecido. - Isa? Meu Deus isso não podia estar acontecendo comigo, respirei fundo para não bancar a m*l educada. - Mãe... - Eu olhei bem nos olhos dela, vendo que ela estava muito feliz com isso. - Eu não tenho que achar nada, se você está feliz... é isso que importa. - Obrigada. - Ela sorriu. - Mas oque vai me fazer feliz neste momento, é que você fique e almoce com a gente. Ela terminou de me servir com um pouco de tudo que tinha na mesa (e tinha muita comida na mesa) e tudo estava com uma cara ótima, mas eu não tinha v*****e nenhuma de comer na presença do Ricardo. - Pode ficar à v*****e. - O Marcelo que já estava comendo, disse. - Obrigada. - Eu disse, só para ser agradecida. Afinal, ele não me fez nada. Foi o filho dele. - Come filha. - minha mãe acenou para mim, sorrindo como uma pateta. Eu mexi um pouco no meu garfo, e depois coloquei um pedaço de frango na boca. Mas quando eu vi que eles já tinham terminado, eu deixei o meu prato de lado. E quando me serviram com um pedaço de pudim gelado, eu fiz o mesmo. Eu não ia comer nessa casa, não vou comer na casa dele. - Filha, pode ficar à v*****e aqui na sala, que eu e o Marcelo vamos lavar a louça do almoço. - minha mãe disse, e foi na direção da cozinha com o Marcelo. - Tudo bem. ''Lavar a louça do almoço''? Fala sério?! Eles não tinham uma desculpa melhor para se agarrar? Eu sei que eles também tinham uma governanta. Eu sentei em um grande sofá de veludo vermelho e fiquei olhando algumas mensagem no celular. E então, o Ricardinho chegou na sala, se jogou no sofá da minha frente, estendeu as pernas no alto do sofá, ligou a TV pelo controle remoto, e colocou em um canal que estava passando o filme Velozes e Furiosos, ele aumentou no último volume. Eu acompanhei todos os movimentos dele com os olhos, não acreditando que em uma casa tão grande com tantos cômodos, ele tinha que ficar no mesmo que eu. - E ai? - Ele olhou para mim. - Oque está achando de tudo isso? Sua mãe não está aqui, pode falar a verdade. Eu revirei os olhos e continuei fazendo oque eu estava fazendo. Ignora Isabella. Ignora... - Qual é? Você n******e me ignorar para sempre, irmãzinha. - ele tentou me provocar, mas eu apenas ignorei. - Tudo bem... você pode escolher me ignorar. De repente, ele saltou do sofá dele para o meu, e chegou com o rosto pertinho do meu. Tão perto, que eu senti a respiração dele nas minhas bochechas. - Mas nós dois sabemos que não queremos que eles fiquem juntos. Então... temos que fazer alguma coisa rápido. - Eu não vou fazer nada! E nem você. Temos que deixar eles serem felizes, você é tão cretino à ponto de não querer a felicidade do seu próprio pai? Eu mudei de sofá, sentei no que ele estava sentado antes, e continuei olhando para o meu celular. - Por que você não disse oque acha de verdade, para o seu pai? - Eu apenas fiz oque você fez gata... eu menti. - Ele me olhou de soslaio, e depois voltou sua atenção para o filme. Como ele ousa...? - Eu não menti! Eu quero mesmo ver minha mãe feliz, e se isso significa ter que aturar você... eu arrisco. - Me aturar? - Ele inclinou o pescoço para trás, com uma gargalhada falsa e irritante. Depois ele saiu novamente do sofá dele e veio para o meu, chegando muito perto de mim novamente. - Nós dois sabemos que você ama... ficar perto de mim. Não é verdade? - Ele sussurrou cada palavra bem devagar, perto dos meus lábios. Eu sei que devia me afastar, mas eu não conseguia. Ele colocou uma mão devagar no meu rosto, e eu estava me rendendo, fechando os meus olhos. Faltava muito pouco para que os lábios dele tocassem os meus... muito pouco para mim sentir, oque eu queria sentir a muito tempo. Meu coração estava batendo tão rápido que estava tirando meu fôlego... eu me senti traída pelo meu próprio corpo. Eu precisava saber se eu gostava dele mesmo ou era só a curiosidade de sentir o sabor do seu beijo que me fazia ficar assim. Podia sentir a respiração dele desacelerando... ele ia me beijar. E eu ia deixar. Eu estava esperando, eu arriscaria tudo por isso. Mas eu só o vi pular para o outro sofá rapidamente, depois que ouvi os passos da minha mãe chegando da cozinha. - Oi? - Ela sorri para mim e depois pra ele. - Estão se divertindo crianças? - Mãe, será que eu já posso ir embora? É que eu estou muito cansada. Eu me levantei rapidamente do sofá e fui para perto dela, ainda tentando recuperar minha respiração ofegante. - Tem algo errado com você? - ela olhou para mim, preocupada, e em seguida para o Rick, que estava olhando para o filme. - Vocês dois estão pálidos. - Ah, sei lá mãe, deve ser o ar. Ela apertou os olhos, mas desiste. - Tem certeza de que quer ir? Está cedo. - Tenho. Hmm... mãe, você pode ficar. - Não. Está bem, eu vou com você. - Mãe, fique. - Eu disse entre dentes. - É sério, eu vou sozinha. Não é longe e a Tati está lá. Vou ficar bem... é sério, aproveite a sua folga. - Tem certeza? - Tenho. - Eu ia saindo mas voltei. - Não vai dar tchau para o Marcelo e para o Ricardo? - É claro, tchau Marcelo. Obrigada pelo almoço, estava tão bom. - Eu dei um breve aceno para o Marcelo, que estava atrás da minha mãe, e olho para o Ricardo em seguida, que ainda estava sentado no sofá, todo tranquilo. - Tchau... Ricardo. - Tchau Isabella. - ele respondeu, fingindo indiferença, quase não olhando pra mim. Minha mãe me acompanhou até a entrada e depois eu fui pra casa. *** Eu não acredito que quase joguei uma amizade de anos fora por causa de um garoto. É claro que se eu deixasse ele me beijar, ele ia sair contando isso para todos no colégio no dia seguinte. E então eu perderia minha amizade com a Ju, porque por mais que ela diga que não, eu sei que ela gostou dele, ou gosta... sei lá. Eu só sei que nós temos um pacto que diz que não podemos ficar com o garoto que a sua amiga ficou. Eu também sei que por mais que eles só ficaram uma vez, e não foi tão significativo para ele, mas talvez tenha tido algum significado para a Ju. Eu não podia arriscar... não posso arriscar perder uma amizade de tanto tempo só por causa de um garoto tão fútil, que ficaríamos no máximo só uma vez. É isso que ele queria, ficar comigo e depois me dispensar. É assim que ele fazia com todas as meninas. Mas ele estava enganado se pensava que ia ser assim comigo. Porque eu não era esse tipo de garota.
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