Depois da aula de Matemática, veio a professora de Literatura, e elas só vieram para se apresentar para os alunos novos e fazer aqueles discursos super chatos de como aquele ano não seria como os outros anos e blá blá blá, eu só fiquei checando as novidades nas redes sociais no meu celular, disfarçando para não ser pega.
Depois veio o intervalo, a hora que todo mundo se conhece e faz ''A festa''.
Eu e minhas amigas fomos pra cantina e cada uma comprou um sanduíche, eu e a Carol compramos suco, e as meninas, refrigerante, compramos uns chocolates também e fomos sentar no banco do pátio.
- Já estava com saudades do sanduíche do colégio. - A Bia disse, dando mais uma mordida em seu sanduíche de queijo.
- E eu do suco. - eu disse, e sorri.
- Eu também. - a Carol disse, tomando um pouco do seu suco de abacaxi e menta.
Então nós ficamos conversando sobre as férias, a Carol contou como foi ir pra Disney com a família, a Ju contou que passou as férias na casa da avó, eu contei e mostrei fotos da minha viagem pra praia. A Bianca ficou em casa com a mãe dela, sonhando acordada com o ''príncipe encantado''. Eu já sabia quem era.
- Oi gatinhas. - Um garoto de altura mediana e cabelos castanhos super lisos, que se parecia muito com o Justin Bieber, se aproximou da gente.
- Oi Vitor. Como foram as férias?
- Foram legais, da cama pra cozinha, e repete... Você sabe. - ele riu.
- Eu sei. - ri também. - Claro que eu sei.
Ele era nosso amigo desde o ano passado, quando caímos na mesma sala. Ele era tão fofo e engraçado, então eu e as meninas sempre gostávamos de incluir ele no g***o.
- Oi meninas. - o Gabriel se aproximou.
Gabriel também era nosso amigo e ficamos novamente na mesma classe, ele era um moreno asiático, olhos castanhos e se parecia muito com uma versão mais nova do Taylor Lautner. Ele era muito fofo também, mas quase não conversava com ninguém, sempre foi muito quieto.
- Gostei do look Gabriel. - a Ju riu, se referindo ao piercing no canto do lábio inferior dele.
- Eu também gostei, você resolveu virar ''punk''? - a Bianca disse.
- Resolvi. - ele riu, envergonhado. Se ele fosse um pouco mais alto e talvez ao menos uns dois anos mais velho, eu poderia me apaixonar por ele.
Mas o fato de sermos amigos, fez essa possibilidade ser nula.
- Olá para todos.
- Olha quem estava faltando, - a Carol disse. - O "doutor" Pedro.
O Pedro, era o mais inteligente da turma. Ele literalmente tirava nota máxima em tudo, era quase inacreditável. Sempre que eu tinha uma dúvida em alguma matéria, eu tirava com ele.
- Futuro... doutor. - ele sorriu, convencido. Ele também era gato, pra quem curtia o estilo pele clara, cabelos castanhos, alto e estilo "nerd" sarado.
E assim que se passou nosso intervalo: o g***o conversando, rindo, contando as novidades, se conhecendo e falando sobre as fofocas que aconteceram nas férias.
Era muito assunto pra pouco tempo.
Depois que acabou o intervalo, todos foram pra sala e continuaram conversando, mas logo chegou a professora de Geografia, e calou todo mundo. Ela fez todo mundo se apresentar com o nome e a idade, como no ensino fundamental. Era tão frustrante ter que passar por isso de novo.
Ao todo eram vinte alunos na nossa sala, na primeira fileira perto da porta eram: a Carol, eu, Vitor, Gabriel e Camila (aluna nova), na segunda eram: Juliane, Bianca, Pedro, Fernando (o piadista da sala), e Rafael (aluno novo). Na terceira fileira ficavam Bruna (a única competidora à altura do Pedro), Enrique (o bom em matemática), Mateus (o aluno mais gato da sala), Lucas (atacante do time de futebol do colégio), e Felipe (aluno novo).
Na última fileira eram: Michelle (a invejosa, vivia dando em cima do Ian, mesmo sabendo que a Bianca gosta dele), Manuela (a minha cópia barata e falsificada, ela implicava comigo desde o ensino fundamental, porque ela gostava do Léo e ela me odeia por ele ter me escolhido, ao invés dela) Cristina (falsa, tinha sido nossa amiga no ano passado, mas só pra poder pegar informações e passar pra Manuela), Ágata (a mais falada, ficava com qualquer garoto que aparecia), e Alex (o puxa saco da Ágata).
O colégio era dividido assim: cada um com o seu estilo de vida, tinham os punks, os góticos, as "patricinhas", os largados, os jogadores de futebol, os inteligentes, os comprometidos, os que não quer nada com nada e os que visitam todos os dias a sala da direção. Eu ainda não sei à que g***o pertenço.
Mas espero muito que não seja de nenhum.
Depois de todos se apresentarem, tivemos aula de História, com a professora Dora.
No final da aula, meu celular tocou e era uma mensagem do Léo, o garoto que namorou comigo durante três meses no ano passado, nós terminamos simplesmente porque tinhamos muita coisa em comum. Muitas coisas mesmo.
- Amor, vamos na lanchonete pra tomar um sorvete?
- Não, obrigada Léo. Talvez na próxima. - respondi e guardei o celular.
Ele ainda me tratava como se ainda estivéssemos juntos, oque era bem irritante as vezes.
- Meninas vocês estão com v*****e de tomar sorvete? - eu perguntei, quando estávamos saindo da última aula.
- Vamos? - a Carol perguntou para a Ju e para a Bia.
- Eu não vou poder ir por que tenho que chegar mais cedo no curso de espanhol. - A Ju disse.
- E eu no de inglês. Tchau amigas. - A Bia me deu um beijo no rosto e saiu.
- Tá bom, tchau. - olhei para a Carol. - Eu só vou mandar uma mensagem pro Léo... - eu ia pegando o celular.
- Não precisa, olha ele ai.
- Oi meu amor. - o Léo chegou e beijou minha bochecha. - Oi Carol.
Ele usava uma camiseta azul com as mangas dobradas até os cotovelos, uma calças jeans apertada, e usava um boné pra trás. Ele é um garoto alto com olhos catanhos, cabelos escuros, e malhado até demais para alguém de dezesseis anos, com abdomêm tanquinho. O sonho de todas as meninas.
Menos o meu.
- Oi Léo, e meninos. - a Carol disse, cumprimentando os amigos do Léo, que eram o Ian, o Diego, e o John.
- Léo eu mudei de idéia, vamos tomar sorvete, eu e a Carol vamos ir com você.
- Tá, o John vai ir também.
- Por que o John? - a Carol interrompeu.
- Porque só eu posso ir, os meninos vão estar ocupados. - o John disse, dando um sorriso provocador. - Por que você não quer que eu vá? - ele estava com as mãos no bolso da calça apertada.
- Não, por nada. - a Carol estava segurando a mochila por uma alça.
- Então? Vamos logo. - eu disse, interrompendo a angústia da minha amiga.
- Vamos. - Léo respondeu, me abraçando e indo pra lanchonete que tinha na esquina do colégio.
O John e a Carol ficaram conversando um com o outro enquanto tomavam sorvete, eles até estavam se dando bem, mas o Léo só tinha me chamado pra tomar sorvete, pra ficar pedindo que eu volte a namorar com ele. Eu já disse que não mais de mil vezes, nunca daria certo, mas ele disse que não ia desistir tão fácil de mim e a Carol e o Jonathan riram disso.
Eles me acompanharam até o colégio novamente, quando terminamos de tomar sorvete e o ônibus já tinha chegado.
Depois nós nos despedimos, e o Léo conseguiu roubar um beijo de mim na frente de todo mundo, me pegando totalmente de surpresa. Eu entrei no ônibus correndo, coloquei os fones de ouvido no último volume da música e fui embora.
Não acredito que ele fez isso. Eu estava com muita raiva.
Quando eu desci do ônibus na minha parada, alguém pegou no meu ombro, então eu tirei os fones de ouvido e vi que era o garoto que eu tinha esbarrado no colégio mais cedo.
- Oi. Que coincidência você aqui, seu nome é Ricardo não é?
- Sim. E o seu é Isabella?
- É. Você lembrou. Oque você está fazendo por aqui?
- Eu moro por aqui.
- É mesmo? Eu nunca te vi.
- Eu acabei de me mudar, moro na rua de trás. - Ele fez um sinal com a cabeça, apertanto os olhos por causa do sol.
- Legal.
- Você vem sempre de ônibus pra casa?
- Sim, a minha mãe não me da carona. - eu apertei os lábios, sem graça.
- Nem o meu pai.
- E então... você mora onde?
- Aqui nessa casa. - eu apontei para minha casa ao lado.
- Casa bonita. - ele sorriu, olhando pra fachada da minha casa, mas só conseguia ver as palmeiras altas e o portão. - Será que você pode me dar seu número? É que eu estou precisando me enturmar.
Ele parecia sincero e modesto, então eu não pude dizer não.
- Claro. - Peguei o celular dele e marquei meu número na agenda.
- Obrigada. Eu vou te mandar um ''oi''.
- Claro.
- Até amanhã.
- Tá... tchau.
Eu fui pra minha casa e toquei a campainha, enquanto isso olhei para o Ricardinho descendo a rua, ele andava de uma forma particular... um pouco estranha e ao mesmo tempo bem legal.
Como um anjo com preguiça, seria a melhor descrição, eu ri com meus pensamentos bobos.
Esse garoto era mesmo muito estranho.