7 horas antes...
[Beatriz ?]
O Veiga estava reagindo bem aos tratamentos; como diz o ditado "já tá pronto pra outra".
O Coringa não tá sabendo da sua melhora, senão ele vai querer fazer as coisas do jeito dele, e o jeito dele não é a melhor forma de se resolver.
Entrei no quarto em que o Veiga estava e encontro ele comendo.
Beatriz: Como você tá? - Entrei no quarto e fechei a porta.
Veiga: Melhor. - Largou o prato de lado e me encarou.
Beatriz: Que bom! Finalmente chegou a hora de tirarmos a Emanuelle da Rocinha. - Cruzei os braços.
Veiga: O Coringa tá sabendo disso? - Neguei. - Como não?
Beatriz: Não te interessa. Agora é o seguinte, já sabemos da existência do seus irmãos, principalmente o caçula, se você ousar fazer alguma m***a, eles tão mortos! - Dei de costa.
Veiga: Como assim, do que você tá falando? - Olhou assustado.
Beatriz: Já estamos sabendo que você não matou o Lobato a mando do Tubarão.
Veiga: Eu não podia fazer isso com ele.
Beatriz: Você deixou o filho do Tubarão vivo, agora é trabalho duplo pra tirar a Emanuelle de lá. - Ele negou. - Agora der seu jeito.
Veiga: Eu não posso garantir nada. - Olhei pra ele.
Beatriz: Eu também não. - Sorrir debochada.
Veiga: Como eu vou sair daqui?
Beatriz: O Barreto vai te levar até a entrada da Rocinha, já que ele não pode passar; de lá, você dar seu jeito de pegar a Emanuelle e trazer ela pra cá. - Me aproximei dele. - O seu irmão também está lá, então pensa bem no que você vai fazer. - Segurei o rosto dele.
Veiga: Caô! - Bateu na minha mão.
Beatriz: Toma cuidado com o Lobato, se ele souber que você vai tirar a minha filha de lá, ele vai te impedir. - Passei a mão no rosto e baixei a cabeça.
Beatriz: Quando for a hora eu te aviso.
Veiga ?
Me arrumei e fiquei esperando o Barreto vim me pegar; confesso que tava um pouco nervoso.
Fiquei sentado na cama olhando pro chão, tentando controlar a minha respiração que tava ofegante... nem entrei no morro ainda e já tô assim.
Nunca fiquei nervoso desse jeito pra uma missão, mas agora era diferente, eu tinha que resgatar a Emanuelle e ao mesmo tempo, assegurar que ninguém fizesse nada com o Leonardo.
O que mais esquenta minha cabeça é que eu falei pra Camila não levar o Leonardo pra Rocinha por nada nesse mundo. Você me ouviu? Nem ela.
Com o Leonardo lá, vai ficar tudo ainda mais difícil.
Estava estralando os dedos quando o Barreto abre a porta.
Barreto: Vamo, vamo. - Me chamou com a mão.
Me levantei rápido e fui até ele.
Entramos dentro do carro discretamente e saímos no Alemão.
Barreto: O Tubarão não tá no morro, mas o Lobato tá. - Pegou um fuzil que estava no banco detrás do carro.
Veiga: Não vai embora, me espera eu voltar com ela. - Ele me encarou. - Tenho outros bagulho pra resolver.
Barreto: Ainda.
[...]
O Barreto me deixou um pouco antes da Rocinha, então eu fui de pé até lá.
Quando eu chego na entrada, uns caras começou a me encarar, me vendo se aproximar.
XXX: Vai pra onde? - Me barrou.
Veiga: Pra onde eu vou, não te interessa, agora avisa pro Tubarão que eu tô aqui. - Encarei ele e depois seguir o meu caminho.
Geral já sabia que eu era o filho do Tubarão, o que facilitou a minha entrada.
Eu não tava por dentro do que tava acontecendo aqui, então, tava com medo de ser pego de surpresa.
Não pensei muito, fui direto pra casa do Tubarão.
Com certeza Camile está lá.
XXX: Pra onde esse gatinho está indo? - Olhei pra trás e era uma mulher falando comigo.
Fiquei calado e continuei caminhando.
XXX: Então é você o famoso Veiga? Pera, mas você não tava no Complexo do Alemão. - Parei de nadar e encarei ela.
Veiga: O que você quer? - Perguntei sem paciência.
XXX: Nada ué, só fiquei curiosa pra conhecer o filho do chefe. - Pois a mão no meu ombro.
A minha vontade era de arrancar o braço dela fora, mas não queria perder tempo procurando a Camile.
Veiga: Já que você tá bem informada de tudo por aqui... você sabe dizer onde é que tá o Lobato ou a Camile? - Perguntei baixo.
XXX: Ouvir falar que ele estava na frente da salinha com os meninos, a sua irmã, eu não sei não. - Saiu andando.
Fiquei encarando a p*****a sair do meu campo de visão e fui pra salinha.
De longe eu já conseguia ver o Lobato discutindo com a Camile.
Fui me aproximando até que ele me viram e encaram assustados.
Camile veio correndo em minha direção pra me abraçar.
Camile: Como você tá, p***a? - Me abraçou.
Veiga: Tô bem. - Afastei ela.
Fui até o Lobato e ele me encarava de braços cruzados.
Veiga: Colfoi, Lobato? - Ele negou com a cabeça.
Camile: Fala pra ele, Lobato! - Bateu nele.
Encarei o Lobato, que em silêncio tava, em silêncio ficou.
Veiga: O que é que tá pegando? - Olhei pra Camile.
Camile: Ele trouxe o Leonardo pra cá, sem que eu sou soubesse, e ainda... - Apontou pra salinha.
Não esperei ela terminar a frase, entrei na salinha preste a derrubar a porta.
Quando eu entro, vejo o Leonardo deitado no sofá e a Emanuelle encarando ele.
Entrei na salinha e fiquei encarando ela.
Tava quase vomitando, ela tava com m*l cheiro, cheia de hematomas pelo o corpo e toda suja de sangue.
Camile: Você precisa tirar o Léo daqui. - Falou entrando na sala. - E quanto a ela... - Ajeitei o meu fuzil nas costas. - Ela não pode ficar viva. - Eu neguei.
Veiga: Você tem que sair daqui. - Falei com a Emanuelle.
Camile: Como assim, Veiga? - Puxou o meu braço. - Você vai tirar essa v*******a daqui? Esqueceu o que ela fez contigo, p***a?! - Gritou.
Veiga: Colfoi, c*****o? - Empurrei ela. - Vai ficar nessa mermo, mano? - Perguntei cheio do ódio. - Esse showzinho é por vingança ou ciúmes por causa de macho? - Os olhos dela começou a encher de lágrimas.
Camile: Eu passei todos esses dias sem dormir direito, preocupada contigo... - Começou a chorar.
Veiga: Se eu ainda tô vivo, é por causa da mãe dela. - Fui até a Emanuelle e comecei a desamarrar ela.
Lobato: Veiga... - Entrou na sala.
Joguei a corda que estava amarrada na Emanuelle e olhei pra ele.
Lobato: O Coringa matou o Tubarão. - Encarei ele assustado.
Camile: NÃOOOOOOO! - Gritou. - Não, não, não, não...
Na hora eu perdi todos os movimentos do meu corpo, não sentia absolutamente nada.
Caiu no chão sem conseguir sustentar o meu corpo.
Manu: Me desculpa, me desculpa. - Falou chorando.
Ela se agachou e entrelaçou a minha mão na dela.
Manu: É tudo culpa minha. - Falou soluçando.
Eu ouvia umas vozes bem longe, a visão toda embaçada e o corpo e a língua dormente.
Fiquei uns minutos sentado no chão tentando voltar ao normal.
Me levanto, tiro o meu fuzil das costa e coloco em cima da mesa.
Camile: O que a gente vai fazer? - Me abraçou.
Veiga: Vamo fazer o que deve ser feito. - Me afasto.
Odeio bagulho de abraço, papo reto.
Veiga: Lobato, leva Emanuelle até a casa do Coringa, e diz toda a verdade, fala que agora essa p***a tá no meu comando. - Falo encarando o Leonardo, que continuava dormindo.