[Emanuelle ?]
Entrei no carro com o Lobato e fiquei em silêncio.
Por fora eu estava fechada, nem parecia que estava tão abalada emocionalmente.
Eu só queria um abraço aconchegante; o abraço da minha mãe, talvez, até o abraço do cara que eu achava que o Lobato era.
Lobato: Eu sinto muito por tudo que aconteceu. - Colocou a mão em cima da minha e eu tirei.
Fiquei encarando olhando pra vista através da janela do carro, tentando esconder as lágrimas que estavam escorrendo no meu rosto.
Lobato: Nunca que eu ia querer que você passasse por isso, por minha culpa.
Manu: Já passou. - Cortei ele.
Lobato: Eu preferia ter morrido mil vezes, mas nunca te ver desse jeito. - Neguei com a cabeça.
Manu: Não ache que você se "culpando" - Fiz aspas com a mão. - Vai me fazer aliviar o ódio que estou de todos vocês.
Lobato: Eu não quero que alivie o seu ódio, você tem todo o direito do mundo de me odiar.
Manu: Você transando com a loira gostosa e eu aqui sofrendo igual uma troxa. - Neguei com a cabeça.
Lobato: Foi tudo muito rápido... quando eu vi, a gente já tava muito envolvido.
Manu: Como aconteceu comigo, não foi? - Sorrir debochada.
Lobato: Quero que saiba que tudo que sentir por você enquanto nós estávamos juntos, foi sincero pra c*****o. - Mordi o lábio inferior.
Manu: Só cala a boca e faz o que o seu "novo chefe" mandou. - Fechei a cara. - Me leva pra Búzios. - Ele me encarou. - Não tô afim de olhar pra cara do Coringa.
Lobato: Você chamando todo mundo pelo o vulgo é novidade. - Neguei.
Manu: Vocês são tudo farinha do mesmo saco.
Lobato: O que você quer dizer com isso?
Manu: Vocês se acham um melhor que o outro, mas na real mesmo, são tudo a mesma coisa, nenhum vale nada.
Lobato: Eu tentei negociar com o seu pai... - Encarei ele. - Mas ele disse que não queria negociar, que eu poderia fazer o que quisesse com você.
Manu: É sério que você esperava que ele ia me salvar? - Meus olhos começou a encher de lágrimas.
Lobato: Ele já tinha um plano articulado. Ele te ama, você é filha dele... mas ele é o Coringa, não se espera muita coisa vindo dele. - Sorriu.
Manu: p***a, Pedro... - As lágrima começou a escorrer.
Lobato: Independente de qualquer parada, eu te amo pra c*****o. - Passou a mão no meu rosto. - Só não te dou um abraço, porquê tu tá fedendo pra c*****o.
Manu: i****a. - Revirei os olhos.
Lobato: Tu poderia ter puxado a sua mãe e parar de ser toda chata. - Dei o dedo do meio pra ele.
Manu: Onde tu tava em todo esse tempo?
Lobato: Tava com a Camile e com o Leonardo. O Veiga tem o coração bom, até que não envolva a família dele no meio. O Veiga fez a cabeça do seu pai dizendo que eu era o filho do Tubarão; se ele não fizesse isso, o Tubarão ia m***r o moleque.
Manu: Mas o Léo não é filho dele? Ele ia m***r o próprio filho? - Ele negou.
Lobato: Nem o Veiga sabe quem é o pai dele, a mãe pariu o menino e jogou tudo nas costas dele e caiu fora. - Olhei assustada .
Como uma mãe tem coragem de fazer isso com o próprio filho?
Manu: Ele é um amor. - Sorrir.
Lobato: Uhum, o moleque é raro.
Manu: Como você acha que o Coringa vai reagir quando souber que quem é o filho do Tubarão é o Veiga?
Lobato: No mínimo, vai querer m***r ele. - Cocei a cabeça. - Manu? - Olhei pra ele. - O Veiga não faz favor de graça pra ninguém, ele vai te cobrar por ter te tirado de lá.
Manu: Eu sei me virar. - Ele começou a rir da minha cara. - Que foi, otario?
[Coringa ☠️]
Não entendi legal quando a Beatriz falou que tinha ajudado o Veiga a sair do morro.
Porra, eu faço os bagulho tudo direitinho, arquitetado e ela faz uma cagada dessas.
Já tava certo, era só m***r o Tubarão, subia a Rocinha e pegava a Emanuelle.
Óbvio, não ia ser fácil assim, mas eu já sabia o que teria que fazer.
Quando a Beatriz disse que a Emanuelle ligou falando que tava nos esperando em Búzios, eu desconfiei.
Foi com a gente vários carros com os vapor, não tô doido de confiar de ir sozinho.
[...]
Quando eu passei pela a porta da sala que não vi ninguém, já fiquei desconfiado.
Olhei pra Beatriz, que tava atrás de mim, e ela me olhava curiosa.
Beatriz: O que foi? - Pegou na minha mão.
Coringa: No tem ninguém aqui.
Beatriz: Como não? Vamos entrar. - Soltou a minha mão e começou a rondar o apartamento todo.
Quando ela entrou no quarto, eu só ouvir o grito.
Beatriz: Emanuelle? O que fizerem com você? - Corri pra ela o que era.
Quando entrei no quarto, encontro as duas abraçadas.
A Emanuelle estava enrolada de toalha, com o cabelo molhado.
Quando eu olho para as costas dela, eu vejo vários hematomas.
Elas se desgrudam uma da outra, deixando visível os ferimentos do rosto de Emanuelle.
Coringa: Onde tá o Lobato e o Veiga? - Me aproximei delas.
Manu: As coisas não é bem como vocês pensam. - Encarei ela. - O Lobato nunca foi o filho do Tubarão, e sim o Veiga. - Deu um murro na parede.
Coringa: Eu sabia que tinha alguma coisa estranha. Bando de filhos da p**a! - Passei a mão na cabeça.
Manu: O Veiga não matou o Lobato porquê não queria ficar com a consciência pesada, por m***r um "inocente" - Fez aspas com a mão. - Nem o Tubarão sabia que ele estava vivo.
Beatriz: O Veiga? - Emanuelle negou.
Manu: O Tubarão sempre sabia o que acontecia no morro justamente porquê o Veiga falava; mas o Veiga não disse que tinha forjado à morte do Lobato, se ele soubesse, já teria matado.
Coringa: E onde eles estão?
Manu: Estão na Rocinha. O Veiga ainda mandou um recado... - Fiz sinal pra ela continuar. - Mandou te dizer que agora ele é o novo chefe.
Coringa: Não é simples assim.
Manu: Se é ou não, eu não sei, mas ele mandou te dizer isso.
Coringa: E esses hematomas aí? Quem foi? - Apontei para as penas dela.
Manu: A irmã do Veiga.
Coringa: Veste a roupa, precisamos conversar com você. - Sair da sala e em seguida a Beatriz veio atrás.
Avisei pros caras nos esperarem lá embaixo.
Sentei no sofá e fiquei cabisbaixo esperando a Emanuelle vim.
Beatriz: Será que vai ser seguro pra ela. - Levantei a cabeça.
Coringa: E você acha que aqui é seguro?
Manu: O que vocês estão falando? - Se aproximou.
Esperei ela sentar no sofá pra poder conversar.
Coringa: Quer começar ou eu começo? - Perguntei pra Beatriz.
Beatriz: Nós vamos morar no Complexo do Alemão. - A Emanuelle me encara assustada.
Manu: Como assim, "nós"? - Se levantou.
Coringa: Aqui não é seguro pra você.
Manu: Nossa, e naquele morro é muito seguro, né? - Me peitou.
Coringa: Abaixa a voz pra falar comigo. - Me levantei também.
Beatriz: Vamos conversar com calma, senta, Emanuelle. - E me puxou. - Lá você vai ter o seu pai por perto...
Manu: "Seu pai..." como se ele fizesse papel de pai. - Cocei a cabeça tentando me segurar pra não explodir.
Beatriz: Vai ter os vapor, eu, suas irmãs... lá você vai está rodeada de pessoas, aqui não .
Manu: Eu não quero me esconder do mundo por causa do Coringa. - Começou a chorar.
Beatriz: Não é por causa do Caio, é por causa de você. Isso não é pra proteger ele e sim para te proteger.
Coringa: E isso não é uma reunião, pra discutir o que você acha melhor; é um aviso que a partir de hoje você vai passar a morar no Complexo, até que você complete a maior idade e decida o que quer fazer com a vida.
Manu: Eu não vou.
Coringa: Vai sim! E outra, é do colégio pra casa; E agora que você sabe que o Lobato tá vivo, pode esquecer que ele existe, senão, ele é um cara morto.
Manu: Mãe... - Olhou pra Beatriz.
Beatriz: Não rebate.