Pesadelo narrando.
Cheguei em casa com a cabeça a mil, esses negócios da Luana tem mexido com a minha mente, odeio ficar nesse clima chato entre a gente.
Passei pela sala e ela estava lá de braços cruzados e com aquela cara de b***a, já vi que vem m***a por aí.
Tentei passar despercebido, mas aquela ali tem o faro da minha mãe, assim que me viu já me lançou logo aquele olhar de quem vai m***r você.
Luana: Quem você pensa que é pra proibir a minha entrada na boca? – Levantou e veio bater de frente comigo que não estava entendendo nada.
Pesadelo: Está ficando maluca p***a? Fala direito comigo. – Falei no mesmo tom que ela.
Luana: Eu fui lá na boca hoje e quando fui entrar na sua sala um segurança disse que você tinha p******o a minha entrada e não queria ser interrompido, e nem vem com as suas desculpas baratas pra cima de mim por que eu sei bem que você estava trancado lá dentro com aquela p*****a. –Quase gritou na minha cara e eu respirei fundo para não perder a paciência.
Pesadelo: Eu não proibi ninguém de entrar lá Luana, muito menos você. – Passei a mão na cabeça ficando de saco cheio. – Eu sou o dono do morro agora Luana, a mãe dela estava devendo aos traficantes e ela foi ver o que podia fazer, simples.
Luana: Foi quitar a dívida esfregando a b****a dela na sua cara Pedro? Por que agora você é o dono do morro respeitado, mas até ontem você era um m***a igual a mim.
Pesadelo: Para de falar m***a c*****o, você sabe que nunca houve essa diferença entre nós...se eu estou no topo você também está, se você está na m***a eu estou junto com você p***a. – Gritei impaciente.
Luana: Não é isso que as suas atitudes dizem. – Falou negando com a cabeça e subiu pro quarto dela batendo a porta.
PORRA!
Essa garota só pode estar ficando maluca, nem de longe essa é a Luana que eu conheço.
E de onde ela tirou que eu proibi a entrada dela na boca??
Quando eu penso que já estou com a cabeça cheia o suficiente ela me vem com mais essa.
Subi pro meu quarto e tirei a minha camisa fazendo uma carreirinha de ** e cheirando tudo de uma vez.
Se a minha mãe me visse aqui eu estaria fodido, mas ninguém agüenta ficar com a mente sã suportando a p***a da vida.
Não faço mais idéia do que fazer pra controlar todo esse transtorno que a Luana me causa, mas que c*****o.
Eu não posso ter me tornado tão submisso a uma mulher assim.
Se essa mulher soubesse que quando meus olhos se perdem no nada é ela quem domina a p***a da minha mente.
Fiquei paradão refletindo a minha vida e aquele silencio pra mim estava se tornando uma coisa torturante.
Joguei tudo de lado e fui bater na porta do quarto dela.
Pesadelo: Abre essa porta Luana, vamos conversar na moral. – Bati na porta algumas vezes e nada, chamei e nada da desgraçada abrir.
O jeito é arrombar essa p***a, não quero nem saber.
Se não falar comigo no amor vai ser no ódio.
Quase cai no chão junto com a porta, mas está tudo sob controle.
Rodei o quarto da desgraçada todo e ela não estava, vi a janela aberta e fiquei puto pra c*****o, não acredito que ela pulou dessa altura só pra fugir de mim.
Soquei a parede com força fazendo a minha mão sangrar e coloquei uma camiseta pegando a chave da minha moto e indo atrás dela.
Acha que vai ser fácil assim se livrar de mim.
Subi entre as vielas acelerando ao máximo que eu podia e sem ver quase nada na minha frente.
Eu estava com sangue nos olhos e adrenalina nas veias.
Quando cheguei quase no fim do morro num pequeno mirante que havia ali aonde nos sempre vínhamos desde que éramos crianças.
Vi ela abraçada com aquele filho da p**a do C2 e pra mim aquilo foi a gota d´agua para que eu explodisse, já estava deixando coisa demais passar batido.
Eu vou mostrar pra eles quem é que manda nessa p***a.
Desci da minha moto com tudo em direção a eles e nem me liguei no fato dela ter caído mesmo sabendo que mais tarde eu vou chorar por causa disso.
Ignorei todos e tudo que poderia estar a minha volta e fui cego em direção a eles o puxando pelo pescoço e jogando no chão.
Naquela hora ele deu um sorriso com deboche pra mim e parecia que tudo tinha ficado em câmera lenta, eu nunca senti tanto alivio em bater alguém como estou sentindo agora.
A Luana tentou me tirar de cima dele, mas dessa vez ela não conseguiu...empurrei ela pro lado e continuei socando a cara daquele i****a vendo o sangue voar pra todo lado.
Caio: Você ainda vai se arrepender..- Falou com dificuldade cuspindo o sangue que estava em sua boca e bastou só mais um soco para que ele ficasse desacordado.
E só assim eu consegui parar, quando toda ou pelo menos parte da minha raiva tinha sido descontada ali.
Levantei passando a mão pelo meu rosto e vendo o corpo dele estirado no chão, sorte se ainda estiver vivo.
Olhei de relance para os lados e vi as poucas pessoas que estavam na praça nos olhando horrorizadas.
Ri sem humor, que sirva de exemplo para o próximo que pensar em mexer com o que é meu.
Senti o corpo dela bater contra o meu me dando vários socos no abdômen e no estado em que eu me encontrava aquilo ali nem fazia diferença.
Luana: VOCÊ É DOENTE PEDRO, DOENTE. – Me olhou assustada como nunca havia feito antes. – SAI DAQUI SEU i****a, SAI!!!- Me empurrou pra fora e começou a chorar gritando por ajuda ao lado do corpo dele.
Não acredito que mesmo depois de tudo isso ela ainda vai ficar do lado dele.
Eu só posso ser um i****a mesmo.
Fui até a minha moto correndo e subi nela mesmo estando totalmente arranhada e com alguns amassados.
Pilotei até não ter forças mais, a minha vista já estava embaçada com o choro que estava preso e eu já não estava aguentando mais nem ficar em pé.
Fui para um barraco que eu tinha escondido no morro e entrei sem que ninguém me visse indo direto para debaixo do chuveiro gelado antes que eu caísse em algum lugar do tanto que a minha cabeça estava rodando.
Minha perdição...
Vigia, desconfia, ameaça, intimida, oprime, prende, machuca e pode até m***r.
Ela me causa tudo isso de uma só vez e até hoje eu ainda não consigo entender como eu cheguei a esse ponto.
Nunca fui bom com isso de demonstrar sentimentos, eu brigo, mudo do nada, não meço palavras e tenho um ciúme fora do normal, por mais que seja quase impossível admitir isso pra mim mesmo.
Ninguém nunca vai ouvir isso da minha boca.
E é por isso que a minha mente grita com tantas coisas que eu guardo pra mim.
Se o meu amor for neurótico, se for possessivo e doentio, eu só poderia ensinar às pessoas um amor neurótico, possessivo, doentio...
E sei dentro de mim que ela não merece nada disso.
Então quanto mais longe eu me manter dela, vai ser melhor pra ela que se machuca ao descobrir todas as besteiras que eu sou capaz de fazer por ela.
Mesmo sem saber de todo esse sentimento, eu sei que algo arde no peito dela tanto quanto no meu...