04 - Vivendo na sombra.

1005 Words
Luana narrando. Acordei e já fui direto tomar o meu banho, dormi além da conta e ainda estou cheirando a bebida. Passei os meus cremes e coloquei um conjuntinho da Nike simplesmente perfeito, o dia estava lindo e eu que não iria ficar em casa. Estranhei todo o silencio que com certeza não é nada comum, procurei nos cômodos da casa e realmente não tinha ninguém, suspirei frustrada. Vai ser difícil me acostumar com não ter aqueles velhos pra brigar comigo todo dia. Fui pra cozinha comer alguma coisa e ouvi a porta sendo aberta e o meu padrinho entrar. Lua: p***a vocês não sabem bater no c*****o da porta? – Falei estressada. Cobra: Eu não estou gostando desse seu caráter. – Semicerrou os olhos e cruzou os braços. – Como estão as coisas por aqui? – Perguntou se sentando na bancada a minha frente. Lua: Pra falar a verdade as coisas estão complicadas, o Pesadelo surtou de novo e dessa vez não tem a mãe pra obrigar ele a me pedir desculpas. – Fiz biquinho e ele riu sem humor. Cobra: O teu irmão só quer te proteger, não fica crucificando ele por que você também está errada. Lua: Mas eu não fiz nada demais, apenas o que ele faz em qualquer lugar com essas piranhas ai do morro. – Revirei os olhos. Cobra: Quando foi a última vez que você viu ele se agarrando com alguém? – Ri da pergunta b***a que ele fez e parei pra me recordar que fazia um bom tempo que eu não via nem ele dando em cima de ninguém. – É tudo questão de respeito Luana, você só tem 15 anos. Lua: A sua mãe com 15 anos estava grávida de você. – Falei com deboche. Cobra: E olha bem a m***a que ela fez. – Falou como se fosse obvio e nos rimos. – Você merece muito mais do que passar o resto da vida em uma favela fugindo da policia. – O que ele falou realmente mexeu comigo. Lua: Desculpa padrinho. – O abracei e ele me deu um beijo na testa. Cobra: Não é bem pra mim que você tem que pedir desculpas. – Falou e eu entendi o que ele quis dizer. Fomos saindo de casa e ele me deu 50 reais pra comprar um açaí, eu que não sou boba nem nada vou juntar pra fazer uma tatuagem. Eu posso até ir falar com o Pesadelo, mas antes eu vou sair com aquele gatinho, ninguém mandou ele empacar a minha noite, agora ele que espere. Desci até a praça pra encontrar com o Caio e pra minha sorte ele já estava lá, nos cumprimentamos com um beijo no canto da boca e fomos até a lojinha da dona Fátima comprar o meu açaí que ele se ofereceu pra pagar e é óbvio que eu não recusei. Ficamos conversando sem sinal de segundas intenções e num clima super gostoso, até que eu olhei pra rua e o bonitão estava passando com aquela p*****a na garupa dele. O ódio me subiu e eu me virei ignorando e beijando o Caio antes que eu fizesse alguma besteira, o que não seria nada bom agora. Nos separamos por falta de ar e ele me olhou surpreso com aquilo e parecia ter gostado, ele também não beija nada m*l. Caio: Você deveria parar de se preocupar com o que o seu irmão pensa das coisas que você faz. – Falou desviando o olhar e eu fiquei sem entender. Lua: Do que você está falando? Caio: Você só me beijou pra fazer raiva nele, mas você não precisa disso, até por que ele não se importa por que sabe que é melhor que você. – Falou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Lua: Como é que é? Caio: Luana ele é o dono disso tudo, se ele quiser mandar m***r você ele faz e pra fazer comigo não vai demorar, mas para pra pensar que você tem o mesmo direito que ele, então porque ele banca essa marra toda pra cima de você? – Falou me fazendo ficar indignada e pensativa. – Não me leva a m*l não ta, só estou dizendo o que a maioria das pessoas pensam. – Disse e eu permaneci calada. Lua: Eu sou respeitada por todos, o que você está falando não tem nada haver. – Falei isso mais pra mim do que pra ele. Caio: Claro, você é respeitada por ser irmã do chefe, como antes era por ser filha do Terror...mas cadê o seu nome sem estar atrás de um deles? – Disse me deixando sem resposta. – Eu tenho que ir pra boca, mas pensa no que te falei..e reza pro seu irmão não me m***r. – Me deu um selinho demorado e saiu me deixando com aquilo na cabeça. Será que realmente é isso que as pessoas pensam de mim, que eu só vivia atrás da sombra do meu pai e agora do meu irmão...não é possível. Terminei de comer o meu açaí e fui pra boca no puro ódio do Pesadelo. Estava prestes a abrir a porta e tacar o meu chinelo na cara dele quando um vapor me segurou me impedindo de entrar. Lua: Está ficando maluco p***a? – Ele me soltou ficando na frente da porta e eu cruzei os braços. Vapor: São ordens do chefe, ele está ocupado e você não está permitida de entrar aqui hoje. – Falou sério e eu ri. Lua: Avisa pro filho da p**a do seu chefe que o que é dele está guardado e você vai ser o primeiro que eu vou mandar m***r quando eu for dona disso tudo aqui. – Falei seria e ele deu uma risada ridícula debochando da minha cara. Sai de lá soltando fogo pelas ventas e seguindo o meu caminho pra casa. Eu não acredito que aquele desgraçado fez isso!
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