17°

1422 Words
Antigamente a minha família era uma família grande, éramos em três filhos, meus pais, além dos tios, tias e primos, sempre fomos muito unidos, mas quando o Polegar resolveu acabar com a minha vida, ele realmente acabou com a minha vida. Meu pai está morto, ou melhor dizendo, praticamente morto, em uma briga comigo o meu pai estava aqui, ele entrou na minha frente para me defender e apanhou bruto, meu pai foi pro hospital e nunca voltou, minha mãe foi obrigada a ir embora com meus irmãos e nunca tive notícias. O meu pai a última vez que eu soube, estava em protocolo de morte cerebral, não sei como está o tratamento, se ele veio a falecer ou não, se foi enterrado ou onde foi enterrado, me foi tirada a oportunidade de cuidar da minha família, de conviver com a minha família. Hoje completam quatro anos desde que isso ocorreu, e a última vez que soube da minha família foi dois dias depois do que ocorreu com meu pai, e eu nunca vou esquecer daquela cena, meu pai ensanguentado no chão, o Polegar possesso da vida batendo no meu pai, e eu não chão espancada também, sem ter como ajudar. Lobão: está calada demais, o que foi?- pergunta parando o carro no semáforo vermelho. Eu: pensamento longe- falo e ele confirma com a cabeça. Lobão: tava pensando em que? Eu: minha família - falo e fico calada novamente - Hugo, você acha que se eu pedir, você consegue localizar minha mãe e meus irmãos?- pergunto olhando para ele com esperança. Lobão: o que aconteceu com eles?- pergunta me olhando por um breve momento. Eu: é uma história muito longa e muito dolorosa para mim ainda, mas tem haver com o Polegar, sempre tem haver com ele- falo e ele confirma com a cabeça. Lobão: depois me manda os nomes, mas por esse celular aqui- fala abrindo o porta luvas e me entrega um celular simples- é um celular fuleiro, mas como você já tem o seu, tem que ser algo fácil de esconder e só para você falar comigo e com a Priscila. Eu: com a Priscila? O número dela tá aqui?- pergunto sorrindo. Lobão: eu falei que ia arrumar um jeito de tu falar com ela- fala e eu já trato de mexer no celular ansiosa. Eu: obrigada- falo feliz já mandando mensagem para a minha irmã do coração. [...] Saio da sala da faculdade mexendo no celular que o Hugo me deu, conversando com a senhora minha amiga, mas assim que eu percebo uma movimentação diferenciada eu já deixo o celular escondido na bolsa e pego o celular que meu marido me deu. Meu celular vibra umas duas vezes e eu ouço a barra de notificações do Polegar, faço careta e nem me preocupo de ver o que é, passo na lanchonete da faculdade e pego um energético, saio da faculdade já procurando o Hugo, mas a única pessoa é o meu marido. Eu: oi amor, você pela pista, o que tá acontecendo?. Polegar: nada não amor, só vim buscar minha mulher mesmo, mostrar que tô apoiando tu terminar sua faculdade aí - fala e já me puxa me beijando- vamos para casa?- chama e eu n**o com a cabeça. Eu: tenho salão marcado- falo e ele me olha meio assim, mas confirma com a cabeça. Polegar: só passar o endereço que eu te deixo lá. [...] Estou há umas três horas no salão já, e nada do Polegar sair daqui e me deixar sozinha, já fiz manutenção do meu alongamento, já fiz pedicure, cabelo, só falta depilação e acabou, e nada do Polegar me dá paz ou espaço, tá aqui igual meu segurança, vez ou outra ele sai para falar no telefone, mas volta logo. Polegar: vai demorar aí ainda?- pergunta vendo a cabeleireira começando a secar meu cabelo. Eu: vou terminar o cabelo e fazer minha depilação e a sobrancelha- falo e ele confirma com a cabeça já olhando o relógio. Polegar: daqui tu vai sair?- pergunta e eu confirmo com a cabeça. Eu: vou na esteticista, vou fazer o bronze e vou por meus piercings de novo - falo e ele fica me olhando por um tempo e confirma com a cabeça. Polegar: vou deixar um dinheiro contigo e vou voltar, vou mandar um vir te acompanhar, te liga hein, tô no seu rastreio - fala levantando e vem na minha direção. O Polegar tira um pequeno malote do bolso e bota na minha mão, ele me dá um beijo e sai andando para fora do salão, espero um bom tempo até ver o carro dele passando e reviro os olhos já limpando a boca com a mão, logo o dinheiro na bolsa e pego o outro celular, e a cabeleireira só me olhando. "Poderia ter me avisado que o Polegar ia me buscar na faculdade" Enfio a mensagem para o Hugo e demorou para ter a minha resposta, um vapor da confiança do Polegar chega no salão e senta onde ele tava antes, finalizo tudo o que tenho que fazer e ele me leva para a esteticista, entro e já vou direto para o consultório e o vapor queria me seguir. Eu: você espera aqui fora- falo séria e ele fica na dúvida. - o patrão mandou eu te acompanhar em tudo patroa. Eu: não tenho como sair sem você ver, você vai esperar na recepção, você não pode nem entrar aqui- falo e ele confirma com a cabeça e fica parado na porta. - espero aqui então- fala e eu reviro os olhos já entrando no consultório. [...] "Não tive como avisar, tinha que deixar você surpresa." "Tava com a Alana também, tive que dar um jeito dela tirar a atenção da gente." Recebo as mensagens do Hugo e já fico com uma pulga atrás da orelha, jogo o celular na bolsa antes de sair do escritório e vejo o vapor me esperando, pago a clínica no dinheiro e saio com o vapor para o carro. Eu: a Alana está lá em casa?- pergunto sentando no banco de trás do carro. - Chefia, pelo o que eu tô sabendo a Alana tava com o Lobão hoje, pelo menos quando eu sai eles tavam juntos. Eu: ela faltou ao trabalho então? - Não chefia, o patrão liberou a marmita pro Lobão traçar e devolver lá pra casa- fala e eu confirmo com a cabeça já ficando irritada. Maldito Cretino, ele me paga, ah se me paga, e vai me pagar direitinho... Não que eu esteja com ciúmes do Hugo, longe de mim, a gente nem tem nada, não passou de alguns beijinhos, nada mais do que isso. Dou um sorrisinho vitorioso já sabendo o que eu vou fazer, e assim eu sigo o resto dos meus compromissos e quando chego em casa já vou direto para o meu quarto, tomo um banho delicioso e quando saio já faço meu trampo para ficar extremamente cheirosa, visto um pijama de cetim preto com renda, nem tão comportado e nem sensual demais, na medida. Desço descalça com o meu celular na mão e o cabelo molhado, entro na cozinha vendo a Alana sorrindo enquanto arruma as coisas, ignoro ela e me sirvo um copo de água gelada. Polegar: Rebecca- entra em casa me chamando. Eu: na cozinha amor- falo deixando meu celular de lado e entra na cozinha me olhando dos pés a cabeça. Polegar: p**a merda- fala já vindo na minha direção e me agarra com vontade, nem se importando com a Alana na cozinha - fez a marquinha? Deixa eu ver deixa- pede eu mostro a marquinha para ele toda manhosa- delícia, hoje vou comer carne assada- fala mordendo meu ombro e ouvimos uma tosse forçada. Olho para a entrada da cozinha e vejo o Lobão sério, com a mesma cara de sempre, mas seus olhos estão mais escuros que o normal, e a forma sua mandíbula está travada e seus olhos levemente cerrados já dizem tudo. Eu: por que não disse que não temos visita?- pergunto abraçando o Polegar. Polegar: te vi assim e perdi o rumo mulher, desgraçada- fala e desce um tapa na minha b***a- sobe lá e se arruma, a gente vai comer no bar de um parceiro meu, tenho umas coisas para resolver - manda e eu obedeço. Entro no quarto e vou correndo escovar a boca, nojento do c*****o, se o plano fosse só matar ele, ele já estava morto, mas tanto eu como o Hugo queremos destruir o Polegar.
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