16°

1261 Words
Na manhã seguinte eu desço já pronta para o pagode que vai acontecer, entro na cozinha e vejo a mesa do café pronta, dona Alana já deve ter vindo aqui hoje, me sento para tomar café da manhã sozinha, até o senhor Hugo entrar vestindo uma nova roupa Ele olha bem em volta e vem na minha direção, sua mão segura meu rosto e ele me beija com vontade, sua língua me dominando com vontade, suas mãos em mim, mesmo que sem mãos bobas dessa vez, só de sentir a firmeza como ele me segura, é de outro mundo. Lobão: bom dia, diabinha - fala e me dá mais um selinho antes de se sentar do outro lado da mesa. Eu: você é maluco, alguém pode nos ver- falo e ele da de ombros. Lobão: quem diabinha? Meus homens que estão na contenção? A Alana que nem deu as caras aqui hoje? Ou o corno do seu marido que dorme igual um porco lá em cima?- pergunta e eu estreito os olhos. Eu: se a Alana não veio aqui hoje, quem preparou esse café da manhã?- pergunto e ele bate no peito. Lobão: eu sou bom em muitas coisas, inclusive em cozinhar - fala e meus olhos se estreitam ainda mais. Eu: eu acredito só porquê a maioria aqui é comprado- falo e ele fecha a cara. Lobão: aí você tira onda comigo - fala e eu dou risada - deixa eu te dizer, falei com meu parceiro hoje, sua amiga tá de boa lá, tá se dando bem no trampo, tá felizona lá, vivendo igual passarinho- fala e eu abro um sorriso maior que meu rosto. Eu: você jura? Ela está bem assim?- pergunto e ele confirma com a cabeça. Lobão: eu cumpro o que eu prometo. Eu: obrigada, você fazendo algo para o bem dela, está fazendo para o meu também - falo sorrindo e me levanto para pegar café- deixa eu preparar o cafezinho do meu marido- falo pegando um comprimido e novo no café dele para dissolver. Lobão: o que é isso?- pergunta me olhando atento. Eu: calmante- falo e ele levanta tirando o comprimido da minha mão. Lobão: para com isso, não quero você dopando o seu marido, quero ele bem alerta para quando eu for matar ele- fala baixo e pega o café derramando- nunca mais faça isso. Eu: ele é insuportável quando está em alerta. Lobão: isso já vai acabar, e eu vou levar você comigo para Paraisópolis - fala e beija minha boca- diabinha, diabinha, sua liberdade está mais próxima do que você imagina- fala e se afasta voltando para a mesa. [...] O pagode está rolando que é uma delícia, nenhuma vagabunda na minha casa além da Alana, claro, mas dessa quem está cuidando é o Hugo, e eu estou como a boa esposa que sou, estou sentada no colo do meu marido, passando toda minha pose de boa esposa. O Polegar está conversando com alguns parceiros de negócios dele, falando sobre um carregamento que vai chegar de armamentos, e e junto vai chegar um dinheiro que ele tá precisando para cobrir um rombo que ele mesmo fez. Claro, meu marido não disse que foi ele que fez o rombo, porém para uma pessoa que mora com ele, sabe os gastos dele e tem acesso livre a sua planilha de valores do complexo, que é bem desorganizada, eu sei que foi ele mesmo quem fez esse rombo. Observo de longe a Alana de olho em nós dois, cantando "Fora da Lei" do Nosso Sentimento, tudo de olho no meu marido, e eu fingindo que não estou vendo nada, aqui eu estou cega, surda e muda. Polegar: vai na onde?- pergunta segurando meu quadril quando eu tento levantar. Eu: por meu celular para carregar - falo mostrando que o aparelho está sem bateria. Polegar: vai demorar? Eu: vou passar no banheiro, homem fica tranquilo, aproveita a tarde, estamos em casa- falo impaciente e levanto indo para longe dele. Desço para o meu quarto e coloco o celular para carregar, olho em volta vendo que não existe mais nenhuma câmera de segurança, vou até o guarda-roupas e fuço as coisas do meu marido com cuidado, até achar o caderninho de anotações dele. Lobão: o que está fazendo?- pergunta baixo enquanto entra no quarto e tranca a porta atrás dele. Eu: Polegar vai receber um carregamento amanhã. Lobão: eu sei disso- fala se aproximando. Eu: sabe que vai vir dinheiro nesse carregamento também? Um dinheiro que ele tinha com um cara de não sei onde, para cobrir o rombo que ele mesmo deixou no orçamento - falo e ele n**a com a cabeça. Lobão: como você sabe que o rombo é culpa dele? Eu: tá tudo aqui- falo e ele pega o celular tirando foto das páginas que eu lhe mostro. Lobão: ele pode nos pegar aqui- fala enquanto eu devolvo o caderninho para o mesmo lugar. Eu: vamos ter que ser discretos na hora de sair- falo e ele confirma com a cabeça. Lobão: mas antes- fala e me puxa para um beijo gostosinho- só para você lembrar de quem você pertence - fala e eu dou risada. Eu: vigia na Alana, ela tá só de olho em você. Lobão: ela acha que eu tô com alguém e usando ela de fachada - fala e eu estreito os olhos. Eu: ou ela desconfia de nós dois, mulher não é i****a Hugo- falo e ele confirma com a cabeça. Lobão: eu sei diabinha, vou ficar mais de olho nela, mas fica tranquila, ninguém vai descobrir se nós dois - fala e me beija de novo. Eu: já estamos demorando demais aqui. Lobão: eu vou sair de fininho, tu fica um tempo deitada e finge que tá mexendo no celular, ou que tá com sua enxaqueca chata - fala e me beija novamente antes de sair do quarto olhando para os lados. Me deito na cama um pouco e fico olhando para o teto, não demora muito e o Polegar entra no quarto com o copo dele na mão e a cara fechada. Polegar: qual foi? Vai subir mais não?- pergunta vindo na minha direção. Eu: tô esperando o celular pegar uma carga- falo e ele n**a com a cabeça já me pegando pelo braço. Polegar: larga o celular um pouco, bora, vai ficar lá em cima, não paguei essa p***a atoa para você ficar no quarto não - fala me levando para fora do quarto. Subimos para a lage novamente e ele volta a sentar no lugar dele e me puxa para sentar no colo dele novamente, fico só observando o ambiente, aqui só tem envolvido e suas esposas, e eu olhando bem o ambiente que eu estou. Todo mundo aqui se respeita, isso me faz lembrar o que meus irmãos sempre me diziam, "o bagulho do complexo é um só, todo mundo se respeita até certo ponto, mas aqui não passa de uma competição de poder, quem é mais, quem tem mais e quem pode ter mais, aqui é todo mundo unido, mas sempre tem um de olho para ter sua cabeça numa bandeja". E realmente, todo mundo fala como o crime é unido e que isso e aquilo, mas é unido até certo ponto, até onde é válido para todo mundo, porquê aqui um tá de olho no que o outro tem, já vi muitos se matarem entre si por causa de poder e dinheiro, os verdadeiros ali que tão fechados com você é só os da sua mesma patente, e olha lá.
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