ELLA.
- Porque você não tem o seu pai e a sua mãe, repentinamente, pela justiceira, Robin Hood, ninguém mais pode ter? - ele questiona da forma mais rude imaginável.
- Você odeia ver famílias felizes, porque você não tem uma, Ella. - ele pontua olhando para mim e isso dilacera o meu coração, literalmente, e nem devia, porque essa não é a verdade.
- O seu pai comprou uma briga que ele sabia que iria perder, e perdeu. - ele fala como se fosse apenas isso. - E sofreu as consequências. - ele diz próximo de mim, olhando nos meus olhos.
- Você acha que me afrontar fazendo essa merda, é algo inteligente depois do que aconteceu com o i****a do seu pai, hamn, Ella? - ele questiona prendendo o meu queixo na sua mão e eu sinto os meus batimentos cardíacos acelerarem.
Ele bate na parede atrás de mim, bem quando eu achei que ele bateria em mim, mas ele me soltou.
- Você tem noção da merda que fez? - ele questiona, me olhando como se tivesse perdido o controle, e eu juro, que eu estou mais embasbacada pelo facto dele estar desse jeito do que por outra coisa e eu estou me sentindo m*l, mesmo não devendo.
- Que merda foi que eu fiz? - eu assumiria isso num instante, mas eu só não o faço pelos meus amigos.
Apenas por isso, afinal, ele não tem prova nenhuma, ele está usando apenas a desconfiança dele como instinto.
- As vezes eu me questiono se você sabe realmente com quem se meteu. - ele diz mesmo duvidoso.
- Você pode enganar ao meu pai, ao meu irmão, quem você quiser, mas eu leio você, melhor do que você mesma conseguiria, Ella. - ele diz e eu sinto-me despida com o seu olhar, mas me recuso a ceder porque é justamente o que ele quer.
- Por vezes a culpa por estar a fazer a coisa errada, desperta em nós desconfiança, pelos nossos próprios atos, Riina. - eu falo olhando nos olhos dele. - A morte da sua avó, fez você questionar exatamente a questão que eu gostaria que você tivesse pensado quando foi atrás de mim, você sabe com quem está se metendo? - eu questiono-o olhando nos seus olhos.
- Como eu disse ao seu pai, aceitar a morte é extremamente difícil, mas é solução mais fácil. - eu falo olhando nos olhos dele. - Ou deveria ser para vocês, afinal vocês são os donos do jogo como você falou agora. - eu menciono retrucando.
- A sua avó perdeu o jogo e se foi, e agora a culpa vai ser minha? - eu questiono-o olhando nos seus olhos e o fogo de raiva paira no seu olhar azul.
- Ah... - eu me faço de sarcástica. - Aí não vale. - eu falo.
- Você bateu no meu melhor amigo, sem razão alguma, e eu nem sei a p***a do estado dele. - eu falo nervosa. - E eu com certeza teria razões para ter feito como você diz, com a sua família tão feliz, que você não suporta tanto que fez de tudo sempre para ficar o mais longe possível. - eu jogo na cara dele.
- Eu não tenho pai e mãe porque o seu pai os tirou de mim. - eu jogo na cara dele. - Me deixe fazer o mesmo, e você seja menos triste que eu, e depois que eu tiver feito você assistir todos eles sumirem, não venha atrás de mim, me deixe construir a minha família feliz também, e você se conforme, não justiceiro, okay? - eu falo ironicamente e o rosto dele, mostra irritação.
- Você machuca... - eu perdi.
Lágrimas cedem e vertem pelo meu rosto.
Porra...
- Você machuca todos a minha volta sem razão nenhuma. - eu falo sentindo o meu peito apertar olhando para ele. - Você massacrou o meu melhor amigo, p***a! - eu exclamo p**a e ele encara-me furioso.
- O seu melhor amigo... - ele fala sarcástico rindo irritado. - A minha avó morreu... - eu a matei e quem se importa? - Porque se importa com ele? - ele questiona realmente zangado. - Porque eu devia me importar com ele? - ele questiona como se, argh!
- Ele é o meu melhor amigo, e você o bateu sem a merda de razão nenhuma, eu não sou p***a nenhuma sua, e mesmo assim você bateu nele, Alexander. - eu falo nervosa e o seu maxilar cerra. - E agora se acha no direito de me insultar e questionar inclusive sem a merda de prova nenhuma e sem resultado de autópsia nenhuma... - ele me corta imediatamente.
- Melhor amigo? - ele balbucia fulo e eu reviro os olhos.
Ele tira o seu olhar de mim, e caminha até a porta visivelmente, irritado.
Quando eu pensei que ele ia retornar, ele saiu e os seus homens entraram.
O Jake inclusive.
Eu inspiro fundo, sugando as minhas lágrimas.
- Você tem se comportado como uma autêntica selvagem. - o Jake diz olhando para mim e os meus olhos até machucam com a forma que eles aquecem de tanto que eu retenho as lágrimas.
- O que estão a fazer aqui? - eu questiono fula.
- O que acha, levar você daqui porque como sempre já causou distúrbio que baste. - em outro momento eu retrucaria, mas eu só não consigo ver o rosto da Clarisse agora.
Fazendo a história curta, eles meteram-me no carro e a minha cabeça estava martelando a todo o vapor.
Porém, tranquila.
A autópsia apenas confirmará o diagnóstico dito pelo médico mais cedo, e até eu confirmar, o Alexander terá de viver com essa desconfiança.
Tal como eu desconfiei do pai dele ter raptado e traficado a minha mãe.
Nada equiparado, mas oh, só porque ele está fulo, ele acha que eu ficarei junto, ele está demasiado enganado.
Eu entrei no quarto e lavei o meu rosto, e melhor do que estava, depois do tempo no carro, e simplesmente tirei a minha roupa, pois, as calças mancharam com café, que a Clarisse derrubou em mim, e coloquei umas calças de linho de cor branca e uma blusa branca, chinelos, e alguns acessórios dourados.
E fui para a varanda ansiosa, frustrada, indignada, curiosa.
Mas depois de uns trinta minutos, eu vi todos os carros entrando em fileira, o carro do Alexander entrou primeiro, e ele tambme saiu do carro primeiro.
O seu olhar subiu nessa direção fisgando o meu imediatamente e o meu coração falhou.
Ele está visivelmente furioso e por um instante eu estou duvidando das minhas habilidades.
Não demorou muito, até a porta ser aberta e eu procurei me manter calma, olhando nos olhos dele e fechando a porta da varanda atrás de mim.
- Então? - eu o questiono e eu vejo o maxilar dele cerrar enquanto ele me observa, quando o seu olhar afina, bem no meu pescoço.
- O que é isso? - ele questiona se aproximando e olhando para o meu pescoço e eu dou um passo para trás me dando conta que ele está falando da marca que a Clarisse deixou no meu pescoço.
- No que isso interessa você? - eu o questiono frustrada, principalmente quando ele toca no meu pescoço e isso descontrola de forma impura todos os meus hormônios.
O seu olhar suaviza, mesmo ele demonstrando ódio ainda, mas dessa vez, não parece ser de mim, e isso simplesmente baralha mais o meu cérebro.
- Quem fez isso com você, Ella? - ele questiona retirando o seu olhar do meu pescoço que ele alisa com o seu polegar, até ele levantar o seu olhar azul para o meu e o meu coração simplesmente falhar outra vez.
Que merda...
- Foi a Clarisse. - eu o respondo, retirando a mão dele do meu pescoço atordoada e ele inspira fundo, me observando frustrado.
- Foi por isso que estava suja de café, chorando no banheiro? - ele questiona-me e o meu peito aperta, me lembrando do que aquela i****a falou.
- Você me viu chorando, por acaso? - eu questiono-o defensiva.
- Várias vezes, para alguém tão sanguinária como você. - ele fala como se eu fosse a mafiosa aqui e eu reviro os olhos.
- Do que a sua avó morreu? - eu questiono-o mudando o rumo da conversa e ele passeia os seus olhos em mim cerrando o seu maxilar e essa era a confirmação que eu precisava que mais uma vez, eu fui bem sucedida.
- Humn... - eu falo fazendo uma careta debochada. - A sua cara diz que o diagnóstico não me acusa em nada. - eu falo e ele me observa.
- Eu acho que me deve um pedido de desculpas, se é que sabe fazê-lo. - eu digo para ele, que me observa.
- Eu não acredito no resultado da autópsia, e muito menos em você, Bourne. - ele diz e a sua entonação deixa-me arrepiada. - Eu sei que foi você quem fez isso. - ele afirma e eu engulo em seco.
- Negação é um estado extremamente perigoso, Alexander. - eu digo para ele que sorri.
- E se meter comigo, é mais ainda Ella. - ele diz e eu estou confusa, se ele tem tanta certeza eu me questiono o porquê ele está calmo.
Eu não estou gostando disso.
- E eu deixei isso avisado para você. - ele conclui. - Eu espero que você não chore clamando por piedade como fez da outra vez. - ele diz e o meu coração falha, mas eu sorrio, sem conseguir esconder mais merda nenhuma.
- Eu garanto para você que eu não o farei. - eu digo olhando para ele furiosa. - Eu não pretendo clamar por piedade para um monstro como você novamente, porque no final das contas você não cumpre com merda nenhuma. - eu falo e ele passeia o seu olhar azul em mim.
- Você está viva, e eu não cumpro com a minha palavra. - ele diz indignado. - Os seus amiguinhos continuam a viver a vidinha deles, porém, eu não cumpro com a minha palavra. - ele diz se aproximando de mim, e a tensão existente nesse momento é indescritível.
- Isso faz algum sentido para você, Robin Hood? - ele questiona-me e os meus batimentos cardíacos aceleram.
- Você bateu na merda do meu melhor amigo, Alexander Riina. - eu falo furiosa, ignorando absolutamente todo o resto que ele já fez comigo até agora.
- O seu melhor amigo, você está se escutando p***a? - ele questiona furioso.
- Eu estou! - eu exclamo com o meu coração apertado, e eu nunca me senti tão descontrolada antes.
- ELE ESTÁ EM COMA POR SUA CAUSA! - eu grito, sentindo o meu peito apertar, culpa tomar todo o meu corpo e lágrimas formarem-se no meu olhar e eu sei exatamente o que dei para ele, mas a esse ponto, não existe mais ponto algum de resistir o óbvio.
- Isso é cumprir com a merda da sua palavra? - eu o questiono batendo no peito dele de raiva.
A mesa foi para o chão num milésimo e tudo se estilhaça no chão, no momento em que o resquício de dúvida some da sua cabeça.
- Você é doente? - ele questiona literalmente levando dois dos seus dedos para a cabeça gesticulando, o fogo e fúria no seu olhar é nítida, mas é tudo recíproco.
- Você é quem é doente. - eu retruco e ele olha para o teto, exibindo a tatuagem no seu pescoço, enquanto passa ambas as mãos pelo seu rosto, respirando fundo, como se clamasse por paciência e autocontrole.
- Ter matado a minha avó não irá salvar você e nem o seu amigo patético. - ele diz com a voz baixa, porém um tanto ameaçadora e potente que mesmo eu não querendo tem um efeito em mim. - Isso só irá somar no que eu pretendo fazer com você. - ele fala com tanta fúria, que nem a Clarisse, a fúria dele se faz ouvida por mim enquanto a fúria da Clarisse soa pela minha cabeça.
- Faça, então p***a. - eu digo para ele, e visivelmente o irrito mais. - Oh, espera... - eu falo levantando as minhas mãos. - Pelo quanto eu conheço você, você não pode fazer isso agora, porque precisa preparar a cerimônia de luto da sua avó, e tem de preparar algum lugar húmico, escuro e com cobras para o fazer não? - eu o questiono retoricamente.
- Você consegue ser pior e mais triste do que eu imaginava. - ele diz, me olhando desgostoso e sorri. - Eu realmente não tenho tempo para você agora, eu realmente tenho uma vida para cuidar, depois dos problemas que você causa por não ter uma. - ele fala e sorri minimamente, obviamente não um sorriso alegre e eu retribuo. - Matar a minha avó, será um problema seu por lidar, e oh, você não faz ideia do tamanho da merda que acabou de se meter. - ele diz oscilando o seu olhar no meu. - Achou que isso fosse me magoar? Ou, oh, a merda na sua cabeça disse para você que isso traria o maldito do seu pai de volta? - ele questiona perfurando o meu olhar e eu sinto facada atrás de facada no meu rosto.
Eu sorrio de dor.
- É inútil falar com você, você não entende. - eu falo sentindo o meu peito apertar.
- Quando você não foi dado amor numa colher de ouro, Alexander, você aprende a tirar isso lambendo facas. - eu falo e sorrio sentindo uma lágrima se formar no meu olhar sabendo que ele não entenderá merda nenhuma.
- Eu não quero a sua pena, ou a sua piedade, e tão pouco tenho medo de você. - eu deixo claro. - Faça o que quiser, Riina, eu estou mais do que preparada para qualquer merda que você fizer. - eu deixo claro.
- E não, eu não matei a sua avó, porque eu queria machucar você. - eu falo fixando o meu olhar no dele para ver se ele entende que ele não é o centro do meu mundo. - Eu, não me importo com você. - eu falo pausadamente para ver se ele entende, e eu vejo um traço de irritação no seu olhar agora frio.
- Mas se não machucou você, é porque você é filho do seu pai, não sentem merda nenhuma, o que não é inesperado. - eu falo e sorrio.
- O meu pai não irá voltar e adivinhe, eu tenho consciência disso desde sempre. - eu falo para ele. - Porque eu vi o seu pai tirar o meu de mim. - eu falo apontando para ele enquanto limpo o meu rosto com a palma da minha mão. - E olhe, isso não tem nada a ver com você. - eu acrescento fingindo surpresa.
- O seu pai tirou o meu pai de mim, e eu tirei a mãe dele para o inferno. - eu falo orgulhosa e o maxilar dele cerra. - Novamente, a minha razão é clara e não teve nada a ver com o seu ego, Alexander Riina, herdeiro todo poderoso, de Bratva e La Cosa Nostra. - eu falo sarcasticamente.
- Mas você deixou o meu amigo em coma, e por quê? - eu questiono-o desentendida?
- O que ele fez para você, para você ousar deixá-lo em coma, hein? - Que razão você tinha para isso, além da sua possessão? - eu o questiono frustrada e bem no momento em que eu o questiono batidas soam na porta, fazendo nós os dois retirarmos os nossos olhares um do outro respirando FUNDO.
A tensão existente é a mais densa e tensa que alguma vez experienciei.
Eu viro-me para o vidro da varanda limpando o meu rosto, enquanto senti ele caminhar até a porta.
Oh, isso só irá de m*l a pior, mas não é como se eu esperasse algo diferente.
Nós somos declaradamente inimigos e isso jamais foi novidade para ninguém.