Heyoon Kim.
O James está deformado.
Que horror!
Ele foi massacrado, aquilo não foi somente bater, ele foi literalmente massacrado, para estar no estado em que está.
E o pior de tudo, foi que quando o médico chegou, não havia muito que pudéssemos fazer na mansão do Kaio.
O caminho até ao hospital foi uma cena aterrorizante, o Kaio foi com o James na ambulância e eu no carro com um dos seguranças dele.
Isso tudo parece ser um pesadelo.
O que deu na cabeça desses dois?
Ninguém entende como a cabeça desses dois realmente funciona.
Porque caralhos, ele iria ousar se aproximar daquela mansão.
Até a rua é privada, com certeza possui mais seguranças do que o próprio presidente, sem contar o tipo de pessoa que está lá.
O que ele achou que conseguiria fazer sozinha, se nem a Ella, o fez?
Eu juro que esses dois um dia irão acabar com a minha sanidade.
O James acordou por instantes ainda na mansão do Kaio, mas, para o assunto ficar pior do que já estava, ele entrou em coma.
COMA.
O medo mesmo era que ele não resistisse aos golpes destilados nele, mas o estado vegetativo, não é realmente algo que nos deixa mais tranquilos.
- Preste atenção, Heyoon. - o meu chefe diz, assim que quase deixo cair a loiça na minha bandeja ao regressar para a cozinha.
- Desculpe. - eu falo atordoada, deixando isso na bancada.
Eu inspiro fundo, porque hoje todo mundo veio jantar no restaurante, ele está atolado, e é o meu turno.
Mas a minha cabeça está em outro lugar.
O James continua no mesmo estado, eu fui com o hospital com o Kaio mais cedo junto com a minha mãe, e para piorar, o pai do James estava lá fulo, e toda a imprensa também.
Sinceramente, eu não sei em que tipo de problemas o James estará com o pai, quando ele acordar, e eu não acredito que digo isso, mas é bem melhor que ele acorde o mais rápido possível, mas se recupere ainda lá, porque ele e o pai, que é uma pessoa influente, não se dão nada bem.
- Vá para casa. - ele diz e eu o encaro, confusa.
- Não, o restaurante está cheio, não é preciso. - eu falo para ele retirando essa ideia da cabeça dele.
- Você não está bem, e se continuar aqui, só irá me causar prejuízo. - ele diz retirando a bandeja da minha mão e eu suspiro fundo. - Você cobre dois turnos no domingo. - ele diz complacente e eu sorrio.
- Combinado então. - eu falo retirando o meu avental aliviada, porque eu realmente não serei de grande ajuda hoje.
Pior sem notícias da Ella, que ao invés de me ligar, ligou para a amiga dela Laisa por algum motivo que até agora só o Kaio sabe, já que ele também é amigo dela.
- Me dê notícias do James assim que tiver. - ele diz e eu assinto indo pegar as minhas coisas.
- Pode deixar. - eu o respondo saindo daqui.
Eu saio do restaurante pelas traseiras e coloco os meus fones, um pouco mais segura vendo os seguranças do Kaio a uma certa distância.
Eu caminho pela estrada escura, mas como não saí muito tarde ainda tem pessoas por aqui.
- ... - eu suspiro olhando para esse lugar que simplesmente não é o mesmo sem a Ella por perto.
Definitivamente, e nem é um exagero.
No dia em que ela se mudou para cá, absolutamente tudo ficou diferente e já fazia um tempo que eu morava aqui com a minha mãe e aquele senhor, que era o meu padrasto, eu não tenho memórias vividas de como viemos parar aqui ou em que momento a minha mãe se relacionou com ele, por trauma, ou por ser muito nova, quem sabe.
Mas c*****o, todo esse bairro que é simplesmente esquecido no mapa, tornou-se diferente com a presença dela, quando a mesma se mudou para a casa na frente da minha.
Ela é um mistério para todos, e presa imenso pela privacidade dela, porém, ela simplesmente saiu falando com todos do bairro, não existe quem não conheça a Ella, porque por mais reservada que ela seja, ela consegue ser um tanto extrovertida, animada e simpática, que nem parece que mata sem remorso.
E eu não sou ninguém para julgá-la, eu queria muito ter a coragem e as capacidades que ela tem, se eu tivesse, com certeza eu teria evitado que a minha mãe fosse parar ao hospital por causa daquele homem.
E foi justamente por conta da Ella, que eu não fiquei sozinha nesse mundo, ela conseguiu fazer o que eu não consigo.
E convenhamos, após conhecer as razões pela qual a Ella é assim, se fecha e recebe todo o mundo, se exclui e simplesmente faz tudo por todos os outros, inclusive para mim, torna aceitável até o imoral, moral.
A Ella simplesmente não vive por ela, e sim ao vapor da vingança dela.
E como amiga isso deixa-me imensamente triste.
Principalmente pelo facto de não podê-la ajudar, ao menos num terço do que ela ajudou-me.
Por mais que ela não espere por isso.
Nos meus pensamentos, o som que corre pelos meus fones, chama a minha atenção, e eu retiro o meu celular do bolso vendo o nome do Kaio assumir a minha tela, e rapidamente medo corre pelo meu sistema, tanto quanto o meu rosto ruboriza por um motivo completamente bobo ao ver o nome dele.
Eu atendo a sua chamada, receosa, e animada.
Falar com ele sempre me acalma.
- Eu espero que não seja uma notícia r**m. - eu falo para ele.
- Depende do que você considera r**m a esse ponto, Heyoon. - ele diz e a sua voz traz-me calmaria, enquanto eu passo o poste de luz piscando incessantemente.
- Se for r**m eu acho que estou imune o suficiente que baste, por agora. - eu o respondo. - Alguma notícia do James ou da Ella? - eu o questiono, e escuto o seu suspiro pesado, o que é suficiente para deixar-me apreensiva.
- O James continua na mesma, nenhuma notícia até agora. - ele fala e não é nada animador, o pior de tudo isso é que coma não tem previsão, ele...
Que não aconteça, mas ele pode ficar assim, por mais de semanas ou meses, e sim por anos.
E como ele foi obviamente pego, eu não imagino que merda possam ter feito com a Ella.
Se ela estivesse bem, com certeza já teria saído de lá.
- E a Ella? - eu questiono torcendo, por algum sinal de vida dela.
- Ela conseguiu falar com o meu pai mais cedo. - ele diz e o meu coração dispara alegre, se ela conseguiria falar com o senhor Smith estando naquela mansão, indica que ela esteja bem, sim.
- E o que ela disse? - eu o questiono. - O que realmente aconteceu naquela balada? - eu questiono-o, pois a notícia saiu, porém não existem filmagens algumas, com certeza absoluta os Riina sumiram com ela.
- Eu explico você detalhadamente amanhã, mas basicamente, ela tinha pedido para a Laisa levar uma seringa para ela no banheiro da balada. - ele diz e eu franzo o cenho.
Eu não sei porque me esforço em entender os planos e coisas da Ella, só ela entende.
- Uma seringa? - eu o questiono parva. - Ao invés de uma arma? - eu questiono indignada.
- Com certeza a Ella não tem como portar uma arma sem que seja pega. - ele diz e humn... faz sentido. - E a seringa, pelo que o meu pai contou, ela deve ter usado para matar a Ginevra Riina, avó do Alexander Riina, a mãe do assassino do tio Bourne. - ele conta e eu literalmente paro no meio da estrada.
A Ella fez o quê?!
- HAMN? - eu o questiono a parva e eu o escuro sorrir.
- Essa foi a minha reação, mas se trata da Ella... não deveria ser nenhuma surpresa. - ele diz e eu estou entrando em pânico.
- Como não, Kaio, ela está trancafiada e sendo vigiada lá dentro, ela está ficando louca só pode. - eu falo ficando louca também. - Trata-se da Ginevra Riina, Kaio! - eu exclamo e ele suspira fundo.
- Claro que ela ficaria louca, você viu o estado com a qual deixaram o James, ela com certeza viu, e isso com certeza não passaria batido por ela. - ele diz e sim eu sei...
Mas...
Caralho, isso vai dar merda, não tem outro caminho nisso.
Definitivamente não.
E eu tenho medo disso.
- E o meu pai confirmou, a mãe da Ella está viva, e não só está com o assassino do tio Bourne, como também, tem um filho com ele. - hamn?!
- A Ella tem um meio-irmão? - eu o questiono parva.
- Exatamente. - ele afirma e o meu corpo arrepia por ela, não tem como ela não ficar louca.
O quanto a Ella, se colocou em perigo, procurando pela mãe, é insano e indescritível, de tão ridiculamente mortífero era.
Agora, sim, o meu medo foi ao extremo, porque não existe como eu ter a confiança de que ela saberá agir desse jeito, a Ella vai perder a cabeça, já perdeu.
Ela já deve ter perdido.
A mãe dela está mesmo viva, e desde que ela ficou... sozinha, ela nem uma vez a procurou...
Isso passou de uma bola de neve para uma avalanche.
- O que faremos agora? - eu questiono-o observando um carro, um tanto luxuoso vir na minha direção, me deixando em alerta.
- O meu pai disse para mantermo-nos como estamos, ele sabe o que faz, por enquanto, teremos de obedecer… - ele diz e eu o sinto tão atrapalhando quanto eu estou vendo esse carro na minha frente.
- Ka… - antes que eu o conte sobre o carro, ele interrompe-me.
- Heyoon, eu preciso desligar é o meu pai. - ele diz e deve ser algo importante.
- Tá, tudo bem. Tchau. - eu falo e desligo imediatamente para ficar atenta ao carro que acabou de parar ao meu lado, e olhar para os lados procurando pelos seguranças do Kaio, para ver se é uma ótima altura para eu correr para longe daqui.
Quando o carro para do meu lado e antes que eu pudesse cogitar usar as minhas pernas para sair dali, a porta abre automaticamente e revela justamente quem eu menos esperava.
- Kenichi? - eu questiono-me parva, observando o seu belo rosto, incrédula, e feliz!
Extremamente feliz… eu não o vejo há três anos, e somente falo com ele às escondidas das todos obviamente, afinal de contas, eu e ele não temos nada, não…
Para quem não entendeu nada, o Kenichi é um homem japonês, tal como eu, eu fiz um trabalho para ele faz muito tempo, e sinceramente, ele é extremamente cativante, e rico, portanto, eu não achei que nada daria disso…
Extremamente rico.
Nós vimo-nos apenas uma vez pessoalmente, e uma vez por vídeo, e durante todo esse tempo eu falava com ele apenas pelo celular, coisa que eu não esperei que acontecesse, mas quando fui dar por mim, eu virei melhor amiga dele.
Talvez eu goste dele mais do que o devido, e vê-lo agora, confirma que não seja nada platônico.
- Sentiu saudades minhas, Heyoon Kim? - ele questiona oferecendo-me o seu belo sorriso, ainda sentado no seu carro e eu sorrio sentindo o meu coração descompassado e o meu rosto ruborizar intensamente.
- O que faz aqui? - eu o questiono curiosa e confusa.
- Eu sentia saudades suas. - ele diz e eu arrepio-me de maneira agradável.
Ele estava com saudades minhas…
- Você não atendia as minhas chamadas e nem respondia as minhas mensagens, e eu fiquei preocupado. - ele diz me observando e eu sorrio.
- Não vai me dizer que saiu do Japão, apenas por isso? - eu o questiono sentindo-me importante.
- Exatamente. - ele afirma e eu sinto o meu corpo queimar. - Mas não irá conversar comigo parada aí, pois não? - ele questiona-me. - Entre. - ele diz e eu assinto fazendo um ojigi curto, mas profundo antes de entrar no seu carro com o cheiro dele e sentar-me de frente para ele sob o seu olhar.
O meu coração está extremamente descompassado, mas eu estou igualmente feliz.
- Isso realmente é uma surpresa. - eu falo tímida e ele sorri. - O meu celular teve alguns problemas e as coisas por aqui têm estado mais intensas que o habitual, por isso eu não consegui retornar você, eu apenas não achei que fosse viajar apenas para me ver. - eu falo e ele assente.
- Acredite em mim quando eu digo que realmente fiquei com saudades. - ele diz e eu gostaria que a luz daqui estivesse apagada, porque eu sinto que o estado do meu rosto é vergonhoso.
- É… - eu falo, sem nem saber como manter contato visual com ele. - E você? Quero dizer… - argh!
- Você pode ter sentido saudades minhas, mas deve também ter vindo ver a sua irmã, não? - eu o questiono mudando de assunto. - Você uma vez comentou que ela morava cá. - eu falo e ele assente.
- Eu vim vê-la também. - ele diz e eu assinto.
- Chiben, é o nome dela não? - eu questiono procurando puxar a minha memória.
- Sim. - ele afirma. - Eu apresentarei vocês duas, se assim permitir? - ele questiona e as minhas bochechas ruborizam.
- Claro. - eu assinto e ele sorri.
Céus.