Alexander "Il Duce" Riina.
Psicopata.
Eu bato a porta atrás de mim, segurando-me para não fazer o que eu tanto quero agora, quando inspiro fundo.
Ela matou a minha avó, dentro da mansão, sozinha, e sem deixar qualquer vestígio existente como prova sem ter saído desse lugar.
Impossível.
Não existe marca alguma de asfixiamento, ou de alguma droga injetável, ou consumida pela Ginevra, o que mesmo sem querer...
Deixa-me extremamente impressionado.
Primeiro ela matou um dos meus melhores amigos, depois atirou na p***a da cabeça do meu pai e agora, sem medo algum, não só ousou colocar a merda de uma faca contra o meu pescoço, mas confessou que matou a minha avó...
Sem remorso algum.
Por causa daquele filho da p**a do James Kent.
Quem ele é para ela?
Porque ela se colocaria no pedestal só por raiva de saber o inútil estado daquele covarde?
Eu desço com o celular da Ginevra comigo até a base.
Ela teve contacto com alguém, e não existe outra pessoa cá dentro que ela pudesse ter pedido emprestado qualquer dispositivo.
O único que esteve próximo dela, foi o da minha avó, pois só assim ela falaria com qualquer um dos seus amiguinhos para contá-la como está aquele cazzo di merda.
- O que houve? - o Jake questiona vindo atrás de mim, antes de eu atirar o celular para um dos meus homens.
- Verifique as digitais e depois veja para quem foi a última chamada. - eu falo olhando para ele que assente, pegando numa luva.
- As suas ordens, senhor. - ele diz e eu saio dali, sem nem saber o que sentir.
Eu quero matá-la.
Mas as coisas que ela disse não saem da p***a da minha cabeça.
"Quando você não foi dado amor numa colher de ouro, Alexander, você aprende a tirar isso lambendo facas."
Querendo como não, ela ainda é um mistério para mim, e isso deixa-me mais intrigado que o devido.
- Foi ela não foi? - o Jake questiona e eu inspiro fundo, odiando ter de confirmar, mas ele entendeu de imediato.
Não é como se fosse difícil conectar os pontos, ele sabendo do que a Ella é capaz, é só olhar para o rosto dele.
Ele assente silenciosamente do meu lado caminhando até ao elevador comigo.
- Eu revistei todo o quarto da senhora Ginevra, e não achei absolutamente nada. - ele fala e a minha cabeça dói.
A minha avó realmente morreu, e por minha causa.
Por culpa minha e eu nem sequer pude evitar.
Eu suspiro fundo, procurando desestressar porque depois do que aquela inconsequente fez, eu tenho mais coisas com que lidar, do que com o que eu devo fazer com ela.
Afinal, eu sei muito bem.
Mas a minha avó, era simplesmente a matriarca dessa organização que como é sabido, comanda literalmente o mundo.
Existe poder, sangue, riqueza, segredos envolvidos, e todo um sistema hierárquico e tradições a serem mantidos, para que nada se desestabilize, e que seja uma oportunidade de ataque algum dos nossos... inúmeros inimigos.
Eu sorrio abanando a cabeça de frustração e simultaneamente imaginando como aquele ser humano pode possuir tanto desejo de vingança e raiva, ao ponto de ir contra a própria natureza.
O jeito com que ela sente, expressa-se ou até cuida de quem gosta, denuncia que ela não tem ao todo um sangue frio.
Ela não é apenas uma serial killer, cujo ninguém, excepto eu, obviamente, tenha conseguido a rastrear ou até mesmo descobrir alguma pista deixada nos seus crimes praticamente sem rastros, ela é uma moça que vive pela dor e pelo sangue de justiça por não ter conseguido proteger quem ela queria.
Ela se renuncia.
Não é nada difícil lê-la. Eu conheço cada tipo de emoção que espalha-se pelo seu corpo, eu nasci para saber identificar isso num só olhar.
E não sentir piedade nenhuma.
E de imaginar o que acontecerá com ela ao assumir as consequências dos seus próprios erros, ela conseguiria estar mais morta que o próprio pai.
- Não irá fazer nada? - o Jake questiona, enquanto eu o observo e ele abana a cabeça lentamente.
- Eu vou dizer mais uma vez, aquela garota é uma selvagem, ela precisa ser domada o quanto antes. - ele diz e o resquício de receio que eu escuto na sua voz ao falar dela, nunca deixa de ser divertido.
- Ela está fora de controle. - ele acrescenta e eu assinto.
- Ela possui sangue nos olhos, não existe punição que a irá fazer parar. - eu constato o óbvio, afinal, essa é a razão pela qual eu não a matei ainda, e com certeza essa tarefa é a mais fácil de todas.
- Alexander?! - ele fala olhando para mim com o olhar que eu conheço muito bem, e eu não resisto em sorrir.
- Nós somos inimigos. - eu constato o claro e ele assente olhando para mim. - E se for para ser assim, eu quero que ao invés de ser pela sua sede de vingança, seja porque ela se odeie de tanto me querer. - eu digo com a imagem do seu rosto delicado fixado na minha cabeça.
Não existe nada pior que autodestruição, e ela não seguir o próprio conselho, fará isso por ela mesma.
Renegar-se ao óbvio, faz com que ela se odeie e esse é o seu ponto fraco, que usarei até ela pagar com a língua mais uma vez.
Ela realmente não faz ideia de quem eu sou.
Herdeiro de La Cosa Nostra e Bratva, Alexander Riina, não existe ninguém como eu, isso é fato.
E certamente, não existe ninguém nesse mundo, que não receie cruzar o meu caminho, e com certeza, não será ela.
Eu possuo o poder de destruir com o pouco que resta da sua vida com apenas um sinal meu, e eu permito deixar isso claro para aquele pedaço de gente composto por audácia.
- Eu tenho realmente medo de você e por você. - eu ouço o Jake falar assim que saímos do elevador e eu decido o ignorar caminhando para resolver o assunto do funeral.
Terá de ser amanhã cedo por já ter passado do meio-dia.
Eu entro na sala e o Jake segue o caminho dele para continuar com as suas atividades quando eu vejo a minha mãe com certeza coordenar alguma coisa para o funeral ao celular e encontro próximo à porta não só o Leonardo que está puto, afinal o tão esperado casamento, terá de ser adiado, sendo consolado pela Ella.
E eu olho para o lado indignado.
Como se tudo isso não fosse culpa dela.
Ela é um demônio e a contradição existente em mim, confirma que eu não sou tão diferente.
Eu nunca vi algo tão bonito, tão audacioso, tão claramente errado para mim, e que simultaneamente me faz sentir uma atração que se torna cada vez mais proibida e imoral.
Ela matou literalmente a minha avó, há algumas horas.
Ela é a personificação de uma divindade da ruína.
Ela com certeza será a minha ruína...
E eu estou aqui para isso.
Uma contradição imensa de matá-la e tomá-la com a mesma intensidade em que eu a odeio, faz-me sair dali e simplesmente focar no que eu devo fazer nesse momento.
Porque matá-la é o que mais está na minha cabeça e olhar para o rosto dela, mais do que dois segundos, irá fazer com que eu assim o faça quando não devo, não aqui e muito menos agora.
ARGH!
Ela me faz perder o controle!