ELLA.
Destruição.
É o que a minha intuição diz que vem por aí.
Porque de todo a Chiben não pareceu estar errada quando mencionou que o Alexander era o mais próximo da avó.
Eu vi isso no banheiro do hospital, ele claramente não possui sentimentos para expressar, mas ficou claro que ele estava até mais triste do que o próprio filho daquela criminosa pervertida.
Eu não sinto remorso algum, mas eu tenho completa noção, que eu devo-me preparar contra qualquer embate vindo dele.
Coisa que eu fiz por anos, e não pretendo deixar a minha curiosidade ou sensibilidade interferir com isso.
Se a avó era querida para ele, o problema era só dele e não meu.
Eu vim para cá para destruir cada um deles, e não ter compaixão por nada ou por ninguém, tal como nenhum deles tem, teve ou alguma vez terá por mim.
Muito menos ele.
Ele nem sequer deve saber o que essa palavra significa, ele não nasceu para saber disso, o primogênito de pais como os dele, com certeza não nasceu com moral nenhuma, ou qualquer outro sentimento que o faça ter consciência do mundo real.
Ele só conhece o mundo e a bolha no qual ele vive enfiado desde que nasceu, tendo tudo o que quer, na hora que quer, de quem ele quiser e como quiser.
- Eu não me importo com ele. - eu falo comigo mesma irritada, caminhando até ao banheiro, sentindo o toque dele ainda no meu pescoço, e sentir a minha temperatura desse jeito, por causa de um simples toque dele, me irrita.
Isso vai fazer-me perder a cabeça.
Eu molho as minhas mãos, e as levo para o meu pescoço, frustrada comigo mesma...
- Como eu posso ficar desse jeito? - eu questiono-me olhando-me no espelho vendo as minhas bochechas ruborizadas, a minha temperatura está alta.
Porra.
Eu fico mais um tempo aqui, e limpo as minhas mãos em seguida com a minha cabeça me relembrando de um ponto importante.
Eu vou até ao closet, e retiro a AirTag do lugar.
O Alexander não é bobo, em algum momento ele vai verificar o meu closet e será fácil identificar que esse é pertencente ao Kaio.
Eu não posso sumir com ela pia, como fiz com o papel, ela tem resistência a água, todo o mundo está em alerta nessa casa, e ele está furioso.
A única opção que eu tenho é manter ela comigo.
Coloco a AirTag no meu bolso e inspiro fundo antes de descer, eu preciso ficar atenta ao que está a acontecer.
Eu fecho a porta atrás de mim, e desço as escadas, e como esperado, os homens retornaram aos seus lugares.
- ... - eu reviro os olhos descendo, e bem no final da escada eu encontro o Gerardo, o mordomo.
- Senhor Gerardo. - eu o chamo e ele assente após virar-se na minha direção.
- Pois não, senhorita? - ele questiona.
- O Alexander ficou meio nervoso, e partiu algumas coisas no quarto, se puder pedir para alguém ir lá limpar, por favor? - eu peço e ele assente.
- O senhor Alexander era o neto favorito da senhora Ginevra, e ele a adorava mais que qualquer outro m****o dessa família. - ele comenta e eu apenas assinto. - Eu irei pedir para a Jaqueline cuidar disso. - ele diz e eu assinto. - Com licença. - ele diz, e eu continuo andando até a sala, onde eu escutava mais vozes, enquanto toda essa mansão está extremamente movimentada.
Eu não me importo com quem ele adora.
Eu entro na sala, e o Leonardo está visivelmente estressado, as veias na sua têmpora o denunciam, enquanto fala com o Stefano.
A Kassandra fala ao celular e eu não vejo nem a Chiben, nem a sogra e nem o Salvatore.
O olhar da Kassandra passa por mim rapidamente, mas ela está demasiado ocupada para me prestar atenção.
O Stefano termina de falar alguma coisa com o Leonardo, e ao se virar, o seu olhar encontra o meu e o meu fluxo sanguíneo aumenta na mesma intensidade do ódio no seu olhar.
Mas ele não me chateia, apenas sai dali, e eu vou ter com o Leonardo.
- Como você está? - eu o questiono, realmente não interessada e ele dá-me um sorriso complacente, sumindo com a sua cara de irritação.
- Eu não sou bom em descrever essas coisas, tal como todos nessa mansão. - ele diz e eu sorrio.
Por que isso não me admira?
- Frustrado, e sem entender como isso pode ter acontecido se ela estava bem essa manhã. - ele pontua e eu coloco a minha atuação em dia.
- Realmente é frustrante. - eu falo para ele. - Mas é o que dizem, isso pode acontecer a tudo e a todos no momento em que menos esperamos. - eu falo para ele.
- Bem, e a Natalie? - eu o questiono e ele suspira fundo.
- Embora triste, ela está frustrada por termos de adiar o casamento por mais tempo, era já amanhã. - ah, pois é...
- Pois, ela estava realmente animada. - eu instigo. - Mas vocês já aguardaram imenso, conseguiram aguardar até a próxima semana. - eu falo e ele assente.
- O funeral será amanhã, pois não? - eu o questiono precisando obter informações.
- Sim, pela manhã e depois a recepção... - ele diz, quando o seu olhar estreita-se no meu pescoço.
- O que houve? - ele questiona, levantando o seu olhar para o meu novamente, e um calafrio passa pelo meu corpo.
- Eu sei que não foi o Alexander quem fez isso. - ele afirma com certeza e a minha coluna vertebral fica arrepiada.
A mão da Clarisse é tão feminina que não tem nem como desmentir, e esse é o meu propósito.
Não desmenti-la, eu irei fazer com que ela se consuma no seu próprio veneno.
- Foi a Clarisse. - eu falo para ele e o mesmo franze o cenho ultrajado.
- Eu acho que ela tem algum tipo de problema mental. - eu falo fazendo a minha atuação. - Me desculpe, eu sei que ela é a vossa madrasta, mas ela é extremamente estranha, m*l educada e agressiva. - eu acrescento.
- Ella? - ele questiona com o cenho franzido, olhando para o meu pescoço. - O Alexander viu isso? - ele questiona fulo.
E humn, aparentemente o Leonardo também não gosta dela, só a suporta mais que o irmão.
No mesmo instante que eu viro o meu rosto para o lado, eu vejo o Alexander que nem sequer olhou para a minha cara e saiu.
- Viu. - eu digo voltando o meu olhar para o Leonardo que me observa frustrado. - Ela ameaçou-me por eu ter falado da suposta filha que ela abandonou, sinceramente eu achei que todos soubessem, mas aparentemente era algum tipo de segredo. - eu coloco lenha na fogueira, porque eu quero que ela viva o inferno antes de pagar pelo que ela fez.
- Eu realmente não sei de que filha você está a falar, mas não seria nenhuma surpresa. - ele afirma. - E com certeza isso não ficará em pune. - ele diz olhando para o meu pescoço, e eu mantenho o meu teatro, o celular dele dá algum sinal e ele inspira fundo.
- Eu preciso sair. - ele diz e eu assinto o deixando ir e passo o meu olhar por esse lugar, encontrando-me com olhares disfarçados dos homens do Alexander.
Eu suspiro fundo, e saio de dentro da mansão, me deparando com mais um monte de homens, o carro do Leonardo saindo, mas ao menos eu estou fora desse lugar.
A última vez que saí para cá foi para ver o James, e agora ele está em coma.
Eu inspiro fundo, sentindo um turbilhão de emoções dentro de mim, que eu preciso identificar e dividi-los o quanto antes.
Por enquanto vou só aproveitar a sensação de satisfação e alívio de ter sumido com aquela senhora nojenta.
Ter desmontando um pilar importante dessa organização, era com certeza uma das coisas que eu pretendia fazer, e deixa o meu corpo vibrando de alegria.
Eu deveria estar mais feliz do que estou agora, mas não estou...
Até porque no meu plano, não era suposto o meu melhor amigo estar em coma enquanto eu fazia isso.
E a única coisa que eu quero nesse momento é que ele acorde, e fique bem... porque se ele perder meses ou até anos da vida dele daquele jeito, eu jamais me perdoarei.
Jamais.
Eu dou a volta a enorme mansão, indo parar do outro lado, e o cheiro de água salgada, acalma-me instantaneamente e um arrepio de felicidade toda o meu corpo, quando os meus olhos se deparam com o mar azul.
O meu coração acelera fortemente, e eu sinto o meu rosto ficar iluminado de felicidade.
- Ah! - eu exclamo realmente feliz caminhando em direção ao parapeito que separa essa área imensa de lazer e o mar repleto de yachts.
Eu adoro o mar!
E a urgia que eu tenho de pular nele é indescritível.
O som da água cristalina mexendo, o cheiro da água salgada, tudo é extremamente nostálgico, eu literalmente nasci e morei na praia, e as recordações que eu mais tenho são de lá, antes de nos mudarmos para onde essa tragédia aconteceu.
E era para lá que eu quero retornar quando tudo isso acabar.
Eu, o mar, uma prancha, eu tenho certeza que o resquício da minha felicidade estará lá.
É lá aonde eu pertenço.
O meu segundo nome é Shell, que significa concha, eu tenho... ou tinha, está no loft exactamente a concha que fez o meu pai, dar-me esse segundo nome.
É por isso que eu tenho literalmente uma pequena concha tatuada em mim, a que o Leonardo viu, e comentou que estávamos próximos ao mar e eu literalmente me esqueci.
Eu acho que essa é uma das coisas que me faz sentir mais próxima do meu pai, além de recordar-me dele.
Um gosto em comum que aconteceu que ambos tínhamos.
Ao menos, um do qual a minha memória recordasse avidamente.
Eu fecho os olhos, sentindo a brisa movimentar minimamente os meus cabelos, inalando profundamente o ar salgado.
- Devia ao menos fingir melhor. - a voz dessa mosca varejeira, vulgo Jake, babá do Alexander Riina, consegue me perturbar quando eu encontrei calmaria por míseros segundos.
- Você tem noção do que fez? - ele questiona fazendo-me abrir os olhos, mas eu não olho para ele e pouso os meus braços no parapeito aqui.
- Pela sua dedicação incisiva de me provocar, fica mais do que claro, que o único s*******o aqui é você, Jake. - eu falo para ele, levando o meu olhar ao dele.
- Não... - ele diz abanando a cabeça. - Você não tem noção nenhuma. - ele pontua e eu o observo. - Sinceramente, você tem noção que está na toca dos lobos, não? - ele questiona e eu o observo vendo o seu rosto que eu arranhei.
- Você está literalmente fodida. - ele diz e eu sorrio.
- Eu estou realmente intrigada, com o porquê você se dá ao trabalho? - eu questiono-o, observando-o.
Ele meio que me odeia e simultaneamente, tem medo de mim, mas sempre fica-me cutucando até me fazer perder a paciência.
Ele só quer deixar claro que eu estou fodida, para o ego e glória dele, ou algo parecido? Ou ele tem uma maneira estranha de flertar, e eu ter dado um monte de porrada nele, fez com que ele ficasse apaixonado.
Ewwww.
- Matar, fugir, essa será a sua vida para sempre? - ele questiona e eu franzo o cenho o encarando. - Não pensa que realmente você tem chance alguma de sair daqui viva, pois não? - ele questiona com tanta certeza que eu inspiro fundo.
- Vamos ver… - eu falo jogando o meu cabelo para trás, o observando minuciosamente. - Você por exemplo, eu tenho centenas possibilidades de matar você sem que você dê um piu. - eu comento. - E não tem ninguém melhor que eu para sumir com um corpo. - eu falo e vejo as suas pupilas atrofiarem, e o seu rosto embranquecer subtilmente. - Mil e uma formas de fazer tudo isso, e não deixar um rastro meu. - eu acrescento e eu vejo ele engolir em seco, fazendo-me sorrir.
- Bem, eu digo com muito orgulho, que o Alexander Riina, não sou eu, Ella. - ele pontua, olhando nos meus olhos e o meu coração falha por alguma razão.
- E eu garanto que sem ajuda de ninguém dessa mansão, ele destruíra você, sem piedade e sem pena, Ella. - ele diz e eu observo a frieza no seu olhar.
Oh, como é bom ser odiada.
- Você clamará por misericórdia como fez, na outra noite, encharcada de lágrimas e cheia de medo. - oh, pois, ele estava.
O meu rosto ruboriza, mas eu não me deixo sucumbir pelas provocações dele.
- O Alexander é tão controlado, que as vezes chega a ser irritante, em outro caso, você já estaria a sete palmos debaixo da terra. - ele diz e eu assinto. - Mas o enfureça, ele fez a bondade de ter deixado alguém que ousou invadir a mansão, viver. - ele diz como se fosse um grande feito.
- Ele pode ir para lá desligar os fios do seu amiguinho em estado vegetativo, e ops! - ele exclama, e agora sim, a provocação dele gera efeito em mim.
Ele não vai ousar fazer isso.
- Morreu, simples assim. - ele completa sarcástico e depois sorri.
- Isso é suposto ser alguma ameaça? - eu o questiono e ele sorri.
- É apenas um aviso. - ele diz, e leva o seu olhar ao yacht. - Convenhamos que a sua mãe soube o que estava a fazer quando veio para cá. - ele diz e aí, sim, eu sinto o meu coração estilhaçar.
- Esse é um pedido para que eu jogue você daqui? - eu o questiono, tentando não demonstrar o que ele quer de mim.
- Oh, eu acho que não sairia ilesa se alguém visse isso, pois não? - ele questiona irônico e olha para a maldita pedra no meu dedo. - A quantidade de mulheres que mataria para estar no seu lugar é surreal, e você decide fingir que não se importa. - ele fala e argh.
Ele parece o meu karma de tanta estupidez que fala.
Céus!
- É suposto eu me importar com essa informação? - eu questiono-o e ele sorri.
- Devia começar a ser sincera com você mesma. - ele pontua. - Você perderá isso, e também perderá a única pessoa que alguma vez atraiu o seu olhar. - ele diz e eu franzo o cenho sentindo o meu rosto aquecer.
- Atrair o meu olhar? Você está se escutando? - eu o questiono indignada.
- Os genes do Alexander, fazem com que até homens admitam o que era suposto só mulheres verem. - ele diz. - Você acha que você é capaz de esconder o quão miseravelmente atraída é por ele? - ele questiona ironicamente e a minha temperatura só aumenta.
- Devia parar com tudo isso, pois em nenhum ponto você irá ganhar, eu deixo isso avisado. - ele diz. - E se eu fosse você, eu ao menos me desculparia, afinal, você matou não só um dos amigos dele, como atirou no pai dele e agora matou a avó. - ele diz e eu sorrio.
- Humn, eu acho que nem se ameaçassem retirar a minha cabeça, eu me desculparia para um Riina e muito menos escutaria alguém que fez com que eu fosse picada por uma cobra venenosa. - eu falo olhando no fundo dos seus olhos.
- Mantenha a sua distância de mim porque o que você fez não foi esquecido por mim e você pode ter certeza que eu não deixarei em pune. - eu falo batendo subtilmente no seu ombro e eu sinto o medo sair dos seus poros.
- Saia daqui. - eu falo olhando bem no fundo dos seus olhos, e eu adorei ver a velocidade com que esse paspalho saiu da minha frente.
- i****a… - eu falo inspirando fundo, me virando na direção do mar novamente enquanto passo as minhas mãos pelo cabelo, estranhamente nervosa, e quente.
- i****a! - eu exclamo novamente abandonando a minha cabeça, pois não pretendo o dar atenção nenhuma, ele não vai fazer a minha cabeça se é o que ele acha que é capaz.