Capítulo 85

2210 Words
ELLA. Eu literalmente fiquei ali por muito tempo, mas muito tempo mesmo. Eu desci até onde está o yacht deles, obviamente, os homens do Alexander não permitiram que eu chegasse até lá, mas eu me sentei nas escadas e tirei os meus chinelos, deixando a água fria e salgada molhar os meus pés. Eu nunca fiquei nessa calmaria desde que cá cheguei, há muito tempo, se posso dizer. As vozes na minha cabeça pararam, os sentimentos e emoções que estavam mexendo com todo o meu corpo, acalmaram instantaneamente, e eu me perdi na beleza paisagística desse lugar. Mar cristalino, raios e o sol se pondo. O cheiro da água salgada é tão calmante que eu fui, e nem me dei conta. Até eu sentir a presença de pessoas lá do outro lado do parapeito e outra caminhando na minha direção me deixando alerta e me ligar que o sol praticamente já se foi. Eu viro-me vendo quem eu menos esperava e queria vir na minha direção. O Stefano. Eu inspiro fundo olhando para frente. - Instalou discórdia e veio relaxar à beira-mar? - ele questiona num tom um tanto irônico, o que me surpreendeu. Eu achei que ele ainda estava zangado, por algum motivo desconhecido por mim, quando ele simplesmente senta-se no degrau da escada em que eu estava, e eu inspiro fundo. Estava tudo muito tranquilo, para mim. Demasiado para as condições normais e anormais da minha vida. - A sua definição de discórdia no teu ponto de vista, é intrigante. - eu o respondo. - Você acha que o que falou sem cuidado algum no meio da mesa, não era motivo de discórdia? - ele questiona e eu viro o meu olhar para ele. - Comentar o que me foi dito, seria motivo de discórdia, se fosse algum segredo. - eu afirmo olhando para o filhinho da mãe na minha frente. - Eu achei que seria normal que na sua grande, bela e complexa família, você soubesse o que me foi dito. - eu falo. - Você parece ser extremamente próximo da sua mãe. - eu comento sentindo o meu coração falhar e ele assente, me observando e sorrindo minimamente. Foi o que notei. - Seria normal que com toda essa proximidade, você soubesse que a sua mãe tenha se casado e tido uma filha. - eu pontuo, tentando obter informações dela e simultaneamente, sem querer escutar nada. Eu não sei se olho para ele ou se olho para outro canto, eu não tenho certeza se quero quer ele fale ou não. Eu nem sequer sei se quero ele perto de mim ou não. - Talvez nós tenhamos sido rudes com você, mas esse é um assunto delicado. - ele diz e eu levanto as minhas sobrancelhas, levando o meu olhar para ele. - Principalmente quando é uma mentira. - ele diz e a afirmação dele é como se tivesse me apunhalado e eu sorrio indignada olhando para os olhos dele. O meu sangue ferve olhando para o rosto dele, eu não sei dizer, se é porque os olhos dele são idênticos aos da Clarisse, se é por… sei lá, ciúmes ou que quer que seja, se é por ele ser supostamente o meu meio irmão, e a pessoa que eu considerava a minha mãe, ter ele apenas como filho, o único, o favorito. Eu não sei… - Mentira? - eu questiono-o retoricamente, reprimindo os meus sentimentos o máximo que consigo olhando para o rosto dele. - Eu não acho que ela faria isso comigo, se eu tivesse dito alguma mentira. - eu falo mostrando o meu pescoço para ele e a surpresa no seu olhar responde por mim. - Humn… - eu falo voltando a jogar o meu cabelo para o meu ombro. - Eu acho que ela está a mentir para você, e não para mim, ninguém chega a esse extremo por conta de uma mentira que ela podia ter desmentido, somente. - eu falo querendo que ele fale. Como? Como ele não sabe de nada? Ele é literalmente mais velho que eu, bem… três anos apenas mais velho que eu, tal como o Alexander. Mas, além disso, eu tive a presença da Clarisse, até aos meus sete anos de idade. Com dez anos e distante da mãe, seria normal que ele soubesse de alguma coisa, não? Ou ela é algum tipo de manipuladora master? Não seria surpresa nenhuma, se até o meu pai se deixou levar por ela. - Esse tópico é sensível e eu gostaria que não tocasse mais nele, Ella. - ele diz e eu o encaro debochada. - E, porque seria sensível? - eu o questiono, porque quero que ele fale. - A minha mãe perdeu o útero, quando ficou grávida pela segunda vez. - oh! OH!!! Eu não estou triste e estou sem pena também. - Portanto quando você tenta falar de filhos para ela, ou sugere que ela sumiu com algum filho, é um tópico que a fere e eu gostaria que você respeitasse isso. - ele diz e eu sorrio minimamente. - Ela não me respeitou em momento algum. - eu o respondo e ele suspira oscilando o seu olhar em mim. - Ella. - a forma com que a voz do Alexander penetra os meus ouvidos e mexe instantaneamente comigo é atroz. Eu levanto o meu olhar na sua direção, e ele está com o celular na mão, nada contente como previsto, e o seu olhar literalmente me manda ir até ele imediatamente, e o meu corpo obedece. É como se ele tivesse poder de o fazer e eu detesto isso. Ele está acompanhado e eu vejo a Natalie também daqui. - Devia conversar com a sua mãe, e descobrir melhor as mentiras dela. - eu falo, me levantando, sacudindo a poeira invisível da minha b***a, sob o olhar dele e jogo os meus chinelos próximo aos meus pés molhados, e os calço. - Ninguém simplesmente mentiria sobre algo que não tivesse fundo de veracidade, Stefano. - eu falo olhando nos olhos dele, antes de sair dali. Esse lugar estava calmo e agora está cheio. Contra a minha vontade, eu vou até o Alexander que me chamou e o meu corpo vibra por causa disso. O seu olhar permaneceu em mim o tempo todo, e ele é frio, e com certeza qualquer um sente a tensão existente aqui. Eu caminho na direção dele e como se ele não me tivesse chamado, ele volta a falar ao celular, e ignora completamente a minha existência saindo daqui. Ele fez isso da maneira mais fria e rude existente, e eu fiquei em choque. E irritada. Principalmente com o sorriso cínico da Chiben que está de frente a mim, e os olhares de todos que do nada vieram para cá, estão em mim, na mesma surpresa, choque, e diversão. - … - eu seguro o meu grunhido de raiva, vendo ele ir, e jogo o meu cabelo para trás, fingindo não estar com uma vontade absurda de o esmurrar. Idiota! - Ella. - eu ouço a voz da Natalie que vem até mim, e eu sorrio, fingindo não ter ficado desconfortável de todo. Ele é um filho da mãe, i****a. - Natalie. - eu falo vendo-a se aproximar, toda de preto como os outros, com uma carinha mais tristinha, e humn… - Como você está? - eu a questiono, e o seu suspiro é pesado. - m*l… - ela diz com a energia baixa, e vê-se pelo rosto dela. - Mais uma vez o meu casamento foi cancelado. - ela pontua realmente triste, e eu não acredito que eu estou sentindo pena dela. Bem, fim ao cabo, eu acho ela a mais tolerável de todos aqui, e ela realmente parece genuína, mas eu não queria estar a sentir absolutamente nada por ninguém aqui dentro. Aparentemente nessa parte, eu não estava completamente preparada, são tantas emoções que eu simplesmente já não consigo encapsular e controlar. Eu sinto o Stefano passar por nós e eu nem desvio o meu olhar na sua direção. Argh! - E a senhora Ginevra simplesmente morreu. - ela diz e lágrimas aparecem no seu olhar e opa! - Do nada, sem explicação nenhuma… - ela comenta e eu a observo. - Eu não sabia que você era tão próxima dela. - eu comento realmente curiosa e ela dá um meio sorriso tristonha. - É, a minha família é e sempre foi muito próxima da família Riina. - previsto. - Eu e os meninos crescemos muito amigos. - ela comenta e eu escuto em busca de um resquício de informação da parte dela. - Oh, eu não sabia disso. - eu comento genuinamente, porque não sabia, mas desconfiava e ela assente. - Nas férias, nós íamos passar férias na mansão deles, você já deve saber que o seu esposo, sempre foi um grande organizador de festas. - ela diz sorrindo e oh… Todo o mundo sabe. - Nós tínhamos as melhores festas na mansão, e só tínhamos elas, porque o Alexander tem um carisma em tanto e persuadia a Ginevra como se não fosse nada. - ela conta e humn… Nada que eu não tenha imaginado. - Por isso não deve ficar chateada com o que aconteceu agora. - ela fala se referindo a frieza desse i****a, e eu finjo não ligar. - Ele está assim somente porque está sofrendo, nenhum homem dessa família sabe demonstrar ou lidar com sentimentos. - oh, que novidade! - Eu não estou chateada, não se preocupe. - eu deixo claro. Eu não ligo para ele, mesmo. - Os netos dela eram um tanto próximos dela, e eu era também. - ela comenta. - Porém, o Alexander tinha mais em comum e sabia lidar melhor com ela, porque bem, ela era um mulherão, mas com uma personalidade extremamente forte. - ela conta e que interessante. - Nós tínhamos as melhores férias em Sicília, e em todo o mundo praticamente por conta do Alexander. - ela fala e nossa, muito Alexander para o meu gosto. - Eu vou subir, a barra das minhas calças está molhada e algumas pessoas estão vindo, eu vou me trocar. - eu falo querendo sair daqui. - Tudo bem, nos veremos lá dentro. - ela diz e eu simplesmente saio. - Problemas no paraíso? - a Chiben questiona caminhando comigo e eu fecho os olhos por míseros dois segundos. - Eu avisei que devia começar a agir como uma pessoa casada com um homem como o Alexander principalmente. - ela fala e eu não resisti, apenas joguei o dedo do meio na cara dela e saí ignorando o olhar de todos aqui. - Argh… - eu inspiro fundo. - Eu só queria apanhar ar fresco. - eu comento comigo mesma sentido a minha cabeça latejar. Eu aproximo-me da porta, e o Alexander estava a falar com uma moça que carrega papéis com ela. E por alguma razão o meu sangue ferveu, a minha irritação só aumentou, principalmente a medida em que eu me aproximava com ela me olhando, e o moço com quem ele falava também, e ele indiferente. Desgraçado. Idiota. Canalha. Cafajeste. Mimado do c*****o, filho da mãe. Esses são os insultos que rolam pela minha cabeça, enquanto eu me recuso a olhar para ele e simplesmente entro. Furiosa, por algum motivo que nem eu sei descrever. - Coloque uma roupa escura, querida. - eu ouço a voz da Kassandra e eu simplesmente passo direto, escutando apenas ao fundo. - i****a. - eu repito comigo mesma subindo as escadas, e entro no quarto fechando a porta atrás de mim. QUE RAIVA! Alexander, Alexander, Alexander, blábláblá. E aquela mentirosa do c*****o, manipuladora, assassina, m*l caráter. - Argh… - eu afogo-me no meu próprio grito, caso contrário eu irei explodir com o tímpano de todos nessa casa. Eu vou para o banheiro, retiro a minha roupa e vou pegar uma muda qualquer. Eu peguei numa blusa básica preta de gola alta, e mangas longas porque eu estou sentindo frio, peguei umas calças de alfaiataria de cor preta, uns sapatos brancos, porque sim. Penteei o meu cabelo, passei o meu gloss e simplesmente fui pegar a AirTag e fui guardar no mesmo lugar, mas dessa vez num pequeno espelho de mão. Estou sem paciência e é bem capaz que eu me esqueça dele nas minhas roupas. Arrumei o que desarrumei e saí do closet, mas antes de sair do quarto, eu me joguei no sofá com a minha cabeça latejando. Por alguma razão, o olhar frio do Alexander ficou impregnado na minha cabeça. As vozes de todos eles, inclusive da mosca varejeira do Jake, estão ecoando na ela também. A Clarisse perdeu o útero?! E aparentemente ela não tem remorso algum sobre a vida passada dela, ela apagou a minha existência, como se eu fosse nada. Nada. E ela tem um filho que inclusive, parece ser tudo para ela. - Ah… - eu sorrio limpando as lágrimas que descem pelo meu rosto contra a minha vontade. Isso dói. Mais que a minha capacidade de descrever. - Fique calma, Ella. - eu falo, me levantando e limpando o meu rosto. - Está tudo bem. - eu me reafirmo e simplesmente saio dali. A noite apenas começou, o plano só está no primeiro passo.
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