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Amor, Made in Brasil

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Blurb

Amor, Made in Brasil Quando o desejo se torna destino e o amor se recusa a pedir permissão.A história pulsa como um coração que se recusa a parar de sentir.Um magnata ferido. Uma mulher que se reconstruiu do nada. Um contrato que não era só de poder, era de sobrevivência.Teo chegou ao Brasil com o peso da humilhação estampado nos jornais internacionais. Noivo traído no altar, herdeiro bilionário de um império que não admite vulnerabilidades. Ele jurou nunca mais amar. Nunca mais ceder. Nunca mais ser ferido.Ayume conhece bem a dor das promessas quebradas. n***a, brilhante, teimosa na própria força. Assistente pessoal impecável, alma cheia de rachaduras. A cicatriz em sua barriga ainda sussurra o nome do abuso que quase a destruiu. E agora, o ex que deixou marcas também deixou dívidas, dívidas que querem cobrar com sangue.Ele tem o dinheiro.Ela tem o fogo.As regras foram simples:Teo paga a dívida.Ayume pertence a ele por um ano.Sem amor. Sem bagunçar o peito um do outro.Um acordo impossível.Porque basta um olhar dela para incendiar o controle dele.Basta um toque dele para desmontar todos os muros dela.Ciúmes como lâminas macias.Desejo que devora antes de curar.Falas contidas, mas silêncios que gritam o que ambos negam:Eles estão se apaixonando.Num país quente como o sol,num romance quente como a pele,o amor desafia o medo e vence.Amor, Made in Brasil é um mergulho em intensidade:universos sensoriais, segredos que sangram,corpos que falam por sentimentos indizíveis,e o tipo de amor que rasga, prende… e depois liberta.Para a leitora que ousa sentir:“Eu poderia ser ela.”E também:“Eu daria tudo para ser amada assim.”

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CAPÍTULO 1 – A Primeira Impressão
Ayume O espelho sempre foi sincero demais comigo. Ele não mentia sobre as olheiras m*l curadas nem sobre a cicatriz que atravessa minha pele como uma lembrança que ainda respira. Mas eu também nunca deixei que ele definisse quem eu sou. Aprendi a vestir coragem quando o medo tenta mandar em mim. Aprendi a me olhar com firmeza, mesmo quando a mão treme escondida atrás da costela. Hoje não seria diferente. Puxei o zíper da saia preta, ajustei a camisa de tecido leve sobre meus ombros e soltei um suspiro lento. O perfume doce de jasmim que eu sempre uso ficou flutuando no ar, uma espécie de amuleto contra a insegurança. Coloquei brincos pequenos de pérolas. Nada chamativo. Discrição sempre foi armadura. O celular vibrou. Luana Já acordada, mulher? E aí, pronta para sua estreia com o rei do gelo? Eu ri sozinha. Claro que ela já sabia de tudo. Amiga de alma, língua afiada, coração de manteiga. Se existe alguém capaz de transformar tragédia em piada em três segundos, é ela. Digitei rápido: Ayume Dá para parar? Não quero pensar nesse homem antes da hora. Ela respondeu com um áudio curto, e pela voz anasalada de riso já deu para imaginar o sorriso provocado: “Ah, você não quer pensar… mas o Brasil inteiro está falando sobre ele. Magnata bilionário, traído no altar, e agora vindo comandar uma empresa inteira aqui. Boa sorte para não desmaiar quando aqueles olhos te encararem.” Revirei os olhos, mas minhas mãos ficaram frias. Eu conhecia apenas o que todos conheciam: as manchetes cruéis, as fotos de um homem de terno impecável ao lado de uma noiva perfeita… e depois o escândalo. A fuga. A traição na porta da igreja, com uma justificativa tão suja que nem os jornais tiveram coragem de publicar todos os detalhes. Ele deveria estar destruído por dentro. Mas poder sempre aprende a se recompor rápido demais. Fechei os botões do punho com cuidado e respirei fundo. Não posso errar hoje. Um trabalho novo não é só um trabalho novo quando o perigo está te mordendo a sombra. Quando alguém do seu passado quer cobrar dívida com a sua vida. Eu precisava deste emprego para seguir viva. E precisava parecer invencível para continuar em pé. Enquanto passava o batom — um vermelho discreto, que apenas insinuava presença — ouvi o som conhecido de mensinhos correndo pelo corredor do prédio. Sorriso instantâneo. Era Bibi, filha de Luana e Olivier. Quatro anos, o tipo de menina que carrega Sol dentro da voz. A campainha tocou de forma desastrada. Abri a porta e ela me abraçou como se eu fosse uma almofada gigante. “Titia Ayu! Você tá bonita.” Peguei-a no colo e beijei sua bochecha macia. “Você acha mesmo?” Ela segurou meu rosto com aquelas mãos pequenas e sentenciou: “Ele vai te achar linda e vai casar com você.” O riso escapou involuntário. Se fosse tão simples assim. Luana apareceu logo atrás, com o vestido amarrotado e cabelo em coque bagunçado. Linda como sempre, mesmo quando parecia que havia lutado com um furacão às seis da manhã. “A profeta acordou inspirada hoje”, ela comentou. “Deixa ela sonhar”, eu respondi. Bibi me apertou mais uma vez antes de se jogar no colo da mãe. “Eu faço questão de que você mande notícias”, disse Luana, ajustando a bolsa no ombro. “E lembre-se: não deixe um homem mandar no seu medo. Nem no seu corpo. Você não é de ninguém.” Assenti. Mas por dentro, uma pequena voz sussurrava: Ainda assim… talvez eu queira que alguém me enxergue. Peguei minha bolsa, desliguei as luzes e travei a porta. O som do salto ecoou pelo corredor estreito como um anúncio do dia que estava chegando com sede de novidade. No elevador, observei meu reflexo mais uma vez. Você é forte. Você merece estar aqui. Você consegue. Mesmo que aquele encontro de olhares seja capaz de virar seu mundo ao contrário. O sol ainda se esticava pelo horizonte quando o táxi me deixou em frente ao prédio da BrasTech Corporation — vidro, aço e ambição, como se o céu fosse apenas um detalhe a ser transpassado. Respirei fundo e caminhei até a recepção. Meu crachá provisório foi entregue com um sorriso polido da moça do balcão. “A Srta. Ayume deve se dirigir à sala 34. O diretor já está a caminho do prédio.” Meu coração vacilou. Diretor. Ele. Apertei a bolsa contra o corpo como se ela pudesse esconder todos os segredos que eu não queria carregar à mostra. Peguei o elevador vazío e, pela primeira vez no dia, a cicatriz ardilou sob a roupa. Como um recado do passado querendo estragar meu presente. Fechei os olhos e toquei o local com delicadeza. Eu não tinha medo do trabalho. Eu tinha medo de falhar comigo mesma… outra vez. O andar 14 se abriu com um leve aviso sonoro. O corredor era claro demais e silencioso demais, como se cada passo precisasse pedir permissão para existir. Caminhei até a sala onde me disseram para esperar. Havia uma mesa média com alguns arquivos empilhados. Tudo cheirava a tinta e mudança. Deixei minha bolsa na cadeira, organizei mentalmente as tarefas do dia e procurei uma caneta. Foi quando ouvi o barulho da porta sendo aberta atrás de mim. Não precisei olhar para sentir. Uma presença como aquela não entra em silêncio. Ela invade. Ela se manifesta no ar. Ela muda a temperatura do sangue. Quando virei, quase perdi o fôlego. Ele estava lá. E não parecia nada com a ruína que os jornais descreveram. O terno azul-escuro abraçava o corpo firme de quem carrega o mundo nos ombros e ainda assim encontra força para permanecer ereto. O olhar cinza — cinza de tempestade prestes a começar — pousou em mim com uma intensidade que me atravessou inteira. Não consegui desviar. Meu corpo esqueceu que tinha autonomia. Cada fibra dentro de mim quis se curvar ou fugir. Eu não fiz nem uma coisa nem outra. Ele fechou a porta devagar. O som foi pequeno. A tensão, enorme. “Você deve ser Ayume”, ele disse, e a voz tinha aquela firmeza que não precisa levantar o tom para mandar. Engoli em seco. “Sou, sim.” A resposta saiu sem tremor. Milagre ou treino, não sei. Ele deu alguns passos à frente. O perfume dele, amadeirado e inacreditavelmente masculino, tomou o espaço junto comigo. Os olhos me examinaram sem pressa, como quem avalia competência e… pele ao mesmo tempo. Que droga. Senti minhas mãos suarem. “Trabalhou diretamente com o antigo diretor?”, ele perguntou. “Sim. E estou preparada para me adaptar às suas exigências.” Ele ergueu um canto do lábio. Quase um sorriso. Quase uma ordem para que eu me aproximasse e descobrisse o que havia naquela pequena provocação. “Minhas exigências costumam ser altas.” “Ótimo”, respondi. “As minhas também.” A sombra de surpresa passou pelo olhar dele, tão rápida que pareceu imaginação. Mas eu sabia que estava lá. Por um instante, respiramos o mesmo ar como se competíssemos por ele. Eu tentando provar que não iria ceder. Ele tentando entender por que queria tanto que eu cedesse. Seus olhos desceram para minha boca. Voltaram para meus olhos. O clima entre nós ficou tão carregado que os segundos pareciam barulhentos. Ele aproximou-se mais um passo. Cada milímetro que ele avançava era uma pergunta direta ao meu corpo. Eu não fui capaz de recuar. “Quero que esteja comigo em todas as reuniões importantes”, ele disse. “E quero sua total disponibilidade para mudanças de agenda.” “Considere feito.” Ainda assim, o mundo parecia pequeno demais para conter a energia que vibrava entre nós. “A Srta. Ayume…” ele começou, medindo cada sílaba como se testasse o efeito delas em mim. “Não cometa o erro de acreditar que conhece meus limites.” Mantive o queixo erguido, mesmo com o coração tentando pular para fora. “Então mostre quais são.” A resposta saiu como uma centelha. Eu queimei primeiro. Ele piscou devagar, talvez surpreso com minha audácia. Talvez e******o. Talvez os dois. Mas quando ele falou de novo, a voz tinha uma pontada de prazer contido: “Que o seu primeiro dia seja memorável.” Meu corpo entendeu antes da minha mente. Minhas mãos tremeram discretamente. O ar pesou nos meus pulmões. Sim. Seria memorável. Porque aquele homem… aquele homem não tinha apenas poder no toque da voz. Ele parecia ter o dom de reconhecer o que eu escondo. E, por algum motivo que ainda não sei explicar, senti que ele também escondia feridas do tamanho das minhas. Eu não sabia ainda, mas naquele instante — naquele primeiro olhar que incendiou minha coragem — algo dentro de mim se moveu. Algo que tinha dormido durante anos. Algo que eu acreditava ter sido quebrado para sempre. Não tinha mais volta. Nem para mim. Nem para ele. A primeira impressão queimou. E eu ardi inteira.

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