capítulo 22

1053 Words
Itália- 11 anos atrás. Mansão Ferrari. __ como conseguiu entrar aqui?__ questiono intrigada e ele sorri sem mostrar os dentes, enquanto atravessa a janela. __ sou bom em muitas coisas ma belle, mas digamos que com o passar dos anos, adquiri habilidades especiais, papai ficaria orgulhoso. __ isso é meio esquisito. __ confesso. __ você continuar vindo aqui, mesmo sabendo que pode ser morto a qualquer momento. Ele sorriu, mostrando os dentes e os olhos fixos em mim. __ se ver esse seu lindo rosto significar meu último dia de vida, acredite em mim, eu pararia na frente dos seguranças do seu pai e esperaria ser alvejado, contanto que você estivesse lá me encarando. __ não! Isso seria triste, não quero que morra, ainda mais por minha causa. __ você é uma boa amiga, uma pena que não quero só isso de você, e provavelmente vai casar com um i****a qualquer e me deixar, como todos os outros que confiei. Toquei o seu rosto, fui evasiva ele não gostava de toques, mas comigo não parecia ser um problema. __ eu sempre vou ser sua amiga, e eu não quero casar pelos próximos anos. __ respondo, por que esse assunto " casamento " me embrulha o estômago só de pensar. __ você não tem escolha, seu pai vai escolher um homem para você e depois ele fará bebês em você e essa ideia me deixa tão, tão... irritado. __ sua feição endurece. __ eu ainda sou criança, não quero bebês. __ eu olho para você e me sinto culpado. __ pelo o que? __ pergunto e sua mão acaricia a minha. __ por querer coisas no futuro, que sei que talvez não poderemos ter. __ amizade? __ também, antes de qualquer coisa, gostaria de sempre ser o seu amigo. __ e vai ser. __ queria que nossa vida fosse normal, que coisas sérias não estivessem em jogo, queria não sentir o peso do mundo sobre minhas costas e não quero me afastar de você. __ por que está falando isso? A ideia de não vê-lo mais, me entristece, gosto da sua amizade e das nossas conversas quando ele não parece um garoto esquisito que tem medo do mundo. __ não posso explicar, você não entenderia, não agora, mas preciso ir embora, não sei se vou voltar a vê-la, mas saiba ma belle que eu sempre, onde quer que esteja, vou lembrar do seu lindo rosto, e de como você é a coisa mais pura e perfeita que já tive no alcance das minhas mãos... eu te amo, mesmo não sabendo direito o que é amor, deve ser isso, sentir o peito doer de saudade e o coração bater mais rápido toda vez que vejo os seus olhos. Amor, como vou saber sobre isso também? Meu pai ama minha mãe e ela á ele, mas nunca vi os dois falarem como é amar. __ não sei definir o que de fato é amor. __ você é amada pela sua famiglia, seus pais são incríveis e se preocupam, antes do meu pai morrer a minha mãe era uma boa mulher, cuidava de mim, mas agora, parece que ela quer me tirar da vida dela com pressa, e é por isso que não sei quando volto para te ver. __ não quero que se afaste. __ eu também não quero me afastar, te amo, não esqueça disso, e se um dia eu conseguir sair para onde vão me levar, saiba que buscarei por você onde quer que esteja... porquê eu sinto aqui dentro que de alguma forma, você é minha. Abro os olhos sentindo a minha cabeça pesar um tonelada, a visão embaçada se vai a medida que pisco os olhos. Mas, não estou em meu quarto, olho para o lado e observo as paredes em tons de branco gelo e vermelho sangue, coloco os pés para fora da cama e me sento. Esfrego os olhos vejo que uma janela, repleta de lírios brancos. __ vejo que acordou lirio __ a voz conhecida me faz virar o rosto e encara-lo. Agora parece tão bonito quanto estava ontem, Dio mio, quanta besteira eu fiz? Forço a mente a lembrar do que aconteceu, e apenas flashes nublam minhas memórias. De anos atrás, quando ele se foi, deveria tê-lo abraçado e dito que gostava dele também? Agora já não faz muita diferença. __ onde estou? __ questiono e verifico se estou vestida e respiro aliviada percebendo o vestido que cobre meu corpo. __ na nossa casa. __ que loucura é essa? __ não lembra de nada? De ontem? __ não! Eu quero ir embora. __ que pena, a sua única opção é ficar. __ explica de braços cruzados e repreendo minha mente ao notar o biceps espremer o tecido da sua camisa. __ você realmente me sequestrou? __ ontem, você me tocou e foi uma tortura, ainda pior do que todas que passei. __ não foi porque eu quis, foi o álcool. __ me defendo mesmo sabendo que no fundo é uma mentira. Eu quis tocá-lo. __ claro, culpe a bebida, a v***a da minha mãe costumava falar isso. __ sua mãe? O que sua mãe tem em comum comigo? __ ainda bem que nada. __ me leve de volta. __ não! __ o que planeja fazer comigo? __ pergunto fitando seus olhos e sempre tenho a sensação de que eles podem enxergar tudo que escondo. __ você já se sentiu suja ma belle? __ questiona e eu inspiro pausadamente, ainda assimilando tudo que acabou de acontecer. E o que ainda está por vir. __ por que está fazendo isso? Éramos amigos. __ insisto e ele sorri, mas não havia nada de bom naquela face que tantas vezes sonhei em rever. __ se um dia fomos amigos, esqueça, o meu único papel aqui é fazê-la me amar, e isso será o meu triunfo contra o seu pai. __ mas... como vou ama-lo se me prende? __ pergunto e seu semblante não vacila em momento algum. Ele não parece incomodado com esse fato. __ aquele garoto que queria morrer, realmente se foi, e agora você vai amar cada parte fodida do monstro que me tornei. Era impossível, não! Eu jamais amaria o homem que está em minha frente, não quando faz o que mais abomino em minha vida. Tira minha liberdade.
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