O sol, visível no horizonte, avisava o recomeço de um novo dia. Os caminhantes continuavam procurando algo que não sabiam descrever. Apenas a intuição restara.
– Estamos andando a horas. Onde você quer chegar? – Amnie estava novamente cansada.
– Tenho que encontrar alguém. – Eliote respondeu apressando o passo.
– Devíamos voltar para a estrada. – A garota foi ignorada.
O moreno continuava caminhando mais a frente. Seus trajes azuis, molhado pela água, se destacavam em meio à floresta novamente. A luz solar, agora um pouco mais intensa, ultrapassava as brechas que as folhas insistiam em cobrir.
Enquanto caminhavam, ao longe, uma pequena garota os observava. Seu capuz na coloração de ton roxo, cintilava por entre as grandes árvores. Amnie foi a primeira a percebê-la, vendo a menina correr assim que vista, a acompanhante de Eliote correu em direção a fugitiva.
– O que aconteceu? – O garoto perguntou correndo, tentando alcançar a companheira.
– Eu vi uma garota! – Respondeu ofegante.
A procura pela nova desconhecida, os levou para um novo lugar. Uma diferente mansão se encontrava alojada em meio as arvores de pinheiro. Eliote passou pelo portão de entrada e seguiu para a porta da misteriosa residencia. Bateu três vezes à porta, em resposta, um sussurro dando permissão da entrada foi dito.
Eliote, seguido por Amnie, adentrou a residencia à passos lentos. Amedrontado pelo misterioso lugar, o garoto observava as paredes do hall de entrada. Todas com uma grande quantidade de quadros, as estruturas traziam um ar de elegância ao local. Nas pinturas, demonstrações de seres esqueléticos e alguns tipos de comida eram vistos em abundancia, todos demonstrados de maneiras nada sutis.
– Bem-vindos! - A fugitiva estava parada em frente a entrada da sala, sorrindo ao vê-los.
– Devem estar famintos, me desculpem pela demora. – Continuo falando enquanto colocava sua capa em um dos cabideiros,
– Você é o segundo cavaleiro? - Eliote, mesmo tremendo, decidiu ser direto.
– O senhor da casa está esperando você na sala de jantar. – A bela moça respondeu docemente. Com seu vestido amarelo, decotado em V, falava elegantemente. Seus longos cabelos negros se estendiam até parte de seu busco, assim os cobrindo.
– Creio eu que você precisa se trocar, querida. – Sem esperar, a moça tratou de levar Amnie, deixando o outro sozinho.
O azul seguiu para a sala de jantar da casa. Uma grande mesa o esperava, farta de comida, todos os tipos de pratos estava sobrepostos ali. E em um dos assentos, um homem o esperava.
Com um de seus olhos cobertos por um t**a-olho, o outro observava Eliote sorrindo. Seus cabelos loiros, em corte curto, mas com traços suficientemente longos cobriam parta do único olho a mostra. Seus trajes, um pouco peculiares, reluziam o vermelho e o preto empregados.
– Eliote! Quantos ciclos! – O dono da casa levantou o vindo.
– Você é o segundo cavaleiro? – O visitante fez a mesma pergunta de antes.
– Adam é o segundo, sou o terceiro. – Respondeu dando um gole em sua taça.
– Um coelho me pediu para ir atrás do Adam. Sabe onde ele está?
– Claro, você também sabe. – As palavras do loiro deixaram Eliote confuso.
– Enfim, que é você? – O garoto estava impaciente.
– Prazer, Miguel. – Sem estender a mão, o proprietário levou mais um gole a boca.
– Como cavaleiro, pode me ajudar?
– É possível, mas antes pare de usar essas citações daquele maldito oráculo.
– Irei ajudá-lo a regredir. Após isso, tenha plena consciência de sua escolha. – O homem se posicionou confortavelmente na cadeira. – Sente-se.
Eliote sentou-se em uma das cadeiras, possibilitando que ficasse frente a frente de Miguel. Enfim, a mulher de antes apareceu com uma jarra de água e serviu o convidado.
– E a Amnie? – O azul perguntou.
– Esta descansando no quarto, não se preocupe. – A mulher respondeu.
– Adam, por favor. Pegue o livro na estante. – Miguel pediu para a mulher. Eliote então entendeu o que o outro dizia.
– As vezes dizem que a guerra é algo que traz fúria, mas o que seria mais torturante do que o próprio silêncio? – O loiro continuou com uma indagação.
Enfim a mulher colocou sobre a mesa o pedido do outro. Miguel o abriu e começou a vasculhá-lo.
– Em um tempo não contado, criaturas foram criadas com destinos traçados em oráculos. Apesar de não possuírem formas próprias, estas predições se encontravam perto o suficiente de que as possuía. – Miguel falava com uma bela intonação.
– Sendo vistas em sonhos, livros, e até mesmo nas próprias falas de um contista, as profecias eram contadas a partir das escolhas do caminhante.
– Assim existiu um andante, este que preferiu a rebeldia e a revolta. Com suas forças, lutou contra todos os deveres que lhes eram imposto. Ao ver sua derrota, decidiu fugir para o mais longe possível, pensando que conseguiria se livrar das façanhas.
– Enfim, não conseguiu. E sua punição seria a descoberta incansável por algo que nunca iria conseguiria ver. Junto a ele, todos que os apoiaram seguiram. – Finalizou fechando o livro. – História tediosa, não?
– Já estou cansada de ver se repetir tantas e tantas vezes. – Adam soltou um comentário.
– Os oráculos existem mesmo? – Eliote perguntou.
– Para quem acredita, eles aparecem. Estou com o seu na minha mão. – Miguel balançou o livro no ar.
– Espera, são minhas memórias?
– Não, sua história. As memórias estão na sua cabeça. – Adam respondeu.
– Eu não consigo me lembrar de nada.
– Claro, até a Amnie deixar de existir aqui, você não se lembrará. – Miguel deu outro gole em seu vinho.
– O que? Como assim?
– Qual é! Eliote! Você não é assim! – Adam bateu as mãos obre a mesa.
– Ela merece mais que qualquer um! Se não fosse pela Amnie, você não estaria aqui! – A morena continuou.
– Acalme-se, Adam. – Miguel Pediu. – Entenda, já fizemos isso muitas vezes. Vimos você passar pelo mesmo ciclo: perder a memória e voltar confuso até a Amnie acordar, correr pela estrada e fazer a mesma escolha.
– Você precisa nos tirar daqui Eliote, eu vou enlouquecer se lhe ver novamente assim.
– Então por que não a mataram antes? – Indagou o de azul.
– Só você pode fazer isso. Ela é sua amnesia e nossa desgraça. – Adam falava mais calmamente naquela momento.
Em resposta, Eliote não aguentou a pressão feita pelos dois estranhos e saiu correndo floresta adentro. Seu coração pulsava em desespero. Seus passos cessaram quando se deparou com um grande lago. Decidiu parar e ficar por alguns instantes.
Assim que colocou seus pés dentro da gélida água, os mesmos foram envoltos por uma luz azul cintilante. A sensação de calma se espalhava por todo o corpo do rapaz a medida que a iluminação se proliferava.
– Era uma vez, um belo rapaz que amava a cor azul. – Uma doce voz começou a recitar em sua cabelo. – Diziam todos que o viram nascer, que a beleza de tal cor havia vindo com ele.
Eliote apenas ouvia e aproveitava do conforto que sentia falta.
– Toda manhã, ele se sentava em frente a este lago. E observava o mundo que vivia.
– Estava cansado de seguir o destino que havia sido imposto a ele. Então pegou seu oráculo e fugiu paras as terras perdidas de Lumbría.
– Como punição, a ira divina caiu sobre a criatura.
Ao abrir os olhos, Eliote viu de onde vinha tais falas. A primeira criatura enfaixada estava à sua frente com os cavalos.
Na mansão, Amnie despertou de seu cochilo tranquilamente. Espreguiçou-se com um sorriso e se levantou. Adam a observava de perto.
– Dormiu bem, querida? – Perguntou ela, segurando uma toalha.
– Sim. Foi por muito tempo? Tenho medo que Eliote me mate. – A garota sorria ao falar do amigo.
– Não muito, ele foi dar uma volta. Necessito falar com você.
– Pode dizer, estou ouvindo. – Amnie falava meigamente.
– É sobre Eliote.
Os três estavam reunidos em frente a lareira. Um clima quente passava pelo quarto, Adam servia o café enquanto Miguel preparava as falas para Amnie.
– Você gosta do Eliote? – O homem indagou.
– Não sei… por que está me perguntando algo assim tão repentinamente? – A garota ficou constrangida.
– As vezes dá para perceber. – Adam comentou.
– Precisamos que você saiba de algo. – Miguel continuou.
– O que?
– Amnie, para todos se salvarem. Você deve morrer. – O loiro foi direto. A garota ficou perplexa com a resposta.
– Você não existe. – Continuou ele. – E a própria doença da mente dele.
– Eu sou real!
– Não, você não é minha querida. Se lembra que muitas coisas você não conhece? Não soube o que é um relógio, um coelho ou o próprio tempo. - A mulher mais velha tentava ser compreensiva.
Aquela altura, Amnie estava assustada e com os olhos marejando. Como sabiam de tanto? E como poderia certeza?
– Você é algo do próprio d***o. Algo que ele criou para fugir das verdades sobre si mesmo. – Continuou.
– Não escolhi nascer! Por que devo ir embora?!
– Você ama ele, não ama?